terça-feira, 7 de março de 2017

Bode ao dia/semana/mês internacional da mulher

Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho,
que hoje eu passei batom vermelho...
(Malu Magalhães)



com ou sem batom vermelho, fato é que eu saio da ‘fortaleza confortável do silêncio’ para me expressar em rede social correndo risco de ser contrariada, mas ok eu aguento. (e já aviso que a música epígrafe deste texto é uma ironia ao padrão O Boticário de beleza, porque batom jamais será sinal de empoderamento).
na minha opinião, acho uma bobagem sem precedente esse negócio da mídia e do comércio em geral ´celebrar` nós, mulheres, no início do mês de março.

todo ano é a mesma balela que vai desde série de entrevistas e matérias jornalísticas sobre ´´o papel da mulher na sociedade/borracharia/economia/política/cozinha/segurança pública”; passando pela “tripla jornada”; “juventude e ditadura da beleza”,  e outras questões que, vamos combinar?, não são exclusivas do sexo feminino!
ninguém merece ganhar um bombom ou rosa ou brindes de empresas em reconhecimento por ter nascido mulher!
é lógico que eu não recusaria chocolate rs rs, mas veja só você o momento histórico em que estamos para se continuar premiando pessoas pelo seu gênero e sendo obrigados a ver campanhas publicitárias sexistas que vão desde desconto em Livraria (a Saraiva dará 50% para livrinhos de categorias ditas de mulherzinha!?) a cerveja ‘especial para mulheres’ (marca Proibida, com rótulo cor-de-rosa).
essa data historicamente é celebrada por conta do incidente na fábrica da Triangle Shirtwaist, em que 123 trabalhadoras e 23 homens morreram devido às más condições de trabalho. mas desde lá ganhou novos significados.
hoje, o sentido da ´´celebração” não pode nem deve se resumir a publicidade medíocre cujo resultado final subjuga a mulher e subtrai a duramente conquistada (será?) Isonomia.
ninguém quer florzinha do chefe, e discriminação no RH.
ninguém quer desconto pra comprar roupa e ali na rua olhares que despem.
todos só precisam de respeito e um copo d´água.
o dia internacional da mulher deveria servir apenas para, isso sim, mobilizar a sociedade para a conquista de IGUALDADE REAL DE DIREITOS (Equidade!), e abominar todo tipo de violência sofrida pelas mulheres, sob qualquer circunstância, condição social, profissional, roupa ou cor de batom. 

Camilla Caetano
“On ne naît pas femme, on le devient”, Simone de Beauvoir.

domingo, 8 de maio de 2016

#lendoDomQuixote

Considerando que no dia 23 de abril de 2016 completam 400 anos da morte de Miguel de Cervantes Saavedra, escritor espanhol de quem vamos ficar íntimos nos próximos meses;

Considerando que muita gente vive repetindo simplificadas informações "que o fidalgo Dom Quixote era um cavaleiro, louco, cujo cavalo se chamava Rocinante, e seu fiel escudeiro se chamava Sancho Pança, e que lá pelas veredas lutou contra Moinhos de Vento porque pensava se tratar de gigantes", sem sequer ter lido uma resenha;

Considerando que relutamos em ler livros extensos, ainda mais os clássicos, que reúnem certos arcaísmos e uma linguagem mais "rebuscada";

Considerando que um dos posts maaaais visualizados do blog é o da resenha da primeira parte de Dom Quixote (que li em 2001), publicada em 2011 aqui nesse link;

VAMOS (re)LER "Dom Quixote" juntos??

BEM-VINDO a um projeto* de leitura coletiva muito simples que visa agregar mais cavaleiros andantes pra "se apoiar" enquanto lê um livro "de peso"! hehehe Brincadeirinha.. Na minha opinião, "Dom Quixote de La Mancha" é uma personagem tão incrível que merece nossa atenção! E meus considerandos acima explicam mais motivos.
 *Esse projeto é inspirado no "projeto lendo Proust", da querida Tati Feltrin que escreve/grava o Tiny Little Things.

VAMOS AO QUE INTERESSA:

O primeiro passoQue edição vamos ler?
Dom Quixote é um livro dividido em duas partes, uma publicada em 1605 e a outra em 1615. A ideia do projeto é ler a primeira parte E depois, quem sabe, seguimos juntos na outra parte, ok?
Como é um livro antigo e o original em espanhol do século 17, acho importante escolher uma tradução boa... e algumas palavras e expressões mal traduzidas interferem, sim, no sentido da coisa.
Vou indicar três editoras, ficando a seu critério a escolha, lembrando que como é de domínio público há inúmeros arquivos .pdf pela internet!)
Outra coisa: o cronograma será dividido por capítulos, portanto não importa a numeração das páginas em si.


EDIÇÃO BILÍNGUE DA EDITORA 34:
essa é a edição traduzida pelo Sérgio Molina, 
e recebeu Prêmio Jabuti de tradução!
Reputa-se a mais confiável. É a que vou ler!
EDIÇÃO POCKET DA EDITORA 34:
tradução do Sérgio Molina, mas na versão pocket. 



