terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Dos presentes e dos ausentes

Estamos naquele período infame em que muitos correm ao comércio para expressar por meio de presentes os sentimentos que não conseguem expressar por meio de palavras e gestos durante todos os outros meses do ano.


É como se um sapato novo fosse capaz de suprir os muitos passos que o pai deu até a sacada esperando a visitinha do filho muito ocupado, que sempre deixava para depois.


É como se um tablet fosse o simulacro do esconde-esconde que a mamãe deixou de brincar porque preferia estar no seu tablet, tomando banho de sol, enquanto o filho pulava nos braços da babá.


É como se o panetone cacau show fosse um agrado para aquela mãe cozinheira que faz bolos muito melhores, mas que filhos e netos não tinham tempo de degustar num sábado à tardinha.


Na intenção, talvez inconsciente, de se desincumbir das visitas prometidas e não realizadas, dos mates cevados, mas não compartilhados, muitos de nós invadem lojas de perfumaria, roupas e sapatos com a listinha de familiares.


Onde está o sentido da correria dessa época? Para que correr se no mais das vezes as famílias e amigos estão o ano inteiro disponíveis pra gente amar e se fazer presente, mas que o 'tempo corrido' não deixa?


Tudo bem, cada um expressa afeto como e quando puder. Mas me parece que o capitalismo suga a criatividade das pessoas, entregando embalagens prontas de 'sentimentos', numa tentativa de concretizá-los...
Fica a reflexão...


Esse ano não quero presentes, quero presenças.
Esse ano não vou presentear, serei mais presente.


Um beijo,
Camilla Brites Caetano.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

OUTRA VOLTA DO PARAFUSO, Henry James


Já tive uma experiência com Henry James quando li A Fera na Selva (tem resenha aqui) e recordo que tinha ficado ressabiada com sua linguagem TRUNCADA e complexa,.... mas cá estou novamente me desafiando. 

Em Outra volta do parafuso ou A outra volta do parafuso, publicado em 1898 por Henry James, somos apresentados a um grupo de amigos que, reunido numa véspera de Natal, conta histórias e contos de terror. Um deles diz ter a mais terrível história de fantasmas, e passa a contar propriamente a Outra volta do parafuso.

"Ninguém, além de mim, até agora, a ouviu. É, de fato, horrível demais". (...) "Em matéria de horror?", lembro-me de haver perguntado. (...) Ele parecia dizer que a coisa não era assim tão simples; que na verdade, lhe faltavam palavras para qualificá-la. Passou a mão pelos olhos, fez um pequeno esgar de repulsa. "De monstruosidade - monstruosidade!"


Uma jovem professora de 20 anos é contratada para ser governanta numa propriedade em Bly (na inglaterra) e cuidar de duas crianças órfãs, Flora e Miles. Supostamente a mansão é assombrada pelos fantasmas de Peter Quint e da senhorita Jessel (ex-preceptora). O enredo fantasmagórico conduz para essa percepção, já que a preceptora passa a ter visões dos fantasmas e acredita piamente que as crianças se comunicam com eles...


O livro tem uma boa construção de personagem e diálogos interessantes, e tudo gira nas atitudes e decisões tomadas pela preceptora para ´proteger` e ´salvar` as crianças dos fantasmas.
Na minha opinião, Outra volta do parafuso permite uma leitura ABERTA, em que situações misteriosas e ambíguas levam o leitor a questionar se realmente há fantasmas ou uma possível loucura dessa jovem professora.


Se você se interessou pela história, sugiro ler a edição da Penguin Companhia, com tradução de Paulo Henriques Britto.

Um beijo bom,
Camilla.

domingo, 22 de novembro de 2015

Somewhere over the rainbow

A estrada de tijolos amarelos é obra da nossa mente!

A estrada de tijolos amarelos talvez seja ansiedade de futuro, planejamentos, metas, anseios, e está pintada com a cor da expectativa, essa palavra que significa tanto mas não diz nada.

(Já pararam para pensar que existe o verbo ESPERAR, mas não existe o verbo EXPECTAR? Só por isso já deveríamos saber que a expectativa não gera verbo, não gera ação.)

Tudo o que a Dorothy, o leão, o espantalho e o homem de lata pretendiam pedir ao Mágico de Oz foi construído durante o percurso, por eles mesmos. 
Não foi Oz que concedeu seus desejos!

E digo mais.
Dorothy e seus amigos tiveram as maiores lições de vida do caminho justamente quando estavam pisando fora da estrada de tijolos amarelos. 

O maior aprendizado é obtido por causa de um imprevisto ou obstáculo, naquilo que não sai como foi idealizado, naquilo que sai da rota, mas que acontece da melhor maneira possível!

É só ficar tranquilo e perceber que muitas vezes o acaso é tão interessante quanto a agenda. Que se pode ouvir Somewhere over the rainbow em qualquer lugar.

