segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

BONSAI. Alejandro Zambra

Olá, amigos leitores! Estava há um tempinho sem postar – acho que foi o maior hiato desde o nascimento do companhia de papel –, mas não foi por desinteresse ou desídia, afinal as leituras seguem com o mesmo ímpeto!
Mas ´aconteceram uns acontecimentos` nesse feliz segundo semestre que se mostraram romanticamente mais prioritários, se é que vocês me entendem..., de modo que escrever resenhas foi tarefa para 'o próximo sábado', 'o próximo domingo', 'o próximo feriado', e assim o tempo voou!

Mas cá estou, com meus pitacos literários frescos e maduros pra compartilhar, e temos muita coisa boa pra conversar até a ceia de ano novo!
De imediato, apresento-vos Bonsai, do chileno Alejandro Zambra, que escreve de maneira natural, orgânica, sem esforço.

Ele tem o dom do texto limpo, fluido e convidativo. 
Sua narrativa é simples, mas com entrelinhas arrebatadoras. É daquele tipo de leitura que quando termina fica o lamento e a vontade de mais. 

Bonsai, publicado em 2006, nos apresenta o fim da história de um casal que se conhece estudando literatura e, por isso, tem seu breve romance permeado por livros, inclusive nos momentos íntimos. 

A primeira linha do livro já dá o tom:
 “No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos antes da morte dela, de Emilia."

Zambra desconstrói a linearidade e surpreende com um livro curto, mas denso. Começa pelo final, digamos. Tal como um Bonsai, cujo cultivo exige forma e poda especiais, assim o é a escrita de um romance, como quer transmitir o autor, que também se utiliza de metaliteratura e permeia o livro com referências literárias.

"A relação de Emilia e Julio foi infestada de verdades, de revelações íntimas que rapidamente estabeleceram uma cumplicidade que eles quiseram entender como definitiva. Esta é, então, uma história leve que se torna pesada. Esta é a história de dois estudantes devotados à verdade, a dispersar frases que parecem verdadeiras, a fumar cigarros eternos e a se fechar na violenta complacência dos que se creem melhores, mais puros do que o resto, do que esse imenso e desprezível grupo que se chama de o resto. (...)" _ página 23.

Alejandro Zambra nasceu em 1975 em Santiago do Chile, e em 2010 foi eleito pela revista Granta como um dos melhores escritores hispano-americanos com menos de 35 anos de idade. Começou sua carreira literária como poeta, e o primeiro romance que publicou foi Bonsai.. sucesso de crítica e de público.





Zambra, na FLIP 2012.
Numa entrevista para o jornal O GLOBO:
- Penso que a literatura está sempre lutando no interior de si mesma, que um livro não quer ser um livro: quer ser vida - diz o escritor, em entrevista por e-mail. - Meu romance é antiliterário, precisa ir contra sua natureza para existir, capturar o pulso dos fatos, concretizar sua imaginação.

Como eu digo.. livro fino não engana.
Bonsai é outro desses, cujo texto enxuto deixa marcas, provocações e saudades.
[Note que não contei nada do enredo, justamente pra provocar sua leitura!!]
;D

Super recomendo Bonsai e Formas de voltar para casa (logo farei a resenha também). 
E pretendo comprar A vida privada das árvores, para seguir confirmando o talento do chileno. 

Mais do Zambra na sua página: www.alejandrozambra.com

Um beijo bom,
Camilla.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Do tornar-se especial

O que torna uma pessoa única é o jeito como ela divide o pão.

Tem gente que corta com a faca, outros com as mãos; uns comem primeiro o miolo ou preferem descolar e ficar apenas com a casca. Podemos ser do time da camada fina ou da camada generosa de margarina ou geleia, ou um pouco de cada, sem falar no Mumu que desborda e lambuza. 

Já vi quem dobra as fatias inteiras de presunto e queijo, acomodando tudo embrulhado no meio do pão, com charmoso descaso. 
Já observei cuidadosa divisão mais ou menos do tamanho do sanduíche, pra em seguida comer as sobrinhas enquanto aguarda a torrada ficar pronta. 

Há quem molhe o dedo com saliva pra pescar os farelinhos no prato ou quem passe pano úmido pra jogar fora as migalhas. 
Há quem sequer ingere carboidrato ou glúten!

O que torna uma pessoa única é a ordem automática e muito bem aprendida de tomar um café com pão; ou chá com bolachas; ou o que quer que aqueça, alimente ou determine.
Detalhe é o nome do DNA estampado nas nossas ações mais corriqueiras, que no mais das vezes passa ao largo de uma padaria. 

O que torna uma pessoa única é o jeito que diz sem dizer, que nega quando concorda e que propõe quando desconversa. 

Únicos somos todos e cada um na procrastinada tarefa de arrumar gavetas de talheres, panos de prato, ou na contínua tentativa de por ordem naquela gaveta chamada coração.

