quarta-feira, 14 de maio de 2014

ANA TERRA, Érico Veríssimo

No dia 6 de abril, o clube de leitura companhia de papel conversou sobre o livro do mês: Ana Terra, de Érico Veríssimo.
Escolhemos essa obra dentro da temática ´histórias de superação` porque a protagonista representa bem a garra, obstinação e resistência da mulher brasileira, no caso, gaúcha, que suportou toda senda de adversidades dentro de uma sociedade patriarcal e machista.
Alguns membros do grupo ainda não tinham lido Érico Veríssimo, por isso consideramos uma ótima escolha!


Para quem não sabe, o livro Ana Terra é um capítulo que integra o primeiro volume da trilogia "O tempo e o vento". Ana Terra é o berço da saga e início das gerações de famílias retratadas nessa que é considerada a obra-prima de Veríssimo.

Nas terras do seu pai Maneco Terra, Ana encontra um índio ferido próximo de um riacho. O mestiço de índio e branco Pedro Missioneiro é acolhido pela família e passa a viver como um agregado. Aos poucos todos notam a formação que ele recebeu de um padre jesuíta, dado seu talento contando histórias e lendas, tocando flauta e demonstrando habilidades campeiras.

Pedro e Ana se apaixonam e ela engravida. Seus irmãos Horácio e Antônio, ao saberem da gravidez, assassinam Pedro em nome da honra. Ana Terra dá a luz a um menino que batiza Pedro Terra, e apenas na mãe, Dona Henriqueta, ela encontra apoio para criar o menino. Maneco Terra renega a filha e o neto, e Ana vive o silêncio da violência doméstica moral.
Quando Dona Henriqueta morre, Ana Terra não tem pena porque, assim, a mãe finalmente tinha deixado de ser escrava.

"Sempre que me acontece alguma coisa importante, está ventando" 

A estância vem a ser atacada por castelhanos, que matam todos os homens, inclusive seu pai. Ana é violentada, mas sobrevive. E, juntamente com sua cunhada, seu filho e seu sobrinho – que tinha colocado a salvo –, deixam a estância e viajam de carreta com outra família em busca do lugarejo Santa Fé. Lá, Ana constrói seu rancho e se torna a parteira da comunidade. O restante do livro retrata a partida de Pedro Terra para as guerras, e a constante espera das mulheres...

Algumas pontuações foram objeto do nosso debate:
- O desejo de viver de Ana Terra tinha como único fator o próprio Pedrinho?
- Comente o trecho: "Ana Terra vivia com medo no coração, sem nenhuma esperança de dias melhores, sem a menor alegria... Tudo isso por quê? Porque era a sua sina. Mas uma pessoa pode lutar contra a sorte que tem. Pode e deve".
- Ana Terra sai do mito de vida rotineira, cruel e guiada pelo destino da mulher frágil. Ela faz diferente e representa a figura da mulher forte e corajosa. Comente historicamente.

- Significado paradigmático de Ana Terra: postura firme, decidida a viver de birra, para contrariar o destino. Comente sobre essa personagem da obra como uma metáfora do povo gaúcho.
- Morte: evento de finitude e símbolo da temporalidade do homem. A morte não pede licença. Comente a obra nesse aspecto.
- Sobre a epígrafe de O tempo e o vento (Eclesiastes 1, 4-6): A sensação de eterno retorno/repetição das coisas (tal como as gerações da trilogia) pode diluir o entusiasmo com a vida e comprometer desejos de mudar o mundo? Fale do seu ponto de vista (vida pessoal).
- Dona Henriqueta não tem voz. Parece que ela é mais acomodada que Ana Terra. Será que em sua juventude Henriqueta teve ânsias de romper com a moral imposta?
- Um dos elementos fundamentais na obra de Veríssimo é a afirmação da experiência da liberdade do homem. Comente sobre a liberdade retratada em Ana Terra e a conexão com a busca de liberdade do homem universal.
É uma obra de linguagem simples e narrativa fluida, recomendado para leitores de qualquer idade! Não deixe de ler esse clássico brasileiro. E como eu, motive-se para terminar a trilogia!
Um beijo bom,
Camilla.




quinta-feira, 1 de maio de 2014

NO MUNDO DOS LIVROS, José Mindlin

97 páginas: um livro pequeno mas com a grandeza do ideal do escritor. A capa e título já antecipam um pouco o conteúdo.

"Em No mundo dos livros, enquanto expõe sua visão profunda sobre a importância da leitura e sua análise apaixonada de clássicos que lhe marcaram a vida, Mindlin ensina algo que não pode ser aprendido na escola. Aprendemos com ele que o amor pelos livros e pela literatura se constrói pelo exercício de escolher o que se lê e como se lê, criando uma outra biblioteca, que não é física, mas interior, construída pela relação afetiva com títulos, personagens, autores." (orelha do livro)

José Mindlin (1914-2010) foi o maior bibliófilo brasileiro, a julgar por sua imensa biblioteca pessoal de mais de 45 mil livros.
Colecionador inveterado desde a juventude, este simpático leitor fez de todas as histórias lidas a sua própria vida. Ele ganhou fama por ser um apaixonado por livros e grande incentivador da leitura. Era advogado e empresário, mas apenas em 2006 foi eleito pra Academia Brasileira de Letras. Após sua morte, o acervo foi doado integralmente para USP.



No mundo dos livros (2009) é um livrinho rápido de se ler porque é como uma conversa. Li ´numa sentada`, como dizem. Os capítulos são assim intitulados: A importância da leitura; Mundo da leitura; Algumas obras de não ficção; Começo da biblioteca; Garimpagem; Leituras variadas. Nessa pequenina obra ele ressalta um novo conceito de leitura, como sendo fonte de conhecimento e de prazer, além de tecer considerações sobre incentivo de crianças à literatura. Sugere poetas como Gonçalves Dias, Castro Alves, Olavo Bilac, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, entre outros. Dentre escritores prediletos, menciona Machado de Assis, Guimarães Rosa, Proust, BalzacTolstóiCervantesSterne e Virginia Woolf.
*
Tire 1h e 19min para assisti à entrevista no Roda Viva, em 1996. IMPERDÍVEL!! 

Mindlin diz que o manuseio de um livro convencional não só estabelece o ritmo de aquisição de conhecimentos pelo autor, como chega a constituir um prazer físico...
(...) Aí percebam todo o significado e simbologida de "companhia de papel". <3

Eu queria ter sido neta do José Mindlin, ou pelo menos poder ter dado um abraço. 

O maior legado é seu lema de vida, porque coaduna com meu próprio lema de vida: "NÃO FAÇO NADA SEM ALEGRIA."


Um beijo bom,
Camilla.
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