Um beijo bom,
Camilla.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O SOL É PARA TODOS, Harper Lee

O Sol é para todos (To kill a mockinbird, título em inglês) é um livro publicado em 1960 pela escritora americana Harper Lee.

A história se passa no condado de Maycomb, no estado do Alabama, sul dos EUA, nos anos 30, onde um homem negro é acusado de estuprar uma mulher branca. 

O advogado responsável pela sua defesa no tribunal é Atticus Finch, pai de Scout e Jem. 

Scout é a menina perspicaz que descreve a nem tão pacata vida no interior do Alabama, desde suas brincadeiras com o irmão Jem e o amigo Dill, até acontecimentos da vizinhança racista! 

O livro tem uma linguagem simples, talvez porque é contado pela ótica de uma criança.. Mas apesar da "inocente" visão das coisas, é apresentado um subtexto com injustiça social, preconceito racial, paternidade, amadurecimento, tolerância, noções de justiça e direitos humanos.

"- (...)Scout, por causa da natureza que exerce, todo advogado assume pelo menos um caso que o afeta pessoalmente. Tenho a impressão de que esse é o meu. Você provavelmente vai ouvir coisas horríveis sobre isso na escola, então me faça um favor: levante a cabeça e abaixe os punhos. Não importa o que digam, não deixe que eles a façam perder o controle. Tente lutar com as ideias, para variar... mesmo que seja difícil".

Scout é uma personagem muito carismática, esperta e questionadora, e justamente essa inocência ao observar os fatos é que dá um tom quase leve para assuntos tão pesados quanto um estupro. 
adaptação para o cinema, em 1963

Não pretendo dar spoiler.. apenas mencionar que muitas coisas são "costuradas" a cada capítulo, até mesmo durante o julgamento do negro Tom Robinson, fazendo transparecer facetas ora boas, ora más de certos personagens.
Gente, a história surpreende até o final!! Eu recomendo de olhos fechados essa leitura.. que será apreciada por jovens a partir de uns 15 anos de idade, mais ou menos. :D

"- Essas pessoas certamente têm o direito de pensar assim, e têm todo o direito de ter sua opinião respeitada - considerou Atticus. - Mas antes de ser obrigado a viver com os outros, tenho de conviver comigo mesmo. A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa".

O sol é para todos é um livro com fôlego, constância e ritmo, o que torna a leitura muito prazerosa e, por tudo isso, inesquecível!!

Um beijo bom,
Camilla. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA, Gabriel Garcia Márquez

Crônica de uma morte anunciada foi o primeiro livro do Gabriel García Márquez que eu li (seguido do - absoluto - Cem anos de solidão, que a qualquer momento vou me encorajar pra escrever uma resenha). 
Gabo é incrível, e para quem conhece sua obra é dispensável qualquer comentário... 
*
176 páginas de boa literatura! (Editora Record)
 “No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5 e 30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.”

A primeira frase do livro Crônica de uma morte anunciada dá o tom da narrativa: pode até ser uma história sobre homicídio, porém contada de maneira única e incomum!
Como viram, há aparente spoiler, mas é justamente nessa brincadeira de inverter a costumeira ordem com que as histórias são contadas que Gabo nos fisga!

E o que segue depois disso é uma série de pequenos acontecimentos que antecedem o assassinato de Santiago Nasar numa pequena aldeia no litoral da Colômbia. 
*
outra capa editora Record
Logo depois do pomposo casamento, Bayardo San Román foi ´desposar` Ângela Vicário e percebe que ela não é mais virgem. Devolvida à família, a moça "confessa" que o "responsável" foi Santiago. 

"Ela demorou apenas o tempo necessário para dizer o nome. Buscou-o nas trevas, encontrou-o à primeira vista entre tantos e tantos nomes confundíveis deste mundo e do outro, e o deixou cravado na parede com o seu dardo certeiro,como a uma borboleta indefesa cuja sentença estava escrita desde sempre."

Através de um narrador-testemunha, amigo de Santiago, ficaremos sabendo dos motivos e conhecendo os autores do crime. 
Percorreremos ruelas do litoral colombiano enquanto vizinhos dão suas versões sobre o fato, caprichando em detalhes sórdidos - a nível de fofoca - a respeito das famílias envolvidas..
O mais interessante de tudo é que o prenúncio do assassinato estava ululante na comunidade inteira e mesmo assim ninguém tentou impedir!

"Nunca houve morte mais anunciada."

Ficamos apreensivos pra saber mais sobre o que de antemão já sabemos - as circunstâncias da morte de Santiago Nasar. A narrativa é envolve e intrigante, recheada de pormenores bem costurados... com certeza, uma leitura inesquecível!


García Márquez tinha o dom de criar personagens fortes e marcantes, tal como Arcádios e Buendías, e contava histórias com uma maestria incomparável.
Não morra sem ler Gabriel García Márquez!

