sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A FESTA DA INSIGNIFICÂNCIA, Milan Kundera

E então todos correram para ler o aclamado escritor tcheco Milan Kundera*, que não publicava há mais de uma década!! 

Com título mega atrativo, capa dura e projeto gráfico caprichado, o livro “A festa da insignificância” foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras, no segundo semestre de 2014. 

Estamos falando de uma zoeira completa uma mistura de pequenas histórias entrecruzadas que abordam o sentido das coisas (insignificantes!?) para 5 amigos que se reencontram em Paris.

O livro é dividido em 7 partes nominadas...
- Os heróis se apresentam.
- O teatro de marionetes
- Alain e Charles pensam muitas vezes na mãe
- Estão todos em busca do bom humor
- Uma pluminha paira sob o teto
- A queda dos anjos
- A festa da insignificância

Os capítulos são muito curtos, com uma a três páginas, acelerando a leitura sobremaneira. 
Mas também lemos velozmente pra satisfazer a gana da curiosidade, do siricutico em saber o que vai acontecer com essa colcha de retalhos..
Isso porque ele aborda temas desconexos entre si, como por exemplo a erotização dos umbigos; câncer inventado; suicídio que vira assassinato; crítica à ditadura stalinista; um cara que finge falar paquistanês... 

No fim das contas, o TEMA CENTRAL é a banalização versus sentido das coisas. É  um livro que reúne situações bizarras em ambientes não tão explorados (poderia acontecer em qualquer lugar), permeado de muita filosofia e ironia.


Ao final, a sensação é de que não houve uma costura perfeita!
Soa, na verdade, como fragmentos soltos que foram reunidos para formar essa obra de compreensão duvidosa.
OU.. podemos concluir que minha humilde inteligência não alcançou a genialidade de Kundera, o que de certa forma é honesto da minha parte. ;)

Ressalvo que a linguagem é simples e fluida, mas o conteúdo é complexo e precisa ser desvendado! A seguir, destaco uns trechos interessantes, que na minha opinião justificam, dentre outros, o furor com esse lançamento e o fato de eu o ter lido duas vezes (em outubro e em janeiro). 

"Mais que inutilidade. Nocividade. Quando um sujeito brilhante tenta seduzir uma mulher, ela acha que tem que entrar em competição. Também se sente obrigada a brilhar. A não se entregar sem resistência. Ao passo que a insignificância a libera. A liberta das precauções. Não exige nenhuma presença de espírito. A torna despreocupada e, portanto, mais acessível. (...)"

"Sim, é assim mesmo - As pessoas se encontram na vida, conversam, discutem, brigam, sem perceber que se dirigem uns aos outros de longe, cada um de um observatório situado num lugar diferente no tempo."

"O ser humano é apenas solidão. Uma solidão cercada de solidões."

"A insignificância, meu amigo, é a essência da existência."

Kundera, com seus 85 anos lúcidos
Resumo da ópera: ao meu ver é uma obra pra intelectuais, portanto não consigo discorrer mais do que isso. 
(a galerinha do Clube de Leitura Athenados também não gostou muito, apesar de ter rendido um bom debate!) X)

Experimente a leitura, não custa tentar. 
Depois acomode-o na estante, vai ficar bonito a lombada e tals. heheh ;)

Um beijo bom,
Camilla.

*(Kundera escreveu o famoso A insustentável leveza do serque até virou filme!)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

BALANÇO LITERÁRIO 2014: 41 livros


2014 fechou com saldo positivo!! 
Essa pilha de livros ao lado indica meu ímpeto literário, mas muito mais que quantidade, suponho ter lido títulos de comprovada qualidade!!



Foram 41 companhias de papel em 2014!
(se clicar no link abre a resenha!) 


- Adam e Evelyn, Ingo Schulze
- O mágico de Oz, L. Frank Baum
- Formas de voltar para casa, Alejandro Zambra
- Como funciona a ficção, James Wood
- A letra escarlate, Nathaniel Hawthorne
- Jesus Cristo bebia cerveja, Afonso Cruz
- Dona Flor e seus dois maridos, Jorge Amado
- Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas, José Saramago
- O poderoso chefão, Mario Puzo
- Filomena Firmeza, Patrick Modiano
- Dias perfeitos, Raphael Montes

Como disse no post do balanço literário do ano passado, segui um ritmo gostoso de leituras mensais, mas é claro que sempre achamos que podemos fazer melhor. 
Percebi que li apenas uma escritora mulher (vou tentar rever isso em 2015). 
Também senti que empaquei nuns livros além do tempo razoável, porque estava chato ou entediante.. tudo porque sou teimosa e reluto em abandonar uma companhia de papel. :P
Enfim, creio que nesse sentido eu deveria exercitar o desapego, ou seja, não ficar com consciência pesada acaso abandone uma leitura no meio do caminho... 

LER é algo prazeroso, e se soar como obrigação perde todo o sentido né?
*
Como de praxe, entrego alguns troféus do ano!! 

Troféu ''MELHOR do ano'': O FILHO DE MIL HOMENS, do meu ídolo Valter Hugo Mãe.
mas posso fazer dobradinha e colocar ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, de Saramago (que honestamente, entrei 2015 ainda com cinco capítulos por terminar).

Troféu ''REVELAÇÃO do ano'': ADMIRÁVEL MUNDO NOVO, clássico que REALMENTE merece nossa atenção!!

Troféu ''PIOR ou NEM TÃO LEGAL do ano'': TRAVESSIA DE VERÃO, do Truman Capote, deixou a desejar (pra mim). Inclusive o próprio Capote não quis publicar em vida..


Troféu ''PERDI TEMPO do ano'': é uma categoria "dureza" de ser premiada, mas ADAM E EVELYN foi uma escolha nossa (do clube de leitura) na temática ´país que vencer a Copa`, por isso um livro de autor alemão.. A leitura se arrastou demais, por conta da quantidade de diálogos (diga-se, chatos! hehe). 
*
Encerro 2014 com um agradecimento especial a você que acessa o companhia de papel e me incentiva com feedbacks e compartilhamentos no Facebook! Demais resenhas vou subindo na sequência! 

Estamos com mais de 63 mil visualizações do blog e 700 likes na fanpage!!
Valeeeeu!

FELIZ 2015 para você, leitor querido! <3
Um beijo bom,
Camilla. 
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