EDIÇÃO PENGUIN - Companhia das Letras:
é uma tradução mais moderna.
Digamos que eles ´´facilitaram`` o texto,
de certa forma subestimam o leitor de
Dom Quixote (segundo Tati Feltrin).
obs: em 2011 eu li a versão pocket LPM, não é ruim, mas não é boa (entenderam?)

O segundo passocriei um evento no Facebook  

Nesse espaço virtual a gente vai conversar sobre a leitura, os perrengues, as dificuldades, as dúvidas, mas também as maravilhas do livro, os personagens, fotos, vídeos, posts, gifs etc…
O terceiro passoter uma hashtag #lendoDomQuixote para usar nas redes sociais e agregar mais leitores.

O quarto passoestabelecer um Cronograma de leitura, não para seguir à risca (e se tornar um peso), mas para que todos consigam, mais ou menos, ficar na mesma sintonia.

INÍCIO DA LEITURA COLETIVA: 16 DE MAIO DE 2016

(Defini essa data para dar tempo de todos adquirirem seus exemplares, certo?)



PARA NÃO TER DESCULPA, O CRONOGRAMA SERÁ DE 10 SEMANAS, com a leitura de 5 capítulos por semana, evita atrapalhar outros livros em andamento, bem como é razoável e adaptável para qualquer rotina! 
Imprima o cronograma, recorte e cole e terá um marcador de páginas!

POR FIM, deixo registrado que se trata de um projeto aberto, cuja finalidade é fomentar a leitura da obra-prima de Cervantes, tida como um marco do romance moderno. Se quiser compartilhar o post, fique à vontade, mas cita o bloguinho nos créditos, e lembrem de usar a hashtag #lendoDomQuixote nas redes sociais, ok?!



Um beijo, Camilla Caetano.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O CONDE DE MONTE CRISTO, Alexandre Dumas


Dizer que uma leitura é ou não prazerosa é muito subjetivo, pois dependerá obviamente da nossa bagagem de leituras já realizadas, mas, sobretudo da nossa vida e visão de mundo.
Lemos tantos e bons livros que invariavelmente formamos um conceito ou um parâmetro, eu diria, do que qualifica uma obra e aquele que a escreveu.

O Conde de Monte Cristo, por exemplo, julgo ser um livro 100% ou, se preferirem, 5 estrelas, pelos motivos que seguem:

A julgar pelo volume de 1663 páginas (editora Zahar), um leitor desavisado questionaria se Alexandre Dumas consegue manter o interesse durante toda a história. E pra isso eu respondo: Sim, senhores.

A melhor referência que posso transmitir desta leitura é a manutenção do interesse. Tal como uma novela de televisão, a história possui núcleos de personagens e sub-histórias que se revelam por partes e sem pressa, numa cadência maravilhosamente orquestrada.

Os acontecimentos são contados a partir de uma narrativa impecável, fazendo avançarmos nos capítulos com muito interesse, e – notem o que vou dizer – não há sequer um parágrafo inútil no livro inteiro.

Cada frase está posta com uma razão de ser. Não sobram ´pontas soltas`, ou seja, tudo é costurado com coerência. E é por isso que fui arrebatada.

A construção de personagens e a contextualização histórico-cultural foram fundamentais para eu apreciar a história que, apesar do tema central ser reconhecidamente a “vingança”, muitas outras questões sobre amizade, traição, paixão, amor, poder político, poder financeiro, luta de classes, ética e fé são retratadas com muita sabedoria, não apenas para compreender a obra, senão para compreender a vida.

Tenho muito a falar desse livro, mas me limito às seguintes pontuações, que compartilho com vocês, com a ressalva de que possam conter spoilers..
  • Edmond Dantès era um cara tranquilinho de acordo com a moral e bons costumes da época, mas, a meu ver, quando ele sai do castelo de if transforma-se bruscamente numa figura cheia de si, conhecedora de tudo e todos, altiva e até com ares de arrogância, sobretudo depois de por a mão na riqueza contida na ilha de Monte Cristo. Pergunto-me se a real razão da transição de bom moço para calculista vingador foi o tempo de prisão, a sabedoria de Abade Faria, os bens materiais da ilha ou foi a própria vontade de vingança que o tornou tão duro? Não me convenceu muito a "transformação a jato", mas ok..
  • Será que a vingança foi na medida ou extrapolou um pouco? Na minha opinião a quantidade de pessoas inocentes afetadas com as ações de vingança me fizeram repensar a “justiça” que o conde queria empreender. Parece que o rancor do sofrimento enquanto presidiário super inflou seu coração. Ou foi a riqueza que lhe subiu à cabeça impedindo qualquer lampejo de perdão.

Dada a movimentação que teve no Instagram, por conta da hashtag #lendoOCondedeMonteCristo, acho que vamos tentar reunir num bate-papo virtual algumas pessoas que seguiram o projeto, que foi proposto pelo marcos amaro.
Por conta disso, talvez eu volte a atualizar este post com mais observações.