O que torna uma pessoa única é o jeito como ela divide o pão; 
o que torna uma pessoa única é o jeito como ela divide o coração.

Um beijo bom, 
Camilla.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

NU, DE BOTAS. Antônio Prata

Pare o que está fazendo.

Nada é tão sério quanto às risadas/gargalhadas/gaitadas que você vai dar ao ler Nu, de botas, editado pela Companhia das Letras.


Comprei o Nu, de botas, porque queria ler alguma coisa do Antônio Prata antes de ir para a FLIP 2014, onde o jovem escritor e roteirista iria estar.. Sempre acompanhei a coluna dele no Folha de São Paulo, e tietá-lo foi uma consequência... hahaha (vide foto abaixo!)
*
Nu, de botas é uma leitura altamente recomendada para qualquer pessoa, especialmente as nostálgicas e bem-humoradas. 

Um livro que contempla memórias de infância poderia soar lugar-comum, mas não. A narrativa de Nu, de botas é do ponto de vista da CRIANÇA (um misto de realidade e ficção - mas é claro que parte das memórias são do Antônio Prata, como ele próprio confirma).

O mais legal é justamente isso: não é um adulto contando suas lembranças, e, sim, o próprio infante narrando episódios do seu agitado e descompromissado cotidiano! 

tietando Antônio Prata na FLIP2014, Paraty-RJ
Olhar de criança é puro, inocente e objetivo, por isso tão encantador... Coisas simples e hilárias da descoberta do mundinho da família, do bairro, da escola, são contadas de forma engraçada e despretensiosa, com o jeitinho prosaico das crônicas.

E nesses textos, com maestria e sensibilidade, Antônio Prata nos leva pela mão até nossa criança interior e consegue tocar o gigante baú de recordações que carregamos no peito, trazendo à tona risadas emocionadas ou lágrimas risonhas!

[Me peguei dando altas risadas - em público, nem tô! - a cada capítulo, que li com bastante avidez e curiosidade.]

"Ler o livro do Antonio Prata me fez rir e chorar e depois rir de novo do ridículo que foi chorar no aeroporto e chorar pelor ridículo que é ficar rindo e chorando no aeroporto e acabar perdendo o voo e pensar: que bom, vou poder rir e chorar mais um pouquinho", foi a opinião do Gregorio Duvivier. ;)

Inclua essa leitura JÁ na sua vida. É um túnel do tempo disfarçado de livro de crônicas!

Um beijo bom,
Camilla.

domingo, 14 de setembro de 2014

PSICOSE, Robert Bloch

Eis um livro absolutamente FANTÁSTICO e surpreendente que, poxa, eu não queria largar!! De antemão, é preciso despir-se de qualquer preconceito com o gênero, o título ou a capa. Falo por mim.

Apesar do nome, psicose não é um livro altamente assustador.
Apesar da capa, não é tão sangrento.
Aos que acham que é uma história de terror absoluto, ledo engano

Trata-se de um suspense psicológico (existe essa categoria??) muito envolvente e intrigante (e surpreendente, para o caso de você não saber nadica da história – era meu caso).

A narrativa primorosa faz com que entremos na mente do afetado Norman Bates, um homem de 40 anos, super controlado pela mãe, e que gerencia um hotel de beira de estrada.


*
Chovia torrencialmente na noite em que Mary Crane se hospeda no Bates Motel (motel é como se chama esses hotéis nos Eua), apenas para repousar durante a viagem que fazia.

Alertados por dias sem receberem notícias, a irmã e o namorado de Mary empreendem busca nas localidades e possíveis locais onde ela poderia ter ido. Ocorre que, ao mesmo tempo, constata-se que essa jovem teria furtado 40 mil dólares da empresa em que trabalhava...




Assim segue a trama em que um capítulo puxa o outro, alterna pontos de vista (narradores) e costura pistas, indícios, até “ir caindo a ficha” dos fatos. Ressalto que os capítulos são bem curtinhos e contêm desfechos arrebatadores, instigando e impulsionando a leitura.

Cabe mencionar que Robert Block foi pioneiro nesse estilo literário, de modo que foi inspiração para tantas outras histórias (de suspense e horror) que se seguiram. Por sua vez, Robert Block inspirou-se no Ed Gein, um macabro homicida americano da primeira metade do século XX.
*
Em parceria com a Darkside Books e o blog Vice Conversa, realizamos na Athena Livraria, em Santa Maria, um CineBookClube pra falar do livro e assistir ao filme do Hitchcock numa noite animadíssima!! Cerca de 50 pessoas lotaram o café da livraria para assistir ao filme e debater o livro! Contamos com a participação da psicóloga Natália Dalla Corte, que aquiesceu de pronto nosso convite mesmo sem nos conhecermos e fez uma análise pontual e técnica da obra sem perder o encantado olhar de cinéfila. Também tivemos a presença da Maíra Bianchini, atualmente cursando doutorado em Comunicação e Cultura contemporâneas na Universidade Federal da Bahia. Ela falou da série Bates Motel, inclusive com registro de cenas e observações de cor, cenário e fotografia, além do próprio enredo – que trata da juventude do antagonista da obra, Norman Bates. A Bruna fez um post sobre o evento aqui.


