segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Do tornar-se especial

O que torna uma pessoa única é o jeito como ela divide o pão.

Tem gente que corta com a faca, outros com as mãos; uns comem primeiro o miolo ou preferem descolar e ficar apenas com a casca. Podemos ser do time da camada fina ou da camada generosa de margarina ou geleia, ou um pouco de cada, sem falar no Mumu que desborda e lambuza. 

Já vi quem dobra as fatias inteiras de presunto e queijo, acomodando tudo embrulhado no meio do pão, com charmoso descaso. 
Já observei cuidadosa divisão mais ou menos do tamanho do sanduíche, pra em seguida comer as sobrinhas enquanto aguarda a torrada ficar pronta. 

Há quem molhe o dedo com saliva pra pescar os farelinhos no prato ou quem passe pano úmido pra jogar fora as migalhas. 
Há quem sequer ingere carboidrato ou glúten!

O que torna uma pessoa única é a ordem automática e muito bem aprendida de tomar um café com pão; ou chá com bolachas; ou o que quer que aqueça, alimente ou determine.
Detalhe é o nome do DNA estampado nas nossas ações mais corriqueiras, que no mais das vezes passa ao largo de uma padaria. 

O que torna uma pessoa única é o jeito que diz sem dizer, que nega quando concorda e que propõe quando desconversa. 

Únicos somos todos e cada um na procrastinada tarefa de arrumar gavetas de talheres, panos de prato, ou na contínua tentativa de por ordem naquela gaveta chamada coração.

O que torna uma pessoa única é o jeito como ela divide o pão; 
o que torna uma pessoa única é o jeito como ela divide o coração.

Um beijo bom, 
Camilla.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

NU, DE BOTAS. Antônio Prata

Pare o que está fazendo.

Nada é tão sério quanto às risadas/gargalhadas/gaitadas que você vai dar ao ler Nu, de botas, editado pela Companhia das Letras.


Comprei o Nu, de botas, porque queria ler alguma coisa do Antônio Prata antes de ir para a FLIP 2014, onde o jovem escritor e roteirista iria estar.. Sempre acompanhei a coluna dele no Folha de São Paulo, e tietá-lo foi uma consequência... hahaha (vide foto abaixo!)
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Nu, de botas é uma leitura altamente recomendada para qualquer pessoa, especialmente as nostálgicas e bem-humoradas. 

Um livro que contempla memórias de infância poderia soar lugar-comum, mas não. A narrativa de Nu, de botas é do ponto de vista da CRIANÇA (um misto de realidade e ficção - mas é claro que parte das memórias são do Antônio Prata, como ele próprio confirma).

O mais legal é justamente isso: não é um adulto contando suas lembranças, e, sim, o próprio infante narrando episódios do seu agitado e descompromissado cotidiano! 

tietando Antônio Prata na FLIP2014, Paraty-RJ
Olhar de criança é puro, inocente e objetivo, por isso tão encantador... Coisas simples e hilárias da descoberta do mundinho da família, do bairro, da escola, são contadas de forma engraçada e despretensiosa, com o jeitinho prosaico das crônicas.

E nesses textos, com maestria e sensibilidade, Antônio Prata nos leva pela mão até nossa criança interior e consegue tocar o gigante baú de recordações que carregamos no peito, trazendo à tona risadas emocionadas ou lágrimas risonhas!

[Me peguei dando altas risadas - em público, nem tô! - a cada capítulo, que li com bastante avidez e curiosidade.]

"Ler o livro do Antonio Prata me fez rir e chorar e depois rir de novo do ridículo que foi chorar no aeroporto e chorar pelor ridículo que é ficar rindo e chorando no aeroporto e acabar perdendo o voo e pensar: que bom, vou poder rir e chorar mais um pouquinho", foi a opinião do Gregorio Duvivier. ;)

Inclua essa leitura JÁ na sua vida. É um túnel do tempo disfarçado de livro de crônicas!

Um beijo bom,
Camilla.

domingo, 14 de setembro de 2014

PSICOSE, Robert Bloch

Eis um livro absolutamente FANTÁSTICO e surpreendente que, poxa, eu não queria largar!! De antemão, é preciso despir-se de qualquer preconceito com o gênero, o título ou a capa. Falo por mim.

Apesar do nome, psicose não é um livro altamente assustador.
Apesar da capa, não é tão sangrento.
Aos que acham que é uma história de terror absoluto, ledo engano

Trata-se de um suspense psicológico (existe essa categoria??) muito envolvente e intrigante (e surpreendente, para o caso de você não saber nadica da história – era meu caso).

A narrativa primorosa faz com que entremos na mente do afetado Norman Bates, um homem de 40 anos, super controlado pela mãe, e que gerencia um hotel de beira de estrada.


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Chovia torrencialmente na noite em que Mary Crane se hospeda no Bates Motel (motel é como se chama esses hotéis nos Eua), apenas para repousar durante a viagem que fazia.

Alertados por dias sem receberem notícias, a irmã e o namorado de Mary empreendem busca nas localidades e possíveis locais onde ela poderia ter ido. Ocorre que, ao mesmo tempo, constata-se que essa jovem teria furtado 40 mil dólares da empresa em que trabalhava...




Assim segue a trama em que um capítulo puxa o outro, alterna pontos de vista (narradores) e costura pistas, indícios, até “ir caindo a ficha” dos fatos. Ressalto que os capítulos são bem curtinhos e contêm desfechos arrebatadores, instigando e impulsionando a leitura.

Cabe mencionar que Robert Block foi pioneiro nesse estilo literário, de modo que foi inspiração para tantas outras histórias (de suspense e horror) que se seguiram. Por sua vez, Robert Block inspirou-se no Ed Gein, um macabro homicida americano da primeira metade do século XX.
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Em parceria com a Darkside Books e o blog Vice Conversa, realizamos na Athena Livraria, em Santa Maria, um CineBookClube pra falar do livro e assistir ao filme do Hitchcock numa noite animadíssima!! Cerca de 50 pessoas lotaram o café da livraria para assistir ao filme e debater o livro! Contamos com a participação da psicóloga Natália Dalla Corte, que aquiesceu de pronto nosso convite mesmo sem nos conhecermos e fez uma análise pontual e técnica da obra sem perder o encantado olhar de cinéfila. Também tivemos a presença da Maíra Bianchini, atualmente cursando doutorado em Comunicação e Cultura contemporâneas na Universidade Federal da Bahia. Ela falou da série Bates Motel, inclusive com registro de cenas e observações de cor, cenário e fotografia, além do próprio enredo – que trata da juventude do antagonista da obra, Norman Bates. A Bruna fez um post sobre o evento aqui.


Para mim foi uma experiência incrível, porque assisti pela primeira vez Psicose, e com toda essa bagagem de informações que as gurias transmitiram. Alfred Hichtcock foi muito feliz nessa adaptação que lhe custou ousadia e muito investimento. Ninguém apostava na ideia dele.. e no entanto PSICOSE virou um clássico absoluto! ;)

SOBRE O LIVRO.. é evidente que recomendo com todas as forças!!! LEIA. Depois volte aqui pra comentar!!

Um beijo bom,
Camilla.
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