Um beijo, Camilla.

terça-feira, 12 de abril de 2016

#lendoDomQuixote

Considerando que no dia 23 de abril de 2016 completam 400 anos da morte de Miguel de Cervantes Saavedra, escritor espanhol de quem vamos ficar íntimos nos próximos meses;

Considerando que muita gente vive repetindo simplificadas informações "que o fidalgo Dom Quixote era um cavaleiro, louco, cujo cavalo se chamava Rocinante, e seu fiel escudeiro se chamava Sancho Pança, e que lá pelas veredas lutou contra Moinhos de Vento porque pensava se tratar de gigantes", sem sequer ter lido uma resenha;

Considerando que relutamos em ler livros extensos, ainda mais os clássicos, que reúnem certos arcaísmos e uma linguagem mais "rebuscada";

Considerando que um dos posts maaaais visualizados do blog é o da resenha da primeira parte de Dom Quixote (que li em 2001), publicada em 2011 aqui nesse link;

VAMOS (re)LER "Dom Quixote" juntos??

BEM-VINDO a um projeto* de leitura coletiva muito simples que visa agregar mais cavaleiros andantes pra "se apoiar" enquanto lê um livro "de peso"! hehehe Brincadeirinha.. Na minha opinião, "Dom Quixote de La Mancha" é uma personagem tão incrível que merece nossa atenção! E meus considerandos acima explicam mais motivos.
 *Esse projeto é inspirado no "projeto lendo Proust", da querida Tati Feltrin que escreve/grava o Tiny Little Things.

VAMOS AO QUE INTERESSA:

O primeiro passo: Que edição vamos ler?
Dom Quixote é um livro dividido em duas partes, uma publicada em 1605 e a outra em 1615. A ideia do projeto é ler a primeira parte E depois, quem sabe, seguimos juntos na outra parte, ok?
Como é um livro antigo e o original em espanhol do século 17, acho importante escolher uma tradução boa... e algumas palavras e expressões mal traduzidas interferem, sim, no sentido da coisa.
Vou indicar três editoras, ficando a seu critério a escolha, lembrando que como é de domínio público há inúmeros arquivos .pdf pela internet!)
Outra coisa: o cronograma será dividido por capítulos, portanto não importa a numeração das páginas em si.





EDIÇÃO BILÍNGUE DA EDITORA 34:
essa é a edição traduzida pelo Sérgio Molina, 
e recebeu Prêmio Jabuti de tradução!
Reputa-se a mais confiável. É a que vou ler!
EDIÇÃO POCKET DA EDITORA 34:
tradução do Sérgio Molina, mas na versão pocket. 



EDIÇÃO PENGUIN - Companhia das Letras:
é uma tradução mais moderna.
Digamos que eles ´´facilitaram`` o texto,
de certa forma subestimam o leitor de
Dom Quixote (segundo Tati Feltrin).
obs: em 2011 eu li a versão pocket LPM, não é ruim, mas não é boa (entenderam?)

O segundo passo: criei um evento no Facebook 

Nesse espaço virtual a gente vai conversar sobre a leitura, os perrengues, as dificuldades, as dúvidas, mas também as maravilhas do livro, os personagens, fotos, vídeos, posts, gifs etc…
O terceiro passo: ter uma hashtag #lendoDomQuixote para usar nas redes sociais e agregar mais leitores.

O quarto passo: estabelecer um Cronograma de leitura, não para seguir à risca (e se tornar um peso), mas para que todos consigam, mais ou menos, ficar na mesma sintonia.


INÍCIO DA LEITURA COLETIVA: 16 DE MAIO DE 2016

(Defini essa data para dar tempo de todos adquirirem seus exemplares, certo?)



PARA NÃO TER DESCULPA, O CRONOGRAMA SERÁ DE 10 SEMANAS, com a leitura de 5 capítulos por semana, evita atrapalhar outros livros em andamento, bem como é razoável e adaptável para qualquer rotina! 
Imprima o cronograma, recorte e cole e terá um marcador de páginas!

POR FIM, deixo registrado que se trata de um projeto aberto, cuja finalidade é fomentar a leitura da obra-prima de Cervantes, tida como um marco do romance moderno. Se quiser compartilhar o post, fique à vontade, mas cita o bloguinho nos créditos, e lembrem de usar a hashtag #lendoDomQuixote nas redes sociais, ok?!