Para mim foi uma experiência incrível, porque assisti pela primeira vez Psicose, e com toda essa bagagem de informações que as gurias transmitiram. Alfred Hichtcock foi muito feliz nessa adaptação que lhe custou ousadia e muito investimento. Ninguém apostava na ideia dele.. e no entanto PSICOSE virou um clássico absoluto! ;)

SOBRE O LIVRO.. é evidente que recomendo com todas as forças!!! LEIA. Depois volte aqui pra comentar!!

Um beijo bom,
Camilla.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

TRAVESSIA DE VERÃO, Truman Capote


Lá vamos nós de novo com literatura estadunidense, e o escritor da vez é Truman Capote (1924-1984)!! Escritor, roteirista e dramaturgo, e especialmente reconhecido como o pioneiro do Jornalismo literário (alguém aí já leu A sangue frio??).

Pode ser que você ligue o nome à pessoa se eu te disser que foi ele quem escreveu Bonequinha de luxo, outro clássico mundial. Aquele que teve filme com a Audrey Hepburn.

Travessia de verão é um caso à parte... 
Foi o primeiro livro escrito pelo Capote e o último a ser publicado (post mortem). Na real, há rumores de que ele nem queria que fosse publicado!
(A primeira edição de Travessia de verão foi estabelecida a partir do original de Capote, escrito em quatro cadernos escolares e 62 anotações suplementares, arquivados na coleção Truman Capote da Biblioteca Pública de Nova York.)

Neste pequeno livro de 140 páginas (editora Alfaguara) conhecemos a história da Grady McNeil, de 17 anos, que tem um caso com um boy magia de origem judia, morador do Brooklyn, cujo emprego era de cuidador de carros num estacionamento. O cenário é a Nova Iorque após a Segunda Guerra Mundial
Os pais dela vão fazer um cruzeiro na Europa e a mocinha bate o pé pra ficar e aproveitar o verão no apartamento da família, localizado na Quinta Avenida. Vai rolar bundalelê!

A narrativa é em terceira pessoa e ficamos a par do que rolava nos EUA naquele período, porquanto a partir do amor de Grady e Clyde nos é dado conhecer os costumes da época, bem como a situação social e anseios da juventude.
Travessia de verão aborda, notadamente, a questão de diferença de classes, mas deixa pano para outras discussões. 
O livro não me comoveu taaaanto, mas é inegável que Capote era muito bom com descrições!! 
Esse foi o livro de maio no clube de leitura Companhia de papel que coordeno em Santa Maria. Rendeu debate, até porque o final é abrupto e aberto, mas não foi unanimidade no gosto do pessoal.

Deixo alguns trechinhos em destaque:

"Que quantidade infinita de energia desperdiçamos a nos proteger contra crises que raramente chegam: uma força capaz de mover montanhas; e no entanto talvez seja justamente esse desperdício, essa espera tortuosa por coisas que nunca acontecem, que prepara o caminho e nos permite aceitar com sinistra serenidade a besta que finalmente conseguimos ver: resignadamente Grady ouviu a campainha da porta tocar, um som que, quando chegou, atravessou a compostura de todos os outros (menos de Clyde, que estava no andar de cima lavando as mãos) como uma agulha hipodérmica. Embora nesse momento ela tivesse todos os motivos para se retirar, estava decidida a não passar por fraca, então quando Ida disse: "Ela chegou", Grady apenas olhou na direção do grupo de anjos palhaços, mostrando-lhes a língua dissimuladamente".
*
"Então terminou, não havia mais nada que ela quisesse dele, os desejos de verão haviam virado sementes de inverno: os ventos as sopravam para bem longe antes de que outro abril as fizesse florescer."


Fiquei com vontade de conferir A sangue frio e, porque não, o Bonequinha de luxo!!

Um beijo bom,
Camilla.

domingo, 27 de julho de 2014

BUDAPESTE, Chico Buarque de Hollanda

"O livro de Chico é uma vertigem. Você é sugado pela primeira linha e levado ao estilo falso-leve, a prosa depurada e a construção engenhosa até sair no fim lamentando que não haja mais, assombrado pelo sortilégio deste mestre de juntar palavras. Literalmente assombrado." — Luis Fernando Verissimo, O Globo
Chico Buarque é unanimidade, pelo menos na música. E na profundidade de suas composições é possível notar aquela inquietação de alma bem própria de escritor (cócega que começa na cabeça-coração e termina na estante da livraria).
Eis que me surpreendi ao ler Budapeste, meu primeiro contato com o Chico romancista! Ele ganhou  o Jabuti em 2004 com este que é seu quarto livro publicado. 