Um beijo bom,
Camilla.

sábado, 20 de junho de 2015

Das rosquinhas de cachaça e chá de capim-cidreira

22 de maio era a data de aniversário da minha avó materna, a Vó Mila.
Na carteira de identidade, Emília da Silva Brites.
Tinha a simplicidade ´da Silva` e a calejada sabedoria de quem cuidou mais de 10 filhos. Ela era bochechas brilhantes e proeminentes, logo abaixo dos castanhos olhos de bondade que o tempo foi branqueando.

Ainda posso vê-la molhando a linha na boca e apertando os olhos pra enfiá-la na agulha. Gesto tão observado e admirado, que hoje copio sem querer os trejeitos ao sentar-me à máquina de costura.
Se minhas mãos sorriem com tecidos, apenas confirmo que sangue não é água.

Minhas melhores e mais distantes lembranças estão naquela casa.
Desde o silêncio absoluto que o vô Gentil exigia na hora da séstia (uma eternidade quando se tem primos prontos para agitar) até o som metálico das cadeiras de praia abrindo para receber visitas no pátio. 
Saudade é cheiro de rosquinha de cachaça que ela preparava na mesa azul de madeira, pura farinha.
Eu devia medir 90 centímetros de altura e ficava na ponta do pé pra espiar e, com auxílio de um banquinho, festejava poder espichar a massa com o rolo de madeira, objeto que ora repousa de herança na cozinha da minha mãe.
Em dia de rosquinhas, a casa da vó Mila exalava um cheiro de amoníaco.
Nunca entendi que o aroma, a princípio incômodo, magicamente sumia quando saíam do forno. Uma mordida crocante e outra molhada no leite com Nescau. 

Sabor difícil de repetir, lágrima fácil de rolar.

Eu gostava de me encostar na vó Mila e tocar aquela pelezinha do tríceps que sobra nos braços idosos. Parecia papel de seda, bem fininho, que ela deixava tocar porque sabia que carinho de neto tem dessas bobices sensoriais.
Meu coração quase que diariamente é afagado com afeto da vó Mila quando preparo chá de capim-cidreira. Hoje é embalado em sachê individual, mas o verdadeiro sabor era colhido por ela, na horta, no costado direito da casa, bem do lado dos tomateiros.. 
Tomates eram colhidos e comidos na hora; já as folhas de cidreira - cortantes ao tato - deusolivre criança por a mão.

Meus sentidos são máquina do tempo. Amor é o combustível. 

Um beijo bom,
Camilla.


segunda-feira, 15 de junho de 2015

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, José Saramago

Eis um livro impactante, minha gente!!! 
 
Não encontrei melhor adjetivo para Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, que não esse: IMPACTANTE. 
 
Quem é leitor de Saramago já sabe o que esperar quanto à linguagem, troca das vozes narrativas e diálogos - que não são pontuados da maneira tradicional. O texto de Saramago é um manancial de água onde você é simplesmente levado, ora boiando, ora submerso, numa correnteza veloz rio abaixo! Se ainda não leu Saramago, de repente seria legal começar com O conto da Ilha Desconhecida

Mas hoje minha dica literária é o 
Ensaio sobre a cegueira!

Uma pessoa é acometida de uma cegueira. 
Não uma cegueira comum, onde se ´vê` escuridão, mas uma cegueira branca, leitosa. E então contagia outro, que contagia outro, que contagia outro... e em poucas horas e dias parte de um país é tomada pela falta do sentido da visão. 
Uma epidemia sem causa conhecida.
 
O Governo providencia o isolamento do grupo (tipo uma quarentena) e se compromete a fornecer mantimentos, itens de higiene e limpeza, mas quando isso começa a faltar... a dignidade e bom senso ficam rarefeitos!! Os instintos primários do ser humano se sobrepõem à educação, respeito e moral e a face mais cruel daqueles homens e mulheres cegos ficarão à vista do leitor. 
Apenas a personagem ´mulher do médico` não é acometida da doença, e permanece vendo e testemunhando o desfalecer da civilidade e a busca da sobrevivência a qualquer custo. 
Esbarro no imaginário que eu construí lendo esse livro para me desculpar por não dizer mais do que já disse, senão acrescentando que muito mais do que VER, é preciso REPARAR no outro!

A experiência sensorial e metafórica que Saramago proporcionou com Ensaio sobre a cegueira é - tocando o óbvio - minha e única.. 
Você terá que vivenciar por si só a jornada rumo ao caos que a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta e outros personagens percorrem.. 
Até mesmo para admitir, se for o caso, que você também é acometido de alguma cegueira! 
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago
Obs: Para quem já viu a adaptação para o cinema dirigida por Fernando Meirelles, só vou mencionar aquilo que debatedores de literatura geralmente acordam: o livro é incomparável, e supera mil vezes o filme. ;)
 
Um beijo bom, 
Camilla.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

XADREZ, TRUCO E OUTRAS GUERRAS, José Roberto Torero

Com um sem-fim de livros à disposição, tantas chamadas de lançamentos, reedições,
reimpressões em papel perfumado (#ironia), etc.. é justificado se perguntar Que livro vale tomar meu valioso tempo?


