terça-feira, 29 de maio de 2012

Da arte de fazer listas e a lista na porta da geladeira


Enquanto no forno o post do livro de maio, quem sabe um pouco de (in)filosofia Caetaneana? Vem comeeego!

Jogue a primeira pedra quem não faz listas?!!
Listas quase sempre apavoram as pessoas, porque obrigam a 1) estabelecer prioridade; 2) colocá-las em ordem; 3) escrever; 4) executar e 5) depois passar um traço confirmando que cumpriu! Sei lá, mas quem é organizado aproveita mais a vida,  correto?
Se o Vive la vida loca não tiver uma logística, chegará no final do dia/semana/mês/ano e sentirá aquele mal estar/vácuo/impotência de não ter feito ou conquistado nada. Tipo pagar aluguel.
Daí que anos antes de Cristo, o poeta Horácio teria dito: Dum loquimur, fugerit invida aetas: carpe diem quam minimum credula postero. Traduzindo: Enquanto estamos falando, terá fugido o tempo invejoso; colhe o dia presente e sê o menos confiante possível no futuro! Receita boa para ser feliz, né?!
Dos altos dos meus 27 anos (adoro dizer isso!) tento não fazer planos, ainda que seja impossível não sonhar – culpa da inafastável crença na imortalidade que nós temos quando jovens.
Esse tal Carpe Diem tem prazo definido de 24 horas, entendo eu. 
Mais que isso é a abstração de que o futuro é algo palpável, criada pela mente humana como mola propulsora da perpetuação da espécie e combustível pra sociedade de consumo. :P (me perdoem os acadêmicos: tudo que eu falar aqui é sem referencial teórico/base filosófica ok). 

Com efeito, feliz daquele que sempre tem em mente que cada dia pode ser o último – a intensidade das experiências é muito maior! Então, dentro de ´´24 horas`` é  recomendável que, pelo menos uma vez, eu diga EU TE AMO aos meus genitores; execute meu trabalho da forma mais excelente; coma saudavelmente; exercite meu corpitcho (engraçado que essas últimas são ações que VISAM NOS MANTER MAIS TEMPO VIVOS, E COM QUALIDADE, mas caros amigos, finjam que não!, porque se a gente considerasse mesmo a finitude da vida seríamos loucos hedonistas e comeríamos brigadeiros no almoço e pilotaríamos avião sem brevê). 

Pois bem. Se o dia é uma tela em branco, um jeito prático de usar o pincel é fazer listas. 
Fazer listas, a meu ver, é bem coisa de existencialista no sentido de perceber o peso da responsabilidade por sermos livres. Liberdade de eleição --> que gera angústia --> que nos obriga a fazer escolhas all the time. (frisando que o não fazer/omissão já é uma escolha). 
E para dar ``peso´´ ao meu post: o pai do existencialismo, Kierkegaard, suportava a ideia que o indivíduo é o único responsável em dar significado à sua vida e em vivê-la de maneira sincera e apaixonada, apesar da existência de muitos obstáculos e distrações como o desespero, ansiedade, o absurdo, a alienação e o tédio.
Facinho como abrir caminho no Mar Vermelho, a fórmula de uma vida extraordinária é viver de maneira sincera e apaixonada + deixar um legado no mundo. Oi? Anotado.

Planeta Terra chamando, planeta Terra chamando, essa é mais uma edição do diário de bordo do LucasSilva e Silva, falando diretamente do mundo da lua, onde tudo pode acontecer. Então. Eu só consigo estar em paz se cumpro minhas listas (mentais e escritas!). Um exemplo aí ao lado:

Mantenho listas de várias coisas e não considero TOC: de livros (lidos, comprados, por ler, e por comprar); de filmes (assistidos – classifico com estrelinhas, indicados ao oscar/cannes, por assistir...); de emails para mandar; de sites/blogs; de frases ditas por amigos; de mercado (a pior de todas, porque ainda não enfrento bem a ideia de eu fazer mercado – não raras vezes delego a tarefa a um aposentado, né Pai?),  etc.
Fato: a gente pensa estar no controle da situação quando anota tudo – ótimo e paradoxal comentário ao tema proposto! Hehehehe  


Sigo. Acho que todo mundo arrepia com a aflição de ir passando os dias e as pendências gritando: organização de gavetas naftalínicas, fotos de viagens (inclusive aquelas em que há figuras que não mais fazem parte da sua vida), lista de enxoval, papéis do IRPF, etc.. (e aquela impressão de que quando  tiver filhos as listas irão aumentar significativamente). Coraaagem! (by Fernanda Marinela, aloka professora de Administrativo do LFG).