Um beijo, Camilla Caetano.

terça-feira, 8 de março de 2016

Do café com aroma de afeto


DE TODOS OS PRAZERES DO SER HUMANO, VOCÊ ESTÁ DIANTE DO QUE TEM MAIS SABOR. ENTÃO, SE O PRAZER É UM BOM CAFÉ, FOI UM PRAZER TE CONHECER.
Uma das tantas alegrias da vida é lembrar-se de alguém por um motivo especial, seja ele um objeto ou lugar visitado. É como ver esculturas de gatinhos de madeira e automaticamente pensar naquela amiga defensora dos felinos; ou sentir o aroma de flor-de-laranjeira e recordar da pracinha onde brincava na infância...
Nossa mente é assim, faz links automáticos e por vezes inexprimíveis em palavras!
Mas melhor do que se lembrar é ser lembrada. E o que passo a descrever abaixo tem a ver com memórias afetivas, e aconteceu neste verão com meu pai.
Ele esteve numa cafeteria/confeitaria chamada Doce Art Café, no município de Torres/RS, e não sossegou até conseguir esta xícara de presente para mim.
Para isso, foi ter com o dono da cafeteria e contou da filha sonhadora, muito dada às leituras e escritas; contou do blog e dos clubes de leitura...   
Eis que, ao chegar do veraneio, me entregou este bonito regalo.
Lembrou-se da Camilla porque aquilo que nos é caro nos constitui e, portanto, torna-se parte da gente. Somos lembrados pelos afetos expressados e obras realizadas, tal como o amor paterno marca num filho sua incansável força cuidadora!
Meu pai fez questão de concretizar seu afeto assim, o que de certa forma também representa a sua simplicidade: o aroma das palavras servidas numa singela xícara de café.
Um beijo,
Camilla.

quinta-feira, 3 de março de 2016

O GIGANTE ENTERRADO, Kazuo Ishiguro

Tudo azul.
Capa azul brilhante, fonte incrível e essa árvore linda: um verdadeiro capricho da editora Companhia das Letras. 

Comprei esse livro porque achei bonito, quem nunca?

Eis um livro misterioso, melancólico e repleto de entrelinhas. 
Escrito pelo japonês Kazuo Ishiguro, O gigante enterrado vai perturbar o inconsciente de qualquer leitor, porque, afinal, todos somos feitos de lembranças!

O GIGANTE ENTERRADO é um livro metafórico e profundo sobre memória e resgate daquilo que é essencial para um indivíduo, para um casal ou para uma comunidade inteira. 
É difícil definir um único tema abordado por Kazuo Ishiguro, podendo elencar o tempo, a honra, perdas, o valor da amizade, sentimentos de honra e glória, desejo de vingança, e amor.
É uma longa lista de emoções a serem "administradas", como na vida.
O que devemos carregar na bagagem após um período de guerra e sofrimento? Os sentimentos de vingança ou justiça ficam latentes por quanto tempo? Qual lembrança um casal reputa mais relevante desde quando se conheceram? O que fica registrado para uma pessoa também marcou o coração da outra?
Tais questionamentos me acompanharam durante a leitura da história de Axl e Beatrice, casal de idosos bretões que decide fazer uma jornada em busca do seu filho, em algum lugar que lembra a Grã-Bretanha, entre o final do século 5 e o início do século 6.

O caminho é percorrido nas companhias de dois saxões, o garoto Edwin e o guerreiro Wistan, e depois aparece o cavaleiro Gawain, parente do Rei Arthur.

Feridas de disputas entre bretões e saxões são expostas com ódio, honra e sentimento de redenção, num clima parecido com O Hobbit e o Senhor dos Anéis. 

Ressalto que durante a jornada as personagens sentem a falta de memória provocada pela ‘névoa do esquecimento’, uma espécie de feitiço causado pelo hálito de um dragão. E esses elementos fantásticos funcionam justamente para suavizar o tema da passagem do Tempo e suas consequências, nessa história tão bela quanto melancólica, cuja reflexão permanece incomodativa mesmo após fechar o livro. 

O esquecimento é o que nos salva, penso eu, já que não poderíamos carregar no consciente todas as memórias das experiências vividas, quiçá todas impressões registradas acerca de cada pessoa, objeto ou lugar que passamos ou passam por nós.

Um beijo,
Camilla.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Dos presentes e dos ausentes

Estamos naquele período infame em que muitos correm ao comércio para expressar por meio de presentes os sentimentos que não conseguem expressar por meio de palavras e gestos durante todos os outros meses do ano.


É como se um sapato novo fosse capaz de suprir os muitos passos que o pai deu até a sacada esperando a visitinha do filho muito ocupado, que sempre deixava para depois.


É como se um tablet fosse o simulacro do esconde-esconde que a mamãe deixou de brincar porque preferia estar no seu tablet, tomando banho de sol, enquanto o filho pulava nos braços da babá.


É como se o panetone cacau show fosse um agrado para aquela mãe cozinheira que faz bolos muito melhores, mas que filhos e netos não tinham tempo de degustar num sábado à tardinha.


Na intenção, talvez inconsciente, de se desincumbir das visitas prometidas e não realizadas, dos mates cevados, mas não compartilhados, muitos de nós invadem lojas de perfumaria, roupas e sapatos com a listinha de familiares.


Onde está o sentido da correria dessa época? Para que correr se no mais das vezes as famílias e amigos estão o ano inteiro disponíveis pra gente amar e se fazer presente, mas que o 'tempo corrido' não deixa?