Para isso que servem (a maioria dos) os blogs literários, de modo que se você não é dotado de intuição ou apurado faro literário – o que sinto que estou desenvolvendo com o passar dos anos – ler blogs é uma maneira de pegar indicações certeiras e se livrar de furadas!

Leio gêneros bem diferentes, sem me ater a projetos ou metas, escolhendo aleatoriamente minhas leituras. ;)
A par disso, tenho lido aquilo que definimos nos clubes de leitura que coordeno e participo...
Assim foi com XADREZ, TRUCO E OUTRAS GUERRAS, livro do mês no clube de leitura companhia de papel! Esse livro faz parte da coleção Plenos pecados, publicada pela editora Objetiva, onde 7 autores escreveram 7 livros sobre os temas: Soberba, Luxúria, Preguiça, Inveja, Gulo, Avareza e Ira.

Conforme a própria editora: "A proposta da coleção é analisar os pecados que fascinam e aprisionam os homens ao longo dos séculos, sob um ponto de vista libertador e contemporâneo. A série nos apresenta as questões: o que deles, dos pecados, permanece, como noção de ofensa e erro, em nosso imaginário? Que limites traçam, até onde nos desafiam? Como oscilar, sem culpa e medo, entre a condenação e a celebração do pecado?"

A José Roberto Torero coube a IRA. 
Assim, ele valeu-se da Guerra e de jogos (truco e xadrez) para desenvolver este livro que tem personagens cativantes, sarcasmo e ironia!!

Temos o Rei, o General, o Coronel, o Capitão, o Sargento, o Soldado.. cada qual com um movel pessoal pra ir à Guerra.. nenhum deles era essencialmente a ira...

Os capítulos curtos deixam a leitura veloz e agradável.. Uns descrevem tomada de decisões e movimento das tropas, e outros relatam fatos prosaicos das batalhas.

Apesar do tema, é bom dizer que sua leitura, ao contrário de ira, desperta descontraídas risadas!! Isso porque há diálogos com ironia e bizarrices... 

É impossível não sentir a vibe dos livros Dom Quixote, Tarás Bulba e Cândido ou O otimismo (clique no link e vá para as resenhas!) Reputo ser essa a informação mais pontual da minha pretensa resenha... já que por mais que a gente leia coisas boas, no fundinho elas sempre serão inspiradas em algo melhor ainda - que geralmente são chamados de ´clássicos`. ;)

Eis alguns trechinhos que destaquei...

"A vitória tem muitas mães; mas a derrota é sempre órfã".

"Assim como há sins que não são sins mas nãos, há também nãos que não são nãos mas sins, de modo que tudo, não e sim, é, na verdade, talvez ou depende".

"A ira é sempre mais forte por quem está mais perto de nós".

"A ira, meu caro, só é sábia se possui um grão de covardia. Se não, é pecado".

Super recomendo essa leitura, que em 183 páginas se torna inesquecível a seu modo. :)

Um beijo bom,
Camilla.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A CABEÇA DO SANTO, Socorro Acioli

No mês de março, escolhemos um livro da cearense Socorro Acioli para debater no clube de leitura companhia de papel!!

A premissa de A Cabeça do Santo é o fato real de que, numa cidade chamada Caridade, no Ceará, uma escultura ter ficado desfalcada: a cabeça do Santo Antônio fora montada em separado, mas por razões de engenharia (vento) ficou complicadinho encaixar no resto do corpo. 
Mais detalhes no G1! 

Socorro construiu uma ficção em torno disso e concebeu o protagonista Samuel, moço que chega no vilarejo de Candeia e faz "morada" na cabeça (oca) - que mais parecia uma caverna com tamanho de uma quitinete!!


Eis que em certos horários do dia, como se descobrisse um dom, ele começa a ouvir vozes vindas das paredes da cabeça... eram vozes de moças orando por Santo Antônio. 

Ele escuta a promessa de uma das moças, banca o cupido com a ajuda do amigo Francisco, e o casamento acaba sendo realizado "por obra do santo milagroso". O casório, amplamente divulgado nas rádios locais, dá causa a um intenso turismo religioso na região!

Muitos peregrinos passam a visitar o lugar em busca de um milagre do Santo!!

