quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

BALANÇO LITERÁRIO 2012 & OLHANDO PRA FRENTE

Estimados seguidores do Companhia de Papel! 
Com um fiapo de 2012 nas mãos, livros pendentes de resenha, e outros 30 me aguardando na estante, vamos ao BALANÇO LITERÁRIO 2012!!

Tudo bem que eu atingi minha singela meta de no mínimo 1 livro por mês, mas sinto que poderia ter feito mais. Aliás, a gente sempre acha que poderia ter feito mais e melhor... mas ok, porque é baseado nisso que os pequenos se tornam grandes, e os melhores se tornam melhores ainda.
Tendo por parâmetro eu mesma, sinceramente, poderia, sim, ter encarado mais clássicos; conhecido aclamados lançamentos; ter sido mais agressiva quanto às trilogias e distopias que espreitam minha companhia (Crônicas de Gelo e Fogo; Millenium; As Crônicas de Nárnia; Divergente...), maaaaasss considerando que faço carga horária de 40 horas no trabalho, somado ao tempo despendido com transporte e mais umas duzentas atividades extra, digamos que o saldo é positivo!

Minhas leituras de 2012 foram:

Cinquenta tons de cinza, E. L. James; [Update! Não adianta clicar, pois me abstive de resenhar esse best-seller, nem tão ''the best'' assim (...) ]
Já lidos e pendentes de resenha (em seguida vou postar): O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde; e Coraline, Neil Gaiman.

18 livros num ano é considerado pouco na ´´Blogosfera literária`` em que, por diversos motivos - parcerias com editoras, vontade, tempo, organização –, a galera alcança marcas de 50 a 70 livros/ano! ((A saber, a Karol Albuquerque, o Luciano Santos, a Lu Tazinazzo e o pessoal do Mais1livro)). Morro de inveja (rosa) deles, mas considero forte estímulo!! 

Para nossa alegria (e tristeza de outras) segue uma lista não estanque dos meus ´´troféus`` 2012:

Troféu ''MELHOR do ano'':     DOM QUIXOTE

Troféu ''REVELAÇÃO do ano'':     FRANKENSTEIN

Troféu ''PERDI TEMPO do ano'':     FOMOS LONGE DEMAIS

Troféu ''PIOR do ano'':      CINQUENTA TONS DE CINZA (linkado o post da Lu, pois compartilho integralmente!)

OLHANDO PRA FRENTE

Amigos, o meu maior desejo para 2013 é ´´saúde em abundância``!
Tendo saúde, o velho ´´amar e ser amado`` acontece naturalmente e independente de querer, não é mesmo? ... E por falar em desejar, ´´conquistar metas`` é basicamente resultado de pequenas escolhas diárias, e, nesse ponto, destaco a ´´boa administração do tempo`` como outro voto para 2013!! :D
Que tenhamos a serenidade e sensatez para organizar a rotina da semana, na busca de saúde mental, física, emocional, e literária, sempre refazendo a pirâmide de prioridades. Eis a minha pirâmide: 


...
Por fim, quero dizer que a Companhia mais importante das nossas vidas é a que nos apresenta uma nova visão de mundo e, em consequência, nos faz crescer como pessoa..

Essa COMPANHIA pode ser um familiar, um amigo, ou um livro.
Ela nos abre os horizontes, possibilita escolhas diferentes, com resultados acertados ou não. 
O que importa é a mudança que sentimos e fazemos sentir, cujo reflexo é a pluralidade de opiniões.

Em 2013, abra sua vida para Companhia de papel.

Um beijo bom, 
Camilla.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

PELAS RUAS DA CIDADE, João Marcos Adede y Castro


O final do ano é um cometa louco para transformar-se no vindouro, mas isso não é desculpa para abandonar metas tampouco negligenciá-las.
Entre um amigo secreto e outro, uma das minhas leituras de dezembro foi o recém lançado PELAS RUAS DA CIDADE, de João Marcos Adede y Castro – escritor local, advogado, Promotor de Justiça aposentado, com outras 17 obras publicadas, membro da Academia Santamariense de Letras.
Ele mantém um blog que vale acompanhar, onde, além de postagens jurídicas e culturais, se pode ler na íntegra o capítulo 1 e o capítulo 17 deste livro, que tem trechos assim...

(...) Outro dia estava dormindo embaixo de uma árvore, no meio da avenida, bêbado, pois fico tonto fácil, bebo dois copos de cachaça e já estou pronto para fazer todas as bobagens que todo bêbado faz, deito na sarjeta, vomito nos pés das pessoas que passam, uma desgraça. Acordei sentindo frio no meio das pernas, tinha urinado nas calças, puta que pariu, estou cada vez mais sujo, fedorento mesmo, vou ter de providenciar um banho no corpo e nas roupas. Para conseguir alguma esmola tenho de me aproximar das pessoas, mas se nem eu mesmo suporto mais meu cheiro, imagine os outros, as pessoas fogem de mim, e elas tem razão. (...)

Considerei Pelas ruas da cidade uma série de contos (capítulos) explorando a vida de morador de rua, da ótica de um morador de rua, cuja narração detalhada é assustadoramente real. Parece que o próprio escritor fez espécie de ´oficina` para reunir tantas minúcias da rotina daqueles que estão à margem.
(Não cheguei a perguntar para o Adede qual fonte de inspiração e/ou pesquisa para ter escrito esse livro, mas ofereço o espaço dos comentários para tanto! )

A realidade escrachada, e chocante em alguns pontos, causa efeito inevitavelmente transformador no leitor. Por meio desse impactante conteúdo vesti novos óculos para observar com atenção moradores de rua ou guardadores de carro ou mendigos, despida de medo e preconceito comumente sentidos. #meaculpa.

Como meros figurantes nas calçadas e semáforos, essa parcela da sociedade é invisível para muitos, por isso junto as mãos em aplausos ao escritor que consegue romper essa cegueira! 

Na calçada em frente a um restaurante esperando restos de jantares, ou em frente a vitrines de boutique sonhando trajar fraque e gravata – todos são livres para sonhar, não? o narrador em primeira pessoa nutre suas maiores esperanças: conquistar o alimento para a(s) refeição(ões) do dia e salvaguardar seu papelão que faz as vezes de cama à noite... Além de, em casos extremos, livrar-se de agressões gratuitas de homens-bicho sem um pingo de amor no coração.

Aborda e desborda solidão, alcoolismo, drogadição, carência, sexualidade, medo, etc...
E ao final de cada capítulo há comentário de um ouvinte das histórias do morador de rua, com pontuações ora críticas, ora cruéis...

Sem querer querendo, essa leitura aconteceu no mês da suposta sensibilidade de que todos são tomados, mobilizados por campanhas sociais de Natal onde necessariamente enxergam os menos favorecidos (talvez na tentativa de expurgar uma parcela da culpa por cuidar só do seu umbigo). Todavia, o espírito cristão, ou o ´´Papai Noel``, deve agir durante o ano inteiro, porque fome, frio e medo não escolhem estação.

Estou bem contente em prestigiar essa obra do militante social no município de Santa Maria, Prof. Adede, que não poupou palavras para tentar extrair da gente essa péssima reação chamada indiferença.

Sinto que a perfeita trilha sonora de Pelas ruas da cidade é este poema recitado pela Ana Carolina, que a meu ver fala do semblante pedinte, profundo e carente do qual quase sempre desviamos o olhar.

Um beijo bom,
Camilla.

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