Até sei o quão importante é ter horários de ócio e vácuo mental, mas particularmente não consigo. Se o tempo é relativo, a utilização dele é absoluta. E até onde sei, não temos controle remoto com botão <<, como no filme Click.
Apesar disso, tento ter em mente Eclesiastes 3:1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Bom. Fiz toda essa ´sucinta introdução` para compartilhar uma lista assustadora que tenho num clipe na porta da geladeira e que serve de pressão motivação (para eu residir num sistema solar com 44 horas diárias) para eu seguir firme no blog!! :)

(muuuito interessante!)

Assustador pensar que num quarto de vida eu só risquei 4 deles. #dramática  heheheh 
Quem sabe lá no mundo da Lua o tempo anda mais devagar? Vamos ser lunáticos?

UPDATE em 27/06/2012: encontrei por acaso.. mais do mesmo sobre LISTAS literárias: Clica aqui. 

Um beijo bom,
Camilla Caetano.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

FLASH BACK: Janeiro/2011: MEU PÉ DE LARANJA LIMA, José Mauro de Vasconcelos

Li Meu pé de laranja lima, pela primeira vez, quando eu era mocinhaprovavelmente por indicação da Márcia Estivallet, professora de português da época. Recordo que fiz xérox do livro e com o passar dos anos essa minha cópia se perdeu. 
Assim, em janeiro de 2011 minha ex-colega Ana Paula Bordin (minha parceira de gabinete forever!) emprestou sua edição (aquela que vende na revistinha do Avon).


Tenho bem presente na memória que chorei bastante com a história, motivo pelo qual tive interesse em revisitá-la e ter novas impressões agora adulta.

José Mauro de Vasconcelos (1920-1984) publicou este título em 1968. Eu gostei muito de conhecer sua biografia, pois exalta detalhes que percebemos nas linhas e entrelinhas do texto, tal como sua infância no nordeste e seu gosto por Graciliano Ramos e José Lins do Rego! José Mauro é criador de mundos imaginários e histórias fantásticas, mas com os dois pés na realidade, neste livro, traz à tona a violência infantil. Com a narração de uma criança, expõe a debilidade social de uma família que (talvez) o trata como bode expiatório dos dilemas do álcool e desemprego.

O protagonista do livro é Zezé, menino de 5 anos de idade, de família pobre e muito numerosa. Seu pai era desempregado e a mãe trabalhava numa fábrica. Por conta dos muitos filhos e da ausência da genitora em tempo integral no lar, uns irmãos ajudavam na criação dos outros. A irmã que tinha cuidado mais direto com ele era Glória, a ´´Godóia``. Por sua vez, Zezé tomava conta de Luís. Impossível não se emocionar com a vidinha do Zezé. 
No quintal da casa, Zezé faz amizade com um pé de laranja lima que batiza de Minguinho ou Xururuca! Estabelece uma relação íntima com a pequena árvore e a eleva como refúgio para todos seus sonhos, anseios e sofrimentos infantis. (Aqui cabe linkar o meu post sobre O Diário de Anne Frank, porque também - no sofrimento - elege um ser inanimado (o diário) como seu confidente!)
Pela família, o garotinho carinhoso (sim!) é chamado de afilhado do Diabo, pois faz muita arte (tem cada descrição mirabolante, tipo: fazer cobras de meia para assustar as pessoas, ou pingar cera de vela na calçada para assistir a lindos tombos.. heheh). Em contrapartida, tem bom rendimento na escola – um bom leitureiro, conforme a profe –, é inteligente e perspicaz e aprende tudo rapidamente.

´´Consciente`` e melancólico, Zezé dizia:
Eu sou arteiro, sou levado, muito peralta por isto vivo apanhando da malvada Jandira, aquela solteirona. Lá em casa ninguém gosta de mim só a Godoia, o papai depois que perdeu seu emprego na fábrica vive bêbedo, a mamãe sai de madrugada para trabalhar, coitada, para sustentar a casa. Meu irmão acima de mim o Totó só quer saber de me chutar, tem o Luizinho muito pequeno este eu tenho de cuidar, os outros irmãos nem lembram que eu existo. 