A partir disso, a história desenrola questões sobre coragem, perdão, amor, especialmente na família de Samuel. Incomodadas, autoridades locais intencionam destruir a cabeça do santo e expulsar Samuel da cidade... 
Vou parar por aqui... espero tê-los provocado pra saber o resto da história...
*
Socorro e Gabriel Garcia Marquez
P.S.: 

A escritora cearense Socorro Acioli  teve influência forte de um nobel, já que participou de uma oficina de escrita com Gabriel Garcia Márquez (!!!), realizada em Havana (Cuba) em dezembro de 2006. “Eu precisava mandar o resumo de uma página de uma história que eu quisesse desenvolver na oficina. Enviei por e-mail, ele gostou e me convidou“, disse numa entrevista.

Algumas pontuações que propus no encontro:

- Atualmente, são tempos difíceis para os românticos? (página 59)
- "(...) Riam das desgraças, suas e dos outros. Desgraça é tudo coisa de se rir" (página 51). Você acha que todo ser humano é um pouco sádico?
- Comente o trecho: "Rezar é falar o que sente" (página 141).
- As velas que Samuel tinha que acender significavam Coragem, Perdão e Amor. Durante a vida, que outras ´´velas`` temos que acender?
- "Nem a vela quer ficar acesa. Eu não tenho fé nenhuma, degolado. Nem a vela que eu acendo tem força pra ser fogo. Isso de ter fé é o que desgraça gente pobre como eu". (Pág. 146). Comente sobre uma eventual dicotomia entre capacidade financeira e prática de fé/religião.
- "Os tímidos, na hora em que atacam, são das feras piores, e Dr. Adriano beijo Madeinusa sem pedir licença" (pág. 57). Você concorda?
- "Acreditava que os santos eram todos uma mera invenção dos desesperados e nada do que Mariinha dissera a vida toda o convenceu do contrário. Santos são pedras e só pedras. Era a lei de Samuel". Você é devoto de algum santo? Qual?
- Tal como Candeia, muitas cidades brasileiras tem como seu único atrativo o turismo religioso. O que você acha de eventual uso de verba pública para fomento dos locais de peregrinação, sendo o Brasil um país laico?

Um beijo bom,
Camilla.

segunda-feira, 30 de março de 2015

A ARTE DE VIAJAR, Alain de Botton

VIAJAR é sair da zona de conforto.
É deixar sua vida um pouco em stand by, e ao mesmo tempo vivê-la noutro ambiente.

Pode ser apenas um deslocamento temporário pra outro ponto do planeta, mas é possível observar mudanças significativas acontecendo em quem viaja - independente da distância e do tempo.

É aquela coisa né.. quanto mais viajamos, mais queremos viajar, porque rola uma renovação na alma.. E, na mesma medida, ocorre uma valorização da nossa pacata rotina quando olhamos com certo distanciamento.

Como diria Mário Quintana, Viajar é mudar a roupa da alma!

"Se nossas vidas são dominadas pela busca da felicidade, talvez poucas atividades revelem tanto a respeito da dinâmica desse anseio - com toda a sua empolgação e seus paradoxos - quanto o ato de viajar. Ainda que de maneira desarticulada, ele expressa um entendimento de como a vida poderia ser fora das limitações do trabalho e da luta pela sobrevivência. Mas raramente se considera que as viagens apresentem problemas filosóficos - ou seja, questões convidando à reflexão além do nível prático. Somos inundados por recomendações sobre os lugares para onde viajar, mas pouco ouvimos sobre como e por que deveríamos ir (...)". página 17


Filósofo de alto calibre!
No livro A ARTE DE VIAJAR, o filósofo Alain de Botton, explora desde a expectativa e escolha dos destinos até o retorno pra casa, passando pelas motivações da viagem e impactos que a beleza das paisagens causa na gente.

"Há preocupações que parecem indecentes quando estamos na companhia de um penhasco; outras a que os penhascos naturalmente prestam assistência, estimulando com sua majestade o que é sólido e elevado em nós e nos ensinando com seu tamanho a respeitar, com boa vontade e assombrada humildade, tudo aquilo que nos transcende.(...)". pág. 148.
Conhecer novos lugares e culturas, respirar um ar diferente, fazer amizades, e tudo o mais que acontece inconscientemente é muito particular, mas o interessante pra mim é, estando longe, ter a consciência de ter para onde voltar.

Eu recomendo esse livro pelo simples fato de que De Botton coloca em palavras tudo aquilo que nós sabemos e sentimos quando estamos viajando.

É filosofia em dose sutil, mas certeira. ´Coisas que seriam óbvias, até pra uma criança`..
Às vezes é tão belo ouvir (ler) o óbvio, não acham?! :D
245 páginas que darão mais significado a sua próxima trip!!

E para você, o que significa A ARTE DE VIAJAR??
Um beijo bom,
Camilla.

obs: confira no link a resenha de outro livro de Alain de Botton: Como Proust pode mudar sua vida.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A VELOCIDADE DA LUZ, Javier Cercas

Se tem uma coisa que prezo muito é o fato de ser surpreendida com determinada leitura. Por isso, reluto em ler sinopses e orelhas – que, aliás, dizem mais do que uma boca!
{editores, manerem o spoiler!}
Com A Velocidade da luz a experiência foi muito legal devido ao total desconhecimento do autor e da temática do livro. Cheguei a ele por meio das abalizadas opiniões das vlogueiras TatiFeltrin e Isa Vichi, que enalteciam o premiado escritor catalão Javier Cercas.