Liga aí uma musiquinha!  http://youtu.be/6MAzAIla1XY


O livro Budapeste tem uma premissa original e inteligente... uma proposta de espelhamento Rio de Janeiro-Budapeste, mulher-amante, português-húngaro, ... Sugerindo o paradoxo da própria cidade Budapeste, que leva tal nome porque formada por duas cidades: Buda, do lado esquerdo do Danúbio (que os húngaros chamam de Duna) e Peste, do lado direito. 
Duas realidades. Duas vidas.
José Costa é casado com Vanda, com residência no Rio de Janeiro, mas, quando retornava de um congresso em Istambul, por imprevisto acaba fazendo uma escala em Budapeste e conhece Kriska - que ensina a língua húngara pra ele. 
José Costa é um escritor fantasma (cara contratado pra escrever por outra pessoa, por encomenda, ficando no anonimato), e a história do livro Budapeste toca em questões sobre autenticidade, direito autoral, do ´´chamar o filho de seu``, dos brios e vaidade daquele que concebe uma história e a vende para outro ganhar o mérito.
A narrativa é veloz. Soa coloquial e sério ao mesmo tempo. Meio que confunde os olhos a fluidez com que as coisas vão sendo contadas, a ponto de eu parar e respirar... ou mesmo ficar angustiada e correr os olhos para buscar um pausa de parágrafo. 
Perder o fio da meada será algo recorrente, caso o pegue para ler apenas em intervalos de almoço, basicamente horário em que  eu o li!
Não saberia dizer algum outro autor cujo estilo se aproxime ao do Chico, e me arriscaria – sem soar pejorativo, veja bem – a dizer que não vi Brasil ou brasilidade na sua escrita, tampouco na sua forma de descrever as coisas. 
Pra mim foi um livro confuso, veloz, surpreendente, poético...

Não tive oportunidade de assistir ainda, mas Budapeste virou filme, com direção de Walter Carvalho. Se alguém já assistiu deixa seu comentário! 
Só pra deixar a provocação... ninguém menos que Saramago teceu o seguinte comentário, na Folha de S. Paulo:
"Chico Buarque ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame e chegou ao outro lado. Ao lado onde se encontram os trabalhos executados com mestria, a da linguagem, a da construção narrativa, a do simples fazer. Não creio enganar-me dizendo que algo novo aconteceu no Brasil com este livro." 
Me perguntei, de onde a inspiração na Hungria? 
Simples. O Chico fala húngaro.
Sim. Tem gente que nasce com todos os talentos. :P
Um beijo bom,
Camilla.
Obs: Shame on me. Minha caderneta piscando neon avisa que tenho 4 livros por resenhar e a ideia é colocar tudo em dia, por ocasião de minhas merecidas férias que aliás começam hoje. Quem for pra FLIP deixa email, vamos se achar por lá?! ;)

domingo, 20 de julho de 2014

HISTÓRIAS REAIS DE AMIGOS IMAGINÁRIOS (E VICE-VERSA), Diego Hahn

Eis um livro que me surpreendeu e, apenas para esclarecer, os comentários que tecerei são livres de publicidade, lobby ou royalt. heheh
O caríssimo autor dessa obra é nosso amigo Diego Hahn, um turismólogo que num belo dia de 2013 me mandou email questionando sobre o clube de leitura e talicoisa.. Depois disso, nasceu mais uma amizade pelos livros. \o/ 
 
Li Histórias reais de amigos imaginários (e vice-versa) em dois dias, ou melhor, dois turnos. 
A leitura foi rápida porque o texto é muito bom e rolou uma identificação com algumas histórias..
Assim que o terminei mandei mensagem para o Diego dizendo duas palavras. Para Béns!!

Sou uma leitora um pouco avessa a livros de contos (já devo ter mencionado aqui), mas confesso que me dobrei com esse livrinho cinza com desenhos divertidos na capa. E em tempos de tantos livros sendo lançados, é importante a gente dar crédito e apostar nos escritores locais. Acho digno que todos conheçam os livros do Diego, viu!!?? Por meio da sutileza da ironia é possível jogar umas verdades disfarçadas de ficção e botar uma pessoa na parede apenas em algumas linhas.. 
Dei risada lendo os contos Daniel não sabia contar piada e O artilheiro filósofo. Fiquei reflexiva com os contos Tempo louco: Senna, Inter e os políticos. E engoli a seco o conto Três (quatro, cinco...) homens em conflito (ou "A próxima parada"). E por aí vai, totalizando uns 31 contos, que apesar de curtos têm o impacto de uma bigorna caindo e espatifando num desenho animado. Ou seja, podem ser doloridos, engraçados, ou doloridos-engraçados.
alguns membros do clube de leitura, 
incluindo o camarada Diego Hahn (do boné)
Alguns ME TOCARAM.. e se tornaram inesquecíveis. 
Só posso recomendar e dizer que é muito legal (mesmo) ler um amigo e poder fazer essa análise sincera. 
Assim que tem que ser uma obra. Inesquecível a ponto de querermos tirá-la novamente da estante, seja para renovar a boa impressão, seja para indicá-la a outros amigos.