Guri muito arteiro, sempre levava bronca por pegar carona na traseira do carro do Portuga – apelido do vizinho português Manoel Valadares – e, por isso, jurou que quando crescesse iria matá-lo. Porém, eles acabam virando amigos e Portuga supre sua carência de afeto familiar levando-o para passear no seu carrão, fazendo piquiniques e pescarias...
Tornam-se confidentes:

- Mas ele me bateu tanto, tanto, Portuga. Não faz mal...
Funguei compridamente.
– Não faz mal, eu vou matar ele.
- Que é isso menino, matares teu pai?
- Vou sim. Eu já até que comecei. Matar não quer dizer a gente pegar revolver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração.
Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.

É capaz de fazer a gente largar o livro para voltar depois, porque causa tristeza. Além das reações de raiva e indignação quando - sem sentido (porque canta uma música, v. g.) – o  Zezé é surrado freneticamente pelo pai ou irmã.
Um dos pontos marcantes é a iminência de cortarem sua árvore-amigo para fazerem uma construção... Ok, sem spoiler! Fico por aqui e não entrarei em mais detalhes do desfecho da história, até porque certamente terei amigos que, como eu, sentirão saudade do Zezé e irão  atrás do livrinho!! Reler um livro que se leu há quase vinte anos, cujo tema permanece atual, é muito gostoso, ainda que dê um aperto no peito. É como ver Super Xuxa contra o baixo astral ou Os Trapalhões ou ouvir Balão Mágico e sentir aquela cócega nostálgica de uma infância bem vivida. 

(...) Mas logo, logo a fada da inocência passou voando numa nuvem branca que agitou as folhas das árvores, os capinzais do valão e as folhas de Xururuca. 
Um sorriso iluminou meu rostinho maltratado.
-Foi você quem fez isso, Minguinho?-Eu não.-Ah que beleza, então é o tempo do vento que está chegando. (...)

Meu pé de laranja lima não deixa lição de moral senão um incômodo no nosso coração. 
No mais, observei que há críticas da triste história de Zezé, no sentido de que, por falar com uma árvore, retrataria uma esquizofrenia infantil. Ou que a amizade com Portuga seria uma pedofilia camuflada, etc etc. Prefiro não dar asa às problemáticas tãããão implícitas assim, e, sim, focar na mensagem de busca de conforto no sofrimento; no sentimento de culpa de uma criança que 'apanhando parece sentir-se merecedora' (!); e nas mágoas e cicatrizes que fazem morada nos nossos corações quando sofremos perdas – seja de uma planta ou uma pessoa.

Essa é uma leitura para a vida. Recomendo.

Um beijo bom,
Camilla.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Da emoção objetiva ou Como ser feliz sem fazer rodeios

Como facilita a vida ser sincero, principalmente e em primeiro lugar, consigo mesmo, né?
Tomei chá de cogumelo hoje cedo, então rola o mouse e AGUENTA minhas lucubrações... :)

A sociedade moralista-complicativa impõe step by step para quase tudo, daí corremos o risco de ficar condicionados a avançar sempre em etapas. Passo 1, passo 2, passo 3. Foi assim que aprendemos a ordem moral e social da vida. O comportamento socialmente aceito é o da maioria, mas quem disse que é na maioria que reside a razão?

Ir direto ao ponto e dar a cara à tapa está além da questão da timidez.
É de coragem que eu estou falando.

Seguir à risca códigos de conduta só é recomendável se um degrau é pré-requisito de outro ou elementar ao processo, como geralmente ocorre no mundo profissional e corporativo e nas Forças Armadas..

Fora esse âmbito, se acontece de o passo 1 poder perfeitamente voar para o passo 3 sem escalas, por que não?
A questão é que há padrões postos (e historicamente impostos) para o vivente evitar de ir pro quintal da zona de conforto e traçar um atalho.
Em outras palavras: quem ousa ser direto quando pode/quer ser? É dolo eventual, caros amigos! (Dolo eventual é o jeito bonitinho que nós, juristas, chamamos ´´assumir o risco``).