Cercas é um dos escritores mais influentes da Europa, cujo estilo mistura história, ficção, memórias e toques de metaliteratura!

O enredo gira em torno de um professor de espanhol que queria ser escritor, e que após travar amizade com outro professor da Universidade (veterano da Guerra do Vietnã), acaba ´usando` as memórias desse amigo para escrever um romance.



A velocidade da luz enfrenta detalhes das trincheiras, de como soldados americanos foram e voltaram de batalhas horrendas, sem entender direito os motivos da guerra..
Fala na perturbação psicológica dos sobreviventes e o peso emocional que carregam pra vida toda por terem matado inocentes...

Considerando que o protagonista se apropria, bem dizer, de memórias do amigo Rodney Falk, o livro também aborda os limites morais e éticos da ficção, crítica literária e o conceito de sucesso.
É bom dizer que Javier Cercas escreve pra leitores que apreciam uma prosa fluida, ágil (veloz) e descritiva!
[Li num artigo na internet, que ´ele escreve para "leitores mais intelectualizados"...`, no entanto achei um pouco arrogante essa opinião].
Cadum, cadum! ;)

No mais, eu gostei muuuuito da prosa do Javier Cercas, que prende a gente a cada página! É ótimo mesmo!!
Vou procurar outras obras dele!!

Um beijo bom,
Camilla.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

PUT SOME FAROFA, Gregorio Duvivier

Eitchalelê!!
Acredito eu, que Gregorio Duvivier dispense apresentações.

Talvez muitos o conheçam apenas como "um integrante do Porta dos Fundos", mas além de ator e comediante, Gregorio também é roteirista e cronista!

Put some farofa é um livro de crônicas, com algumas ficções com carga afetiva, textos de cunho político, ironias, além de algumas esquetes escritas para o Porta. 
Há textos inéditos e outros que foram publicados no jornal Folha de SP, na coluna semanal do Duvivier.

Para quem me segue, sabe que não costumo ler crônicas. É só ver aí no índice de resenhas.. Mas em se tratando de humor, comédia, ironia.. nada melhor que um texto curto e leve para descontrair. 


(...) Se Gregorio revela o raro dom da multiplicidade, tendo despontado no cenário cultural brasileiro ao mesmo tempo como ator, roteirista, comediante, cronista e poeta, também múltiplo é este volume, que transita entre ficções, memórias de infância, ensaios sobre artistas que o influenciaram, artigos de opinião, exercícios de estilo e experimentações sem fim. Os textos vão da pauta que está sendo debatida naquele dia no jornal ao completo nonsense; do lirismo ao humor escrachado; do íntimo ao universal.
No conjunto, o que espanta no autor é o frescor, a coragem, e, sobretudo, a capacidade inesgotável de se renovar a cada semana, contando sempre com a inteligência e a sensibilidade do leitor.
*
Você vai dar boas risadas e se surpreender com a prosa do Gregorio Duvivier!! 

Ótima dica de presente para aquele amigo que até gosta de ler, mas não tem muita paciência, sabe? 

Um beijo bom,
Camilla.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

CAVALO DE GUERRA, Michael Morpurgo

Sem dúvida, Cavalo de Guerra é um dos livros mais emocionantes que eu já li!

Ele tem uma peculiaridade que pouco se vê na literatura de guerra, que é a voz narrativa de um animal. 

Sim, a história é contada pelo cavalo, que nos brinda com um olhar diferenciado sobre a humanidade e o mundo, na situação extrema que é uma guerra.

Albert é um jovem, filho de um arrendatário de uma pequena fazenda no interior da Inglaterra, que treina o cavalo que, inicialmente, não tinha nenhum potencial para trabalho na lavoura. Albert o batiza de Zoey, e nasce entre eles uma amizade especial capaz de ultrapassar barreiras e o tempo..

"Não adianta falar com cavalos, Albert - disse a mãe, do lado de fora. - Eles não entendem. São bichos estúpidos. Estúpidos e teimosos, como diz o seu pai, e olha que ele lidou com cavalos a vida inteira."
Para quem não sabe, Cavalo de Guerra conta a história do cavalo Zoey, no contexto da Primeira Guerra mundial, em 1914. Por causa de uma dívida, o pai de Albert precisa vendê-lo.
Zoey descreve, em detalhes, situações desde quando foi vendido no leilão, passando pelas ´rédeas` de variados donos, até sua caminhada (no caso, trote) nas fileiras do Exército inglês.