O Diego Hahn é esse carinha gente boa usando boné, na foto durante o lançamento do livro, na Feira do Livro de SM. Ele também escreve um blog, façam uma visita: deletradj.blogspot.com.br

Vida longa aos seus escritos, Diego! És um cara talentoso, simples e sagaz! Novamente: Para Béns. ;)

Um beijo bom,
Camilla.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O PRAZER DO TEXTO, Roland Barthes

Esse Roland Barthes é O CARA.

Nascido em 1915 em Paris, Roland Barthes teve uma vida dedicada à sopa de letrinhas. Imaginem vocês que ele foi escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês(e eu aqui tentando ser uma leitora qualificada, já que ainda não plantei a árvore e sem previsão de filho). 

A resenha que apresento hoje não é direcionada pra leitores comuns de literatura convencional. É mais para estudante de Letras do que para a galera que lê despretensiosamente pra curtir a vida e ser feliz.

Eu me incluo no último grupo, é claro, mas nem por isso deixo de dar meus pulos nos corredores mais técnicos do setor de Literatura na biblioteca. 

Nessa onda de escrever resenha, por vezes questiono a pura afetividade de que me valho para dizer ou desdizer um livro. Assim, tenho buscado leitura técnica (tipo Teoria Literária e coisas afins) para engrossar meu caldo. Daqui uns dias vou subir resenha do Como funciona a ficção, do James Wood (um primor de crítico literário!!). Aguarde.

Bueno. Como eu dizia, por conta da listinha de profissões em vida, o legado de Barthes está em desenvolver os conceitos de PRAZER/FRUIÇÃO, defendendo a possibilidade de uma dialética do desejo.. Que haja um jogo, no caso, entre quem escreveu e quem leu. 

Valendo-se de Sade, diz que O prazer do texto é semelhante a esse instante insustentável, impossível, puramente romanesco, que o libertino degusta ao termo de uma maquinação ousada, mandando cortar a corda que o suspende, no momento em que goza. _página 12

Fala que existem dois regimes de leitura: uma mais direta e rápida (o desfolhamento das verdades), e outra mais degustativa (o folheado da significância), e comenta ironicamente sobre aquela ansiedade que temos quando queremos que algo aconteça, e não ocorre nada (me identifiquei!). Pior que é assim mesmo... muitas histórias acontecem não acontecendo.

Se aceito julgar um texto segundo o prazer, não posso ser levado a dizer: este é bom, aquele é mau. Não há quadro de honra, não há crítica, pois esta implica sempre um objetivo tático, um uso social e muitas vezes uma cobertura imaginária. Não posso dosar, imaginar que o texto está perfectível, que está pronto a entrar num jogo de predicados normativos: é demasiado isto, não é bastante aquilo; o texto (o mesmo sucede com a voz que canta) só pode me arrancar este juízo, de modo algum adjetivo: é isso! E mais ainda: é isso para mim! Este "para mim" não é nem subjetivo, nem existencial, mas nietzschiano ("no fundo, é sempre a mesma questão: O que é que é para mim?...") _página 20

Eu poderia citar tantos outros trechos, porque é muito bom mesmo!
Mas para não me alongar, encerro com este:

"Quanto mais cultura houver, maior, mais diverso será o prazer". _página 61.

O livro O prazer do texto tem apenas 78 páginas. Experimente!

Um beijo bom,
Camilla. 

domingo, 22 de junho de 2014

A FERA NA SELVA, Henry James

The beast in the jungle (1903) é a história de John Marcher e May Bartram, dois amigos que compartilham um segredo que consiste na "espera por alguma coisa ou acontecimento raro". 
Ao longo do livro não fica explícito exatamente do que se trata, mas pelas circunstâncias vamos intuindo..

Para o bom entendedor: nada mais é que um relacionamento enrolado que não se desenrola. Um homem e uma mulher que (não declaradamente) se gostam mas não concretizam o sentimento. 
Metaforicamente seria uma fera na selva que atacaria a qualquer momento... A velha história de uma paixão/amor que, por cegueira deliberada ou corações covardes, fica latente por anos a fio.