Tudo bem, cada um expressa afeto como e quando puder. Mas me parece que o capitalismo suga a criatividade das pessoas, entregando embalagens prontas de 'sentimentos', numa tentativa de concretizá-los...
Fica a reflexão...


Esse ano não quero presentes, quero presenças.
Esse ano não vou presentear, serei mais presente.


Um beijo,
Camilla Brites Caetano.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

OUTRA VOLTA DO PARAFUSO, Henry James


Já tive uma experiência com Henry James quando li A Fera na Selva (tem resenha aqui) e recordo que tinha ficado ressabiada com sua linguagem TRUNCADA e complexa,.... mas cá estou novamente me desafiando. 

Em Outra volta do parafuso ou A outra volta do parafuso, publicado em 1898 por Henry James, somos apresentados a um grupo de amigos que, reunido numa véspera de Natal, conta histórias e contos de terror. Um deles diz ter a mais terrível história de fantasmas, e passa a contar propriamente a Outra volta do parafuso.

"Ninguém, além de mim, até agora, a ouviu. É, de fato, horrível demais". (...) "Em matéria de horror?", lembro-me de haver perguntado. (...) Ele parecia dizer que a coisa não era assim tão simples; que na verdade, lhe faltavam palavras para qualificá-la. Passou a mão pelos olhos, fez um pequeno esgar de repulsa. "De monstruosidade - monstruosidade!"


Uma jovem professora de 20 anos é contratada para ser governanta numa propriedade em Bly (na inglaterra) e cuidar de duas crianças órfãs, Flora e Miles. Supostamente a mansão é assombrada pelos fantasmas de Peter Quint e da senhorita Jessel (ex-preceptora). O enredo fantasmagórico conduz para essa percepção, já que a preceptora passa a ter visões dos fantasmas e acredita piamente que as crianças se comunicam com eles...


O livro tem uma boa construção de personagem e diálogos interessantes, e tudo gira nas atitudes e decisões tomadas pela preceptora para ´proteger` e ´salvar` as crianças dos fantasmas.
Na minha opinião, Outra volta do parafuso permite uma leitura ABERTA, em que situações misteriosas e ambíguas levam o leitor a questionar se realmente há fantasmas ou uma possível loucura dessa jovem professora.


Se você se interessou pela história, sugiro ler a edição da Penguin Companhia, com tradução de Paulo Henriques Britto.

Um beijo bom,
Camilla.

domingo, 22 de novembro de 2015

Somewhere over the rainbow

A estrada de tijolos amarelos é obra da nossa mente!

A estrada de tijolos amarelos talvez seja ansiedade de futuro, planejamentos, metas, anseios, e está pintada com a cor da expectativa, essa palavra que significa tanto mas não diz nada.

(Já pararam para pensar que existe o verbo ESPERAR, mas não existe o verbo EXPECTAR? Só por isso já deveríamos saber que a expectativa não gera verbo, não gera ação.)

Tudo o que a Dorothy, o leão, o espantalho e o homem de lata pretendiam pedir ao Mágico de Oz foi construído durante o percurso, por eles mesmos. 
Não foi Oz que concedeu seus desejos!

E digo mais.
Dorothy e seus amigos tiveram as maiores lições de vida do caminho justamente quando estavam pisando fora da estrada de tijolos amarelos. 

O maior aprendizado é obtido por causa de um imprevisto ou obstáculo, naquilo que não sai como foi idealizado, naquilo que sai da rota, mas que acontece da melhor maneira possível!

É só ficar tranquilo e perceber que muitas vezes o acaso é tão interessante quanto a agenda. Que se pode ouvir Somewhere over the rainbow em qualquer lugar.

Um beijo bom,
Camilla.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O SOL É PARA TODOS, Harper Lee

O Sol é para todos (To kill a mockinbird, título em inglês) é um livro publicado em 1960 pela escritora americana Harper Lee.

A história se passa no condado de Maycomb, no estado do Alabama, sul dos EUA, nos anos 30, onde um homem negro é acusado de estuprar uma mulher branca. 

O advogado responsável pela sua defesa no tribunal é Atticus Finch, pai de Scout e Jem. 

Scout é a menina perspicaz que descreve a nem tão pacata vida no interior do Alabama, desde suas brincadeiras com o irmão Jem e o amigo Dill, até acontecimentos da vizinhança racista! 

O livro tem uma linguagem simples, talvez porque é contado pela ótica de uma criança.. Mas apesar da "inocente" visão das coisas, é apresentado um subtexto com injustiça social, preconceito racial, paternidade, amadurecimento, tolerância, noções de justiça e direitos humanos.

"- (...)Scout, por causa da natureza que exerce, todo advogado assume pelo menos um caso que o afeta pessoalmente. Tenho a impressão de que esse é o meu. Você provavelmente vai ouvir coisas horríveis sobre isso na escola, então me faça um favor: levante a cabeça e abaixe os punhos. Não importa o que digam, não deixe que eles a façam perder o controle. Tente lutar com as ideias, para variar... mesmo que seja difícil".