A linguagem é simples e a narrativa é deliciosa, e a cada capítulo ficamos apreensivos com o que acontecerá com Zoey, um verdadeiro herói.


Em 2012, Steven Spielberg dirigiu o filme baseado nessa linda história de força, determinação e coragem, que garantiu indicação ao Oscar em várias categorias. :)

A guerra leva tudo de todos, mas a amizade verdadeira permanece, a mensagem mais bonita desta obra.

Esta aí uma ótima indicação de livro para jovens de 10 aos 80 anos!! 
Uma aventura única e emocionante em apenas 177 páginas! 

Um beijo bom,
Camilla.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O PARAÍSO SÃO OS OUTROS, Valter Hugo Mãe e Nino Cais

Que eu sou fã do Valter Hugo Mãe todo mundo já sabe.

Bem por isso estou sempre atenta aos burburinhos editoriais e tento saltar na frente quando tem um lançamento em vista. 

Assim foi com O paraíso são os outros, que comprei na pré-venda, direto da editora Cosac Naify.


Nesse livro fininho, Valter Hugo Mãe transmite uma mensagem simples sobre o amor. O Paraíso são os outros reúne histórias contadas por uma menina que observa intrigada como são os casais!

O título é o oposto de uma célebre frase do filósofo Jean-Paul Sartre, que disse “O inferno são os outros".

São textos de uma delicadeza ímpar e que invariavelmente nos fazem questionar se o amor é simples ou somos nós que o deixamos complexo com dúvidas e entraves.

É um livro infantil para adultos lerem: reúne a inocência infantil com a (suposta) sabedoria dos adultos.

Recomendo com todas as minhas forças, não apenas pelo autor (tudo que ele escreve é excelente), mas pela singela e profunda forma de enxergar a dinâmica {da construção} do amor.

"Acho que invento a felicidade para compor todas as coisas e não haver preocupações desnecessárias. E inventar algo bom é melhor do que aceitarmos como definitiva uma realidade má qualquer. A felicidade também é estarmos preocupados só com aquilo que é importante. O importante é desenvolvermos coisas boas, das de pensar, sentir ou fazer."

Eu creio que a família é a base de tudo, apesar de notar que a sociedade em geral banaliza a família em detrimento do hedonismo, da solidão disfarçada de solteirismo convicto e do consumo desenfreado.
Como dizem, o amor não é para os fracos!! 
É preciso coragem para AMAR, e este livro transmite doses de otimismo e esperança na instituição Família.

Os 18 textos são curtinhos, formando um livro próprio para ler de uma vez só, sem esquecer de uma caneta para grifar passagens inesquecíveis!


"O amor precisa ser uma solução, não um problema. Toda a gente me diz: o amor é um problema. Tudo bem. Posso dizer de outro modo: o amor é um problema mas a pessoa amada precisa ser uma solução."

As ilustrações (fotografias) da edição brasileira ficaram a cargo do artista plástico brasileiro Nino Cais, que fez uma pequena ironia para aqueles que se unem por outros motivos que não o amor...

O paraíso são os outros brinda-nos com uma mensagem bastante positiva e otimista, plena de fé no outro e na felicidade a dois. 
Só é feliz quem partilha!
Por isso partilho com vocês essa dica literária com 100% de satisfação garantida!!

Um beijo bom,
Camilla.

obs: Já resenhei aqui no blog outros livros do VHM (clica nos links!):
A máquina de fazer espanhóis, A desumanização e O filho de mil homens.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A FESTA DA INSIGNIFICÂNCIA, Milan Kundera

E então todos correram para ler o aclamado escritor tcheco Milan Kundera*, que não publicava há mais de uma década!! 

Com título mega atrativo, capa dura e projeto gráfico caprichado, o livro “A festa da insignificância” foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras, no segundo semestre de 2014. 

Estamos falando de uma zoeira completa uma mistura de pequenas histórias entrecruzadas que abordam o sentido das coisas (insignificantes!?) para 5 amigos que se reencontram em Paris.

O livro é dividido em 7 partes nominadas...
- Os heróis se apresentam.
- O teatro de marionetes
- Alain e Charles pensam muitas vezes na mãe
- Estão todos em busca do bom humor
- Uma pluminha paira sob o teto
- A queda dos anjos
- A festa da insignificância

Os capítulos são muito curtos, com uma a três páginas, acelerando a leitura sobremaneira. 
Mas também lemos velozmente pra satisfazer a gana da curiosidade, do siricutico em saber o que vai acontecer com essa colcha de retalhos..
Isso porque ele aborda temas desconexos entre si, como por exemplo a erotização dos umbigos; câncer inventado; suicídio que vira assassinato; crítica à ditadura stalinista; um cara que finge falar paquistanês... 

No fim das contas, o TEMA CENTRAL é a banalização versus sentido das coisas. É  um livro que reúne situações bizarras em ambientes não tão explorados (poderia acontecer em qualquer lugar), permeado de muita filosofia e ironia.