Esse livro trata de temas como solidão, destino, amor e morte. Também é considerada como de difícil tradução, devido às sutilezas do texto original e da trama. A história tem paralelos com a biografia do próprio autor. O estilo da obra é realista e a história se passa na Inglaterra de então. (fonte: wikipedia)

A fera na selva foi a obra que lemos em abril no meu clube de leitura, escolhida dentro do tema romance psicológico. Esse clássico da literatura realista do século XIX nos permitiu conhecer a profundidade da narrativa de Henry James. A fera na selva faz parte da terceira fase da sua produção, quando o autor explora o complexo funcionamento da consciência humana. Sua prosa torna-se densa, com a sintaxe cada vez mais intrincada (fonte: Wikipedia).

O livro tem apenas 6 capítulos e, dependendo da edição, menos de 100 páginas. Isso não quer dizer que seja rápido ou fácil! A prosa complexa de Henry James pode irritar o leitor desavisado, mas tratando-se de fluxo de consciência é de se esperar algo mais demorado e que exija paciência interpretativa. =) 
*
Eu e meus amigos do Clube de leitura Companhia de papel nos reunimos (excepcionalmente num encontro aberto ao público) no palco principal da Feira do Livro de Santa Maria-RS! 
Aconteceu na noite de 28 de abril, no espaço chamado LIVRO LIVRE. Em pouco mais de uma hora, enfrentamos A fera na selva aos olhos de uma pequena plateia qualitativa que circulava pela Feira. E como de costume tínhamos petiscos e bom vinho! 
*
Falando pelo grupo... todos concordamos que foi uma leitura truncada e desafiadora, sem desdenhar da qualidade do escritor obviamente. Rendeu um debate produtivo e acalorado, direcionado pelas seguintes pontuações:

reparem na beleza dos meus companheiros de clube!
- A fera na selva tornou-se um clássico, uma preciosidade literária que permite uma adaptação para nossos dias, tempos repletos de expectativas, possibilidades e desencontros. Faça esse paralelo da história de John e May com nossa sociedade atual.
 
No final do capítulo 1, há um diálogo em que May pergunta para o John: 
"-Não seria talvez, o que você descreve, tão somente a expectativa - ou, pelo menos, a sensação de perigo, familiar a tanta gente - de se apaixonar?" 
Pergunto: Será que as pessoas tem medo de se apaixonar?
 
- Este livro permite várias interpretações. Você percebe que a questão da "espera por acontecer" também acontece na vida profissional?

- Quando John percebe o envelhecimento de May, não repara que se ela envelheceu.. ele também.
Fale sua percepção do egoísmo do protagonista.
 
- No capítulo 2, May diz a ele: "Ficar à espera é sempre uma ocupação que se basta." 
Você concorda? ou acha que May foi omissa/paciente demais?
 
- Leia e comente o texto: "(...) Não é uma questão sobre a qual eu tenha alguma escolha, sobre a qual eu possa decidir uma mudança. Não é uma questão que possa ser mudada. Está nas mãos dos deuses. Estamos à mercê da nossa própria lei. - É aí que estamos."
 
- Na história de John e May, o amor se concretizou?

Na minha opinião foi uma leitura válida para mergulhar no estilo ´fluxo de consciência`, e tentar compreender as intenções dos demais personagens que não têm voz no texto.
É um livro desafiador. Recomendo entrar na selva.

Um beijo bom,
Camilla.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

DIVERGENTE, Veronica Roth

Demorei um século pra sentar e escrever essa resenha, mas pra mim isso é perfeitamente desculpável já que quando o livro não causa na gente o melhor a fazer é deixar um tempo na incubação pra ver no que dá.

Veronica Roth é um fenômeno mundial e se você não ouviu falar dela foi por descuido mesmo. A trilogia DIVERGENTE é mais uma distopia infanto-juvenil (com o perdão da categorização literária que a praxe do comércio impõe) cuja história se passa num futuro pós-apocalíptico, especificamente em Chicago.

A sociedade está dividida em 5 facções, cada qual com característica/virtude predominante. 
As pessoas podem ser da Erudição, Abnegação, Amizade, Franqueza ou Audácia.
Ao completar 16 anos o jovem faz um teste de aptidão que orienta sobre que lugar ocupará na sociedade de acordo com suas inclinações, ressalte-se, nem sempre determinadas geneticamente.

Acontece que alguns raros casos podem apresentar aptidão para 2 ou mais facções, e estes são chamados DIVERGENTES. É uma informação confidencial e particular, e que apesar dela o jovem deverá fazer uma escolha.

A protagonista Beatrice (Tris) é identificada divergente e no dia da Cerimônia de escolha ela opta ir para a AUDÁCIA!! 
Uma vez dentro da facção, ela e outros jovens precisam passar por uma iniciação que, no caso da Audácia, constitui-se de uma série de provações psicológicas e físicas. Desde simulações para enfrentar seus maiores medos até provas físicas e lutas corporais pra provar que não é covarde. 
Tudo porque a CORAGEM deve prevalecer e determinar as atitudes, inclusive por isso é a facção que protege a sociedade fazendo as vezes de polícia.