Scout é uma personagem muito carismática, esperta e questionadora, e justamente essa inocência ao observar os fatos é que dá um tom quase leve para assuntos tão pesados quanto um estupro. 
adaptação para o cinema, em 1963

Não pretendo dar spoiler.. apenas mencionar que muitas coisas são "costuradas" a cada capítulo, até mesmo durante o julgamento do negro Tom Robinson, fazendo transparecer facetas ora boas, ora más de certos personagens.
Gente, a história surpreende até o final!! Eu recomendo de olhos fechados essa leitura.. que será apreciada por jovens a partir de uns 15 anos de idade, mais ou menos. :D

"- Essas pessoas certamente têm o direito de pensar assim, e têm todo o direito de ter sua opinião respeitada - considerou Atticus. - Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa".

O sol é para todos é um livro com fôlego, constância e ritmo, o que torna a leitura muito prazerosa e, por tudo isso, inesquecível!!

Um beijo bom,
Camilla. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA, Gabriel Garcia Márquez

Crônica de uma morte anunciada foi o primeiro livro do Gabriel García Márquez que eu li (seguido do - absoluto - Cem anos de solidão, que a qualquer momento vou me encorajar pra escrever uma resenha). 
Gabo é incrível, e para quem conhece sua obra é dispensável qualquer comentário... 
*
176 páginas de boa literatura! (Editora Record)
 “No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5 e 30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.”

A primeira frase do livro Crônica de uma morte anunciada dá o tom da narrativa: pode até ser uma história sobre homicídio, porém contada de maneira única e incomum!
Como viram, há aparente spoiler, mas é justamente nessa brincadeira de inverter a costumeira ordem com que as histórias são contadas que Gabo nos fisga!

E o que segue depois disso é uma série de pequenos acontecimentos que antecedem o assassinato de Santiago Nasar numa pequena aldeia no litoral da Colômbia. 
*
outra capa editora Record
Logo depois do pomposo casamento, Bayardo San Román foi ´desposar` Ângela Vicário e percebe que ela não é mais virgem. Devolvida à família, a moça "confessa" que o "responsável" foi Santiago. 

"Ela demorou apenas o tempo necessário para dizer o nome. Buscou-o nas trevas, encontrou-o à primeira vista entre tantos e tantos nomes confundíveis deste mundo e do outro, e o deixou cravado na parede com o seu dardo certeiro,como a uma borboleta indefesa cuja sentença estava escrita desde sempre."

Através de um narrador-testemunha, amigo de Santiago, ficaremos sabendo dos motivos e conhecendo os autores do crime. 
Percorreremos ruelas do litoral colombiano enquanto vizinhos dão suas versões sobre o fato, caprichando em detalhes sórdidos - a nível de fofoca - a respeito das famílias envolvidas..
O mais interessante de tudo é que o prenúncio do assassinato estava ululante na comunidade inteira e mesmo assim ninguém tentou impedir!

"Nunca houve morte mais anunciada."

Ficamos apreensivos pra saber mais sobre o que de antemão já sabemos - as circunstâncias da morte de Santiago Nasar. A narrativa é envolve e intrigante, recheada de pormenores bem costurados... com certeza, uma leitura inesquecível!


García Márquez tinha o dom de criar personagens fortes e marcantes, tal como Arcádios e Buendías, e contava histórias com uma maestria incomparável.
Não morra sem ler Gabriel García Márquez!

Um beijo bom,
Camilla.

sábado, 20 de junho de 2015

Das rosquinhas de cachaça e chá de capim-cidreira

22 de maio era a data de aniversário da minha avó materna, a Vó Mila.
Na carteira de identidade, Emília da Silva Brites.
Tinha a simplicidade ´da Silva` e a calejada sabedoria de quem cuidou mais de 10 filhos. Ela era bochechas brilhantes e proeminentes, logo abaixo dos castanhos olhos de bondade que o tempo foi branqueando.

Ainda posso vê-la molhando a linha na boca e apertando os olhos pra enfiá-la na agulha. Gesto tão observado e admirado, que hoje copio sem querer os trejeitos ao sentar-me à máquina de costura.
Se minhas mãos sorriem com tecidos, apenas confirmo que sangue não é água.

Minhas melhores e mais distantes lembranças estão naquela casa.
Desde o silêncio absoluto que o vô Gentil exigia na hora da séstia (uma eternidade quando se tem primos prontos para agitar) até o som metálico das cadeiras de praia abrindo para receber visitas no pátio. 
Saudade é cheiro de rosquinha de cachaça que ela preparava na mesa azul de madeira, pura farinha.
Eu devia medir 90 centímetros de altura e ficava na ponta do pé pra espiar e, com auxílio de um banquinho, festejava poder espichar a massa com o rolo de madeira, objeto que ora repousa de herança na cozinha da minha mãe.
Em dia de rosquinhas, a casa da vó Mila exalava um cheiro de amoníaco.
Nunca entendi que o aroma, a princípio incômodo, magicamente sumia quando saíam do forno. Uma mordida crocante e outra molhada no leite com Nescau. 

