domingo, 22 de junho de 2014

A FERA NA SELVA, Henry James

The beast in the jungle (1903) é a história de John Marcher e May Bartram, dois amigos que compartilham um segredo que consiste na "espera por alguma coisa ou acontecimento raro". 
Ao longo do livro não fica explícito exatamente do que se trata, mas pelas circunstâncias vamos intuindo..

Para o bom entendedor: nada mais é que um relacionamento enrolado que não se desenrola. Um homem e uma mulher que (não declaradamente) se gostam mas não concretizam o sentimento. 
Metaforicamente seria uma fera na selva que atacaria a qualquer momento... A velha história de uma paixão/amor que, por cegueira deliberada ou corações covardes, fica latente por anos a fio.

Esse livro trata de temas como solidão, destino, amor e morte. Também é considerada como de difícil tradução, devido às sutilezas do texto original e da trama. A história tem paralelos com a biografia do próprio autor. O estilo da obra é realista e a história se passa na Inglaterra de então. (fonte: wikipedia)

A fera na selva foi a obra que lemos em abril no meu clube de leitura, escolhida dentro do tema romance psicológico. Esse clássico da literatura realista do século XIX nos permitiu conhecer a profundidade da narrativa de Henry James. A fera na selva faz parte da terceira fase da sua produção, quando o autor explora o complexo funcionamento da consciência humana. Sua prosa torna-se densa, com a sintaxe cada vez mais intrincada (fonte: Wikipedia).

O livro tem apenas 6 capítulos e, dependendo da edição, menos de 100 páginas. Isso não quer dizer que seja rápido ou fácil! A prosa complexa de Henry James pode irritar o leitor desavisado, mas tratando-se de fluxo de consciência é de se esperar algo mais demorado e que exija paciência interpretativa. =) 
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Eu e meus amigos do Clube de leitura Companhia de papel nos reunimos (excepcionalmente num encontro aberto ao público) no palco principal da Feira do Livro de Santa Maria-RS! 
Aconteceu na noite de 28 de abril, no espaço chamado LIVRO LIVRE. Em pouco mais de uma hora, enfrentamos A fera na selva aos olhos de uma pequena plateia qualitativa que circulava pela Feira. E como de costume tínhamos petiscos e bom vinho! 
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Falando pelo grupo... todos concordamos que foi uma leitura truncada e desafiadora, sem desdenhar da qualidade do escritor obviamente. Rendeu um debate produtivo e acalorado, direcionado pelas seguintes pontuações:

reparem na beleza dos meus companheiros de clube!
- A fera na selva tornou-se um clássico, uma preciosidade literária que permite uma adaptação para nossos dias, tempos repletos de expectativas, possibilidades e desencontros. Faça esse paralelo da história de John e May com nossa sociedade atual.
 
No final do capítulo 1, há um diálogo em que May pergunta para o John: 
"-Não seria talvez, o que você descreve, tão somente a expectativa - ou, pelo menos, a sensação de perigo, familiar a tanta gente - de se apaixonar?" 
Pergunto: Será que as pessoas tem medo de se apaixonar?
 
- Este livro permite várias interpretações. Você percebe que a questão da "espera por acontecer" também acontece na vida profissional?

- Quando John percebe o envelhecimento de May, não repara que se ela envelheceu.. ele também.
Fale sua percepção do egoísmo do protagonista.
 
- No capítulo 2, May diz a ele: "Ficar à espera é sempre uma ocupação que se basta." 
Você concorda? ou acha que May foi omissa/paciente demais?
 
- Leia e comente o texto: "(...) Não é uma questão sobre a qual eu tenha alguma escolha, sobre a qual eu possa decidir uma mudança. Não é uma questão que possa ser mudada. Está nas mãos dos deuses. Estamos à mercê da nossa própria lei. - É aí que estamos."
 
- Na história de John e May, o amor se concretizou?

Na minha opinião foi uma leitura válida para mergulhar no estilo ´fluxo de consciência`, e tentar compreender as intenções dos demais personagens que não têm voz no texto.
É um livro desafiador. Recomendo entrar na selva.

Um beijo bom,
Camilla.

Um comentário:

Bruna Cipriani Luzzi disse...

Eu não recomendo! :P eheheh Ok,ok, vale pela experiência.
Resumiu bem a obra com PARA O BOM ENTENDEDOR! :p

Gostei.

Beijãoo

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