O primeiro livro da trilogia mostra toda a fase de iniciação e mais alguns acontecimentos bombásticos que se eu contar aqui pode perder a graça do negócio.

Não costumo dar nota para minhas leituras.... mas a meu ver DIVERGENTE merecia um 6! Explico.
É um livro legal, causou expectativa, gerou apreensão por terminar o livro e ver o desfecho de algumas situações... MAS a narrativa com fluxos de consciência da protagonista Beatrice me deu sono. 
Achei um livro adolescente #prontofalei. E não é que seja RUIM, mas não me conectei com a escritora que subestima o leitor e fica dando mil explicações. #prontofalei de novo.

Foi um ´´gostei com reservas``, ok.
Não teria razão eu metralhar uma história que, no dia seguinte ao término, eu corri para conferir no cinema! Diga-se de passagem a adaptação me agradou bastante, sobretudo a trilha sonora e a fotografia!!.

Então é isso.. (que animação!)
TALVEZ... eu venha a ler os livros seguintes da trilogia (INSURGENTE e CONVERGENTE), porém não é minha prioridade.. 
Quem sabe? quando chegar perto da estreia do próximo filme... não tanto pela Tris, mas pelo Four!! <3

Um beijo bom,
Camilla.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

ANA TERRA, Érico Veríssimo

No dia 6 de abril, o clube de leitura companhia de papel conversou sobre o livro do mês: Ana Terra, de Érico Veríssimo.
Escolhemos essa obra dentro da temática ´histórias de superação` porque a protagonista representa bem a garra, obstinação e resistência da mulher brasileira, no caso, gaúcha, que suportou toda senda de adversidades dentro de uma sociedade patriarcal e machista.
Alguns membros do grupo ainda não tinham lido Érico Veríssimo, por isso consideramos uma ótima escolha!


Para quem não sabe, o livro Ana Terra é um capítulo que integra o primeiro volume da trilogia "O tempo e o vento". Ana Terra é o berço da saga e início das gerações de famílias retratadas nessa que é considerada a obra-prima de Veríssimo.

Nas terras do seu pai Maneco Terra, Ana encontra um índio ferido próximo de um riacho. O mestiço de índio e branco Pedro Missioneiro é acolhido pela família e passa a viver como um agregado. Aos poucos todos notam a formação que ele recebeu de um padre jesuíta, dado seu talento contando histórias e lendas, tocando flauta e demonstrando habilidades campeiras.

Pedro e Ana se apaixonam e ela engravida. Seus irmãos Horácio e Antônio, ao saberem da gravidez, assassinam Pedro em nome da honra. Ana Terra dá a luz a um menino que batiza Pedro Terra, e apenas na mãe, Dona Henriqueta, ela encontra apoio para criar o menino. Maneco Terra renega a filha e o neto, e Ana vive o silêncio da violência doméstica moral.
Quando Dona Henriqueta morre, Ana Terra não tem pena porque, assim, a mãe finalmente tinha deixado de ser escrava.

"Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando" 

A estância vem a ser atacada por castelhanos, que matam todos os homens, inclusive seu pai. Ana é violentada, mas sobrevive. E, juntamente com sua cunhada, seu filho e seu sobrinho – que tinha colocado a salvo –, deixam a estância e viajam de carreta com outra família em busca do lugarejo Santa Fé. Lá, Ana constrói seu rancho e se torna a parteira da comunidade. O restante do livro retrata a partida de Pedro Terra para as guerras, e a constante espera das mulheres...

Algumas pontuações foram objeto do nosso debate:
- O desejo de viver de Ana Terra tinha como único fator o próprio Pedrinho?
- Comente o trecho: "Ana Terra vivia com medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria... Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve".
- Ana Terra sai do mito de vida rotineira, cruel e guiada pelo destino da mulher frágil. Ela faz diferente e representa a figura da mulher forte e corajosa. Comente historicamente.

- Significado paradigmático de Ana Terra: postura firme, decidida a viver de birra, para contrariar o destino. Comente sobre essa personagem da obra como uma metáfora do povo gaúcho.
- Morte: evento de finitude e símbolo da temporalidade do homem. A morte não pede licença. Comente a obra nesse aspecto.
- Sobre a epígrafe de O tempo e o vento (Eclesiastes 1, 4-6): A sensação de eterno retorno/repetição das coisas (tal como as gerações da trilogia) pode diluir o entusiasmo com a vida e comprometer desejos de mudar o mundo? Fale do seu ponto de vista (vida pessoal).
- Dona Henriqueta não tem voz. Parece que ela é mais acomodada que Ana Terra. Será que em sua juventude Henriqueta teve ânsias de romper com a moral imposta?
- Um dos elementos fundamentais na obra de Veríssimo é a afirmação da experiência da liberdade do homem. Comente sobre a liberdade retratada em Ana Terra e a conexão com a busca de liberdade do homem universal.
É uma obra de linguagem simples e narrativa fluida, recomendado para leitores de qualquer idade! Não deixe de ler esse clássico brasileiro. E como eu, motive-se para terminar a trilogia!
Um beijo bom,
Camilla.




quinta-feira, 1 de maio de 2014

NO MUNDO DOS LIVROS, José Mindlin

97 páginas: um livro pequeno mas com a grandeza do ideal do escritor. A capa e título já antecipam um pouco o conteúdo.