Sabor difícil de repetir, lágrima fácil de rolar.

Eu gostava de me encostar na vó Mila e tocar aquela pelezinha do tríceps que sobra nos braços idosos. Parecia papel de seda, bem fininho, que ela deixava tocar porque sabia que carinho de neto tem dessas bobices sensoriais.
Meu coração quase que diariamente é afagado com afeto da vó Mila quando preparo chá de capim-cidreira. Hoje é embalado em sachê individual, mas o verdadeiro sabor era colhido por ela, na horta, no costado direito da casa, bem do lado dos tomateiros.. 
Tomates eram colhidos e comidos na hora; já as folhas de cidreira - cortantes ao tato - deusolivre criança por a mão.

Meus sentidos são máquina do tempo. Amor é o combustível. 

Um beijo bom,
Camilla.


segunda-feira, 15 de junho de 2015

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, José Saramago

Eis um livro impactante, minha gente!!! 
 
Não encontrei melhor adjetivo para Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, que não esse: IMPACTANTE. 
 
Quem é leitor de Saramago já sabe o que esperar quanto à linguagem, troca das vozes narrativas e diálogos - que não são pontuados da maneira tradicional. O texto de Saramago é um manancial de água onde você é simplesmente levado, ora boiando, ora submerso, numa correnteza veloz rio abaixo! Se ainda não leu Saramago, de repente seria legal começar com O conto da Ilha Desconhecida

Mas hoje minha dica literária é o 
Ensaio sobre a cegueira!

Uma pessoa é acometida de uma cegueira. 
Não uma cegueira comum, onde se ´vê` escuridão, mas uma cegueira branca, leitosa. E então contagia outro, que contagia outro, que contagia outro... e em poucas horas e dias parte de um país é tomada pela falta do sentido da visão. 
Uma epidemia sem causa conhecida.
 
O Governo providencia o isolamento do grupo (tipo uma quarentena) e se compromete a fornecer mantimentos, itens de higiene e limpeza, mas quando isso começa a faltar... a dignidade e bom senso ficam rarefeitos!! Os instintos primários do ser humano se sobrepõem à educação, respeito e moral e a face mais cruel daqueles homens e mulheres cegos ficarão à vista do leitor. 
Apenas a personagem ´mulher do médico` não é acometida da doença, e permanece vendo e testemunhando o desfalecer da civilidade e a busca da sobrevivência a qualquer custo. 
Esbarro no imaginário que eu construí lendo esse livro para me desculpar por não dizer mais do que já disse, senão acrescentando que muito mais do que VER, é preciso REPARAR no outro!

A experiência sensorial e metafórica que Saramago proporcionou com Ensaio sobre a cegueira é - tocando o óbvio - minha e única.. 
Você terá que vivenciar por si só a jornada rumo ao caos que a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta e outros personagens percorrem.. 
Até mesmo para admitir, se for o caso, que você também é acometido de alguma cegueira! 
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago
Obs: Para quem já viu a adaptação para o cinema dirigida por Fernando Meirelles, só vou mencionar aquilo que debatedores de literatura geralmente acordam: o livro é incomparável, e supera mil vezes o filme. ;)
 
Um beijo bom, 
Camilla.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

XADREZ, TRUCO E OUTRAS GUERRAS, José Roberto Torero

Com um sem-fim de livros à disposição, tantas chamadas de lançamentos, reedições,
reimpressões em papel perfumado (#ironia), etc.. é justificado se perguntar Que livro vale tomar meu valioso tempo?


Para isso que servem (a maioria dos) os blogs literários, de modo que se você não é dotado de intuição ou apurado faro literário – o que sinto que estou desenvolvendo com o passar dos anos – ler blogs é uma maneira de pegar indicações certeiras e se livrar de furadas!

Leio gêneros bem diferentes, sem me ater a projetos ou metas, escolhendo aleatoriamente minhas leituras. ;)
A par disso, tenho lido aquilo que definimos nos clubes de leitura que coordeno e participo...
Assim foi com XADREZ, TRUCO E OUTRAS GUERRAS, livro do mês no clube de leitura companhia de papel! Esse livro faz parte da coleção Plenos pecados, publicada pela editora Objetiva, onde 7 autores escreveram 7 livros sobre os temas: Soberba, Luxúria, Preguiça, Inveja, Gulo, Avareza e Ira.

Conforme a própria editora: "A proposta da coleção é analisar os pecados que fascinam e aprisionam os homens ao longo dos séculos, sob um ponto de vista libertador e contemporâneo. A série nos apresenta as questões: o que deles, dos pecados, permanece, como noção de ofensa e erro, em nosso imaginário? Que limites traçam, até onde nos desafiam? Como oscilar, sem culpa e medo, entre a condenação e a celebração do pecado?"

A José Roberto Torero coube a IRA. 
Assim, ele valeu-se da Guerra e de jogos (truco e xadrez) para desenvolver este livro que tem personagens cativantes, sarcasmo e ironia!!