Ao final, a sensação é de que não houve uma costura perfeita!
Soa, na verdade, como fragmentos soltos que foram reunidos para formar essa obra de compreensão duvidosa.
OU.. podemos concluir que minha humilde inteligência não alcançou a genialidade de Kundera, o que de certa forma é honesto da minha parte. ;)

Ressalvo que a linguagem é simples e fluida, mas o conteúdo é complexo e precisa ser desvendado! A seguir, destaco uns trechos interessantes, que na minha opinião justificam, dentre outros, o furor com esse lançamento e o fato de eu o ter lido duas vezes (em outubro e em janeiro). 

"Mais que inutilidade. Nocividade. Quando um sujeito brilhante tenta seduzir uma mulher, ela acha que tem que entrar em competição. Também se sente obrigada a brilhar. A não se entregar sem resistência. Ao passo que a insignificância a libera. A liberta das precauções. Não exige nenhuma presença de espírito. A torna despreocupada e, portanto, mais acessível. (...)"

"Sim, é assim mesmo - As pessoas se encontram na vida, conversam, discutem, brigam, sem perceber que se dirigem uns aos outros de longe, cada um de um observatório situado num lugar diferente no tempo."

"O ser humano é apenas solidão. Uma solidão cercada de solidões."

"A insignificância, meu amigo, é a essência da existência."

Kundera, com seus 85 anos lúcidos
Resumo da ópera: ao meu ver é uma obra pra intelectuais, portanto não consigo discorrer mais do que isso. 
(a galerinha do Clube de Leitura Athenados também não gostou muito, apesar de ter rendido um bom debate!) X)

Experimente a leitura, não custa tentar. 
Depois acomode-o na estante, vai ficar bonito a lombada e tals. heheh ;)

Um beijo bom,
Camilla.

*(Kundera escreveu o famoso A insustentável leveza do serque até virou filme!)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

BALANÇO LITERÁRIO 2014: 41 livros


2014 fechou com saldo positivo!! 
Essa pilha de livros ao lado indica meu ímpeto literário, mas muito mais que quantidade, suponho ter lido títulos de comprovada qualidade!!



Foram 41 companhias de papel em 2014!
(se clicar no link abre a resenha!) 


- Adam e Evelyn, Ingo Schulze
- O mágico de Oz, L. Frank Baum
- Formas de voltar para casa, Alejandro Zambra
- Como funciona a ficção, James Wood
- A letra escarlate, Nathaniel Hawthorne
- Jesus Cristo bebia cerveja, Afonso Cruz
- Dona Flor e seus dois maridos, Jorge Amado
- Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, José Saramago
- O poderoso chefão, Mario Puzo
- Filomena Firmeza, Patrick Modiano
- Dias perfeitos, Raphael Montes

Como disse no post do balanço literário do ano passado, segui um ritmo gostoso de leituras mensais, mas é claro que sempre achamos que podemos fazer melhor. 
Percebi que li apenas uma escritora mulher (vou tentar rever isso em 2015). 
Também senti que empaquei nuns livros além do tempo razoável, porque estava chato ou entediante.. tudo porque sou teimosa e reluto em abandonar uma companhia de papel. :P
Enfim, creio que nesse sentido eu deveria exercitar o desapego, ou seja, não ficar com consciência pesada acaso abandone uma leitura no meio do caminho... 

LER é algo prazeroso, e se soar como obrigação perde todo o sentido né?
*
Como de praxe, entrego alguns troféus do ano!! 

Troféu ''MELHOR do ano'': O FILHO DE MIL HOMENS, do meu ídolo Valter Hugo Mãe.
mas posso fazer dobradinha e colocar ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, de Saramago (que honestamente, entrei 2015 ainda com cinco capítulos por terminar).

Troféu ''REVELAÇÃO do ano'': ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, clássico que REALMENTE merece nossa atenção!!

Troféu ''PIOR ou NEM TÃO LEGAL do ano'': TRAVESSIA DE VERÃO, do Truman Capote, deixou a desejar (pra mim). Inclusive o próprio Capote não quis publicar em vida..


Troféu ''PERDI TEMPO do ano'': é uma categoria "dureza" de ser premiada, mas ADAM E EVELYN foi uma escolha nossa (do clube de leitura) na temática ´país que vencer a Copa`, por isso um livro de autor alemão.. A leitura se arrastou demais, por conta da quantidade de diálogos (diga-se, chatos! hehe). 
*
Encerro 2014 com um agradecimento especial a você que acessa o companhia de papel e me incentiva com feedbacks e compartilhamentos no Facebook! Demais resenhas vou subindo na sequência! 

Estamos com mais de 63 mil visualizações do blog e 700 likes na fanpage!!
Valeeeeu!

FELIZ 2015 para você, leitor querido! <3
Um beijo bom,
Camilla. 
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