No mais das vezes, com repetidas ações – por receio do passo 3 não chegar ou chegar torto – o passo 1 anda va-ga-ro-sa-men-te até o passo 2, e assim sucessivamente. Cartilhas sociais são obedecidas sistematicamente porque ´´deus-o-livre o binômio ação-reação começar por mim, o que vão pensar?``. Aff.
Tão chato como gente lenta sedizente cautelosa!
(Eu não sei dizer, o que quer dizer, o que vou dizer.. só cola com o Zeca Baleiro e olha lá.)

Tem gente que esquece a ATITUDE naquela gaveta bagunçada que tem k-7 da banda Kaoma, panfleto das Diretas Já e rolha do vinho que tomou com a primeira namorada - aquela que o traiu com seu melhor amigo - e depois vem reclamar que não consegue conquistar coisas ou pessoas!!
É tipo brincar de Estátua: escolhe-se ficar parado, para quem sabe ser cutucado e, aí então, depois de muito tempo perdido, talvez agir. Zzzzz. No âmbito dos relacionamentos isso é bem comum. O problema é que nesse jogo tu poderá retroceder casas! Já senti na pele essa emoção (#hidratante Monange).

A um olhar atento não escapa a sutileza dos detalhes. Atitude é o resultado da sensibilidade!  :D

Não sei se estou me fazendo entender (também não sei se quero ser entendida hehe), mas brincar de Passa ou Repassa emocional é irritante quando remetente e destinatário já sabem consciente ou inconscientemente o conteúdo da mensagem, mas mesmo assim insistem em jogar porque adoram tabuleiros e pecinhas e negam o auto conhecimento como fonte de libertação!

Quem não arrisca, não petisca. E só arrisca quem se conhece bem a ponto de, ciente das 50% de chances de ganho ou perda, ocorrendo um ou outro, se adaptar ao resultado num sorriso.

Coisa linda é quem se conhece e expressa em bom português o que pensa, o que sente e o que quer.
Porque agindo firme e ousadamente (Pe. Kentenich) tu inspira confiança, triplica as possibilidades e sempre, sempre, tem um feed back proporcional!!

Voltando a primeira frase antes do chá de cogumelo (!), acho que ser sincero contigo mesmo é brindar antes do reveillon porque mesmo se chover e não estourarem os fogos ainda terá champagne e lentilha!

A vida não é um tabuleiro do Jogo da Vida.

Um beijo bom,
Camilla.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

FOMOS LONGE DEMAIS, Suzanne Brockmann.

Sempre que estou no Salão de beleza D'Castro Beauty (#jabá gratuito!) tenho um livro à tiracolo. #Tempo ocioso nunca! Por isso, uma das minhas manicures, a Cássia Rosa, quis me emprestar o Fomos longe demais ceeeeerta de que eu iria gostar!
É um livro com suspense, ação, paixões, investigação. Lembra o enredo de filme policial e se parece com Crash ou Babel, no sentido de aglutinar um monte de subtramas, inúmeros personagens, histórias partidas que vem, vão e voltam para ter (ou não) um final imprevisível!

Sente só: Sam Starrett, policial do grupo SEAL (unidade da marinha dos EUA) tem sua cunhada assassinada e sua ex-mulher e filha desaparecidas! A agente do FBI Alyssa Locke (com quem teve um affair quando ele ainda era solteiro) é designada para comandar a investigação e, tchan nan nan!, o Sam é um dos suspeitos.
Por outro lado (com narrativa que anda paralelamente), o capitão Tom Paoletti, chefe de Sam, é suspeito de ter auxiliado na liberação de armas para terroristas e conspirado para matar o Presidente dos EUA!
O íntegro chefão do FBI, Max, também tem um affair mal resolvido com a agente Alyssa (ui! também quero o mel!), mas depois faz par romântico com Gina – que num dos livros anteriores da série tinha sido estuprada por terroristas!! 
O enredo mais parece um roteiro de cinema, pois facilmente adaptável, e na minha cabeça  já imagino a atriz Paula Patton como a própria Alyssa (#Tom Cruise pira).
Fomos longe demais também poderia virar seriado e o espectador ficaria apostando qual coração a mulher negra com menos de trinta anos iria roubar na próxima temporada!
Do ponto de vista literário, não é nenhum OOOHHHH campeão de vendas, até porque as livrarias estão repletas de livros desse naipe: intrigas policiais e militares, tensão sexual, inocente virando suspeito e vice-versa, e muito mais... mas no geral é um bom livro.
Enquanto eu confundia tantos personagens acompanhava a leitura, tive vários insights da Coleção Vagalume que eu lia bastante quando tinha 10 anos de idade e cursava a sexta série na Escola Medianeira em vez de andar com a turma do fundão e arriscar treinar o primeiro beijo!  Diz aí, quem nunca leu Um cadáver ouve rádio?  e Um inimigo em cada esquina? Hehehe Me diverti aqui recordando!! CERTO que antes de Harry Potter meus filhos vão ler a coleção vagalume! :)
..
Eis que, estando quase na metade das 493 páginas, fiquei sabendo que Fomos longe demais é o sexto livro de uma série americana chamada Troubleshooters com mais de dez títulos – produção em atacado, hein?!! Todavia, apenas dois são traduzidos para o português! #bregada. A tal Suzanne Brockmann é famosinha porque inspirou J. R. Ward, por sua vez autora da ´´badalada`` saga americana A irmandade da adaga negra que é tipo o Crepúsculo para adultos! Alguém ficou muito interessado e vai conferir ??! #NOT.