"Em No mundo dos livros, enquanto expõe sua visão profunda sobre a importância da leitura e sua análise apaixonada de clássicos que lhe marcaram a vida, Mindlin ensina algo que não pode ser aprendido na escola. Aprendemos com ele que o amor pelos livros e pela literatura se constrói pelo exercício de escolher o que se lê e como se lê, criando uma outra biblioteca, que não é física, mas interior, construída pela relação afetiva com títulos, personagens, autores." (orelha do livro)

José Mindlin (1914-2010) foi o maior bibliófilo brasileiro, a julgar por sua imensa biblioteca pessoal de mais de 45 mil livros.
Colecionador inveterado desde a juventude, este simpático leitor fez de todas as histórias lidas a sua própria vida. Ele ganhou fama por ser um apaixonado por livros e grande incentivador da leitura. Era advogado e empresário, mas apenas em 2006 foi eleito pra Academia Brasileira de Letras. Após sua morte, o acervo foi doado integralmente para USP.



No mundo dos livros (2009) é um livrinho rápido de se ler porque é como uma conversa. Li ´numa sentada`, como dizem. Os capítulos são assim intitulados: A importância da leitura; Mundo da leitura; Algumas obras de não ficção; Começo da biblioteca; Garimpagem; Leituras variadas. Nessa pequenina obra ele ressalta um novo conceito de leitura, como sendo fonte de conhecimento e de prazer, além de tecer considerações sobre incentivo de crianças à literatura. Sugere poetas como Gonçalves Dias, Castro Alves, Olavo Bilac, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, entre outros. Dentre escritores prediletos, menciona Machado de Assis, Guimarães Rosa, Proust, BalzacTolstóiCervantesSterne e Virginia Woolf.
*
Tire 1h e 19min para assisti à entrevista no Roda Viva, em 1996. IMPERDÍVEL!! 

Mindlin diz que o manuseio de um livro convencional não só estabelece o ritmo de aquisição de conhecimentos pelo autor, como chega a constituir um prazer físico...
(...) Aí percebam todo o significado e simbologida de "companhia de papel". <3

Eu queria ter sido neta do José Mindlin, ou pelo menos poder ter dado um abraço. 

O maior legado é seu lema de vida, porque coaduna com meu próprio lema de vida: "NÃO FAÇO NADA SEM ALEGRIA."


Um beijo bom,
Camilla.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

ANIVERSÁRIO DO BLOG * 2 ANOS *



Hoje o companhia de papel faz 2 anos de aniversário!!


Esse projeto pessoal (um despretensioso diário de leituras) enriquece minha veia leitora e dá sentido para a biblioteca interior que construo a cada título lido. ;)


Tornar pública a impressão sobre alguma coisa abre caminhos em vários sentidos. Mas em tempos de facilidade de expressão e amplitude das redes sociais, expor a opinião é um ato que se não for conscientizado corre o risco de ser banalizado.


Dizer que gosta ou não gosta de um livro é íntimo porque diz muito sobre quem escreve, porém percebo que a missão dos ditos ´´blogueiros`` literários é bela e honesta, indo além de quaisquer exposição e promoção pessoal. No meu caso, minha formação jurídica limita análises técnicas aprofundadas, mas com certeza os posts são escritos com o coração, levando em conta minha condição de leitora afetiva. Aliás, são os afetos que nos movem. Pra tudo.


São 2 anos de dedicação, mas que trazem consigo 24 de vida de leitora (comecei com 5 anos)... Com esperança e otimismo, gosto de saber que por meio de um singelo espaço na internet eu ajudo a adubar e cultivar a semente do hábito da leitura em muitas pessoas!


É com confiança e alegria que nesses 2 anos de blog conto com mais de 46.000 visualizações! 

90 postagens com média de 3 mil acessos mensais.


Questionar-me-ia: são apenas números? Talvez.

Mas a cada livro resenhado espalho sementes. E sigo no cultivo porque a leitura é colheita certa!

Tanto quanto a chuva na hora certa favorece o soja; o fomento da boa literatura faz colher bons leitores.

Obrigada! 

Um beijo bom,
Camilla.
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