segunda-feira, 30 de março de 2015

A ARTE DE VIAJAR, Alain de Botton

VIAJAR é sair da zona de conforto.
É deixar sua vida um pouco em stand by, e ao mesmo tempo vivê-la noutro ambiente.

Pode ser apenas um deslocamento temporário pra outro ponto do planeta, mas é possível observar mudanças significativas acontecendo em quem viaja - independente da distância e do tempo.

É aquela coisa né.. quanto mais viajamos, mais queremos viajar, porque rola uma renovação na alma.. E, na mesma medida, ocorre uma valorização da nossa pacata rotina quando olhamos com certo distanciamento.

Como diria Mário Quintana, Viajar é mudar a roupa da alma!

"Se nossas vidas são dominadas pela busca da felicidade, talvez poucas atividades revelem tanto a respeito da dinâmica desse anseio - com toda a sua empolgação e seus paradoxos - quanto o ato de viajar. Ainda que de maneira desarticulada, ele expressa