Neurônios se puxaram e ´´constatei`` que o nome troubleshooters deriva do termo Troubleshooting: uma forma de resolver problemas, muitas vezes aplicada na reparação de produtos ou processos falhados. É uma busca sistemática e lógica pela raiz de um problema, de modo a que possa ser resolvido e o produto ou processo possa ficar novamente operacional. O troubleshooting é necessário para desenvolver e manter sistemas complexos onde os sintomas de um problema podem ter diversas causas. É usado em muitos campos, tais como a engenharia, a administração de sistemas, a eletrônica, a reparação de automóveis e o diagnóstico de doenças. Normalmente, um processo de eliminação é usado para isolar as possíveis causas dos problemas (via wikipedia).
Isso explica o estilo da autora Suzanne em que coadjuvante do terceiro tem biografia revelada no primeiro, é protagonista no sétimo, vilão no oitavo e suicida no décimo livro da série.. heheh, e por aí vai, costurando uma engendrada confusão para obrigar o leitor a comprar todos os livros da série, né?! :P

Como a Cássia previu, eu gostei do livro, mas não sei se eu indicaria...
Porque, fora as parcas noções de inteligência e contra inteligência, ele fica num puxa e afrouxa de casais e - ah! esqueci de dizer - o Sam fala palavrões o tempo todo hehehe

Não dá pra negar que é um texto que PRENDE a atenção e que não precisa daquelas que apelidei paradas de deglutição, porque flui que é uma beleza! 
Essa é a capa:


OBS: Além dos meus garantidos 3 leitores assíduos: pai, mãe e Mika. Ah! E também minha amiga Alícia que não é exatamente leitora porque é deficiente visual, mas ouvinte porque eu leio pra ela, tem mais alguém aí? Então fica à vontade e quem sabe deixa um coment aí embaixo? :D  :D   Ou é melhor eu achar que ´´quem cala consente`` ou que meus amigos são tímidos ou muito ocupados ou que só aqueles 4 realmente me acompanham e, por fazerem comentários ao vivo, acham desnecessário escrever ou eu sou mala mesmo.
Tá, deu, desculpa. É que hoje eu tô prolixa! ;)


Um beijo bom,
Camilla.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

FLASH BACK. Mês de fevereiro de 2011: O VELHO E O MAR, Ernest Hemingway


Play na música Chan Chan, do Buena Vista Social Club, e veeem comigo!!

Em fevereiro de 2011 fui passar uma semana em Maceió com as minhas amigonas Larissa, Aline e Natália e levei na mala O velho e o mar, do Ernest Hemingway. O tema tinha tudo a ver com praia, além do mais eu tinha uma viagem programada para Cuba e de antemão sabia que foi enquanto morou em Havana (ficou 22 anos no país) que Ernest escreveu esse livro (e bebia mojitos na La Bodeguita del medio)!!
Observação turística: Em Habana Vieja.. no apartamento do quinto andar do Hotel Ambos Mundos (´´foi um bom lugar para trabalhar``) é possível fazer visitação e encontrar tudo como ele deixou quando ali se hospedou. Já a casa-museu situada em San Francisco de Paula (arredores da capital) não vale a pena, porque só permitem visitação externa espiando pelas janelas! :/



Sou mega fã da vida e obra do americano Ernest Hemingway (nobel de literatura em 1954), escritor e jornalista que desde jovem permeou seu caminho nas guerras: na 1a GM foi motorista de ambulância da Cruz Vermelha na Itália, por exemplo, e em 37 cobriu a Guerra civil espanhola. Grandes escritores tiveram suas biografias relacionadas à guerra.