Temos o Rei, o General, o Coronel, o Capitão, o Sargento, o Soldado.. cada qual com um movel pessoal pra ir à Guerra.. nenhum deles era essencialmente a ira...

Os capítulos curtos deixam a leitura veloz e agradável.. Uns descrevem tomada de decisões e movimento das tropas, e outros relatam fatos prosaicos das batalhas.

Apesar do tema, é bom dizer que sua leitura, ao contrário de ira, desperta descontraídas risadas!! Isso porque há diálogos com ironia e bizarrices... 

É impossível não sentir a vibe dos livros Dom Quixote, Tarás Bulba e Cândido ou O otimismo (clique no link e vá para as resenhas!) Reputo ser essa a informação mais pontual da minha pretensa resenha... já que por mais que a gente leia coisas boas, no fundinho elas sempre serão inspiradas em algo melhor ainda - que geralmente são chamados de ´clássicos`. ;)

Eis alguns trechinhos que destaquei...

"A vitória tem muitas mães; mas a derrota é sempre órfã".

"Assim como há sins que não são sins mas nãos, há também nãos que não são nãos mas sins, de modo que tudo, não e sim, é, na verdade, talvez ou depende".

"A ira é sempre mais forte por quem está mais perto de nós".

"A ira, meu caro, só é sábia se possui um grão de covardia. Se não, é pecado".

Super recomendo essa leitura, que em 183 páginas se torna inesquecível a seu modo. :)

Um beijo bom,
Camilla.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A CABEÇA DO SANTO, Socorro Acioli

No mês de março, escolhemos um livro da cearense Socorro Acioli para debater no clube de leitura companhia de papel!!

A premissa de A Cabeça do Santo é o fato real de que, numa cidade chamada Caridade, no Ceará, uma escultura ter ficado desfalcada: a cabeça do Santo Antônio fora montada em separado, mas por razões de engenharia (vento) ficou complicadinho encaixar no resto do corpo. 
Mais detalhes no G1! 

Socorro construiu uma ficção em torno disso e concebeu o protagonista Samuel, moço que chega no vilarejo de Candeia e faz "morada" na cabeça (oca) - que mais parecia uma caverna com tamanho de uma quitinete!!


Eis que em certos horários do dia, como se descobrisse um dom, ele começa a ouvir vozes vindas das paredes da cabeça... eram vozes de moças orando por Santo Antônio. 

Ele escuta a promessa de uma das moças, banca o cupido com a ajuda do amigo Francisco, e o casamento acaba sendo realizado "por obra do santo milagroso". O casório, amplamente divulgado nas rádios locais, dá causa a um intenso turismo religioso na região!

Muitos peregrinos passam a visitar o lugar em busca de um milagre do Santo!!

A partir disso, a história desenrola questões sobre coragem, perdão, amor, especialmente na família de Samuel. Incomodadas, autoridades locais intencionam destruir a cabeça do santo e expulsar Samuel da cidade... 
Vou parar por aqui... espero tê-los provocado pra saber o resto da história...
*
Socorro e Gabriel Garcia Marquez
P.S.: 

A escritora cearense Socorro Acioli  teve influência forte de um nobel, já que participou de uma oficina de escrita com Gabriel Garcia Márquez (!!!), realizada em Havana (Cuba) em dezembro de 2006. “Eu precisava mandar o resumo de uma página de uma história que eu quisesse desenvolver na oficina. Enviei por e-mail, ele gostou e me convidou“, disse numa entrevista.

Algumas pontuações que propus no encontro:

- Atualmente, são tempos difíceis para os românticos? (página 59)
- "(...) Riam das desgraças, suas e dos outros. Desgraça é tudo coisa de se rir" (página 51). Você acha que todo ser humano é um pouco sádico?
- Comente o trecho: "Rezar é falar o que sente" (página 141).
- As velas que Samuel tinha que acender significavam Coragem, Perdão e Amor. Durante a vida, que outras ´´velas`` temos que acender?
- "Nem a vela quer ficar acesa. Eu não tenho fé nenhuma, degolado. Nem a vela que eu acendo tem força pra ser fogo. Isso de ter fé é o que desgraça gente pobre como eu". (Pág. 146). Comente sobre uma eventual dicotomia entre capacidade financeira e prática de fé/religião.
- "Os tímidos, na hora em que atacam, são das feras piores, e Dr. Adriano beijo Madeinusa sem pedir licença" (pág. 57). Você concorda?
- "Acreditava que os santos eram todos uma mera invenção dos desesperados e nada do que Mariinha dissera a vida toda o convenceu do contrário. Santos são pedras e só pedras. Era a lei de Samuel". Você é devoto de algum santo? Qual?
- Tal como Candeia, muitas cidades brasileiras tem como seu único atrativo o turismo religioso. O que você acha de eventual uso de verba pública para fomento dos locais de peregrinação, sendo o Brasil um país laico?

Um beijo bom,
Camilla.
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