Como quase todo artista-poeta-escritor, Ernest teve vários amores, dentre eles 4 mulheres e muitos  lugares - morou na Espanha (Madrid), Canadá, EUA (Key West), em Cuba (Havana)...! Cada livro teve a influência da mulher atual e do ambiente onde estava, por isso lê-lo é como viajar bem acompanhada!!

Na qualidade de ex-correspondente de guerra seu texto é muuuuito realista e descritivo. Quase cansativo (tipo meus posts extensos)! Então, é bom ter paciência porque ele é capaz de ficar 10 páginas descrevendo um aceno! #exageradaPara ter uma ideia, o Por quem os sinos dobram (aka. leitura de outubro 2011) são 624 páginas para um relato de 4 dias na Guerra civil espanhola!).

O Mar é uma entidade para Hemingway, como a Cordilheira é para os chilenos! ;D 
Sua inesgotável fonte de prazer e inspiração ganha destaque nessa que é considerada sua obra-prima: O Velho e o Mar.  Foi publicado em 1952, com o qual ganhou o prêmio Pulitzer em 1953.
Pablo Neruda (nobel 1971) também tem toda essa vibe de homem do mar, tanto que suas casas retratam fielmente o interior de barcos!! Fora o romantismo do Neruda, acho os dois parecidos! Para constar, salvo engano, na biblioteca da La Chascona (sua casa em Santiago do Chile) tem uma fotinho de um encontro de Hemingway (amigão do Fidel) com Neruda (comunista).  :)

Bom, na sinopse do livro já percebemos sinais da confiança e persistência do velho Santiago: Esta é a história de um homem que convive com a solidão do alto-mar, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e sua inabalável confiança na vida. Há 84 dias que Santiago, um velho pescador, não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas Santiago possui têmpera de aço, acredita em si mesmo, e parte sozinho para o mar alto, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.

Esse seria o pescador em quem Ernest se inspirou para criar a personagem Santiago (hall do Hotel Ambos Mundos)..





Durante todo o processo da pesca, em meio a reflexões e devaneios, Santiago, com astúcia, enfrenta o mar, a força do peixe-espada que também luta pela sobrevivência, as feridas nas mãos por causa da corda e ainda os tubarões que ficam diminuindo a carne da sua caça (dá uma raiva dos tubarões!!). Se é que tem, a parte monótona fica por conta do peixe rebocando o barco durante vários dias e o velho refletindo loucamente sobre a dignidade humana e dos animais...

Hemingway tem um estilo próprio de jornalista, daí a sua prosa diretaça
Num discurso sem rodeios ele alcança uma objetividade envolvente e, como o peixe, nos fisga! Muito mais que uma singela história sobre a força da natureza contra o homem, O velho e o mar é uma mensagem de superação. De se agarrar aos sonhos sem pestanejar e nunca desistir. É um texto simples, mas contundente. Intenso do início ao fim. Em 128 páginas a gente imerge (perdoem o trocadilho, não resisti!) nos pensamentos do Santiago, revendo conceitos de tempo, meta e determinação, para depois emergir boquiabertos...
Será que o peixe é metáfora do próprio Tempo, senhor da razão, que com força nos leva e desafia? Sei lá, cada pessoa a depender do seu estado de vida e experiências perceberá uma lição diferente...

Marli Savelli de Campos fez uma análise interessante da obra:   
(...) O título “O velho e o Mar” remete-nos a idéia de que a vida está passando. O velho já atravessou por todas as fases da vida, e o mar representa essa travessia que proporcionou a ele grandes experiências vividas, às vezes o mar é bom, outras vezes é ruim, temos que aprender a conviver com o bem e com o mal (...).

O livro diz na sua cara que na vida é impossível sempre estar em uma posição de vantagem: ora se perde, ora se ganha; ora é peixe, ora é pescador!  
É isso! Tal como O Pequeno Príncipe, a cada década devemos reler O velho e o mar porque certamente teremos novas impressões!

(É um ótimo presente para aquele amigo(a) que adora pescar, né??)

Um bejio bom,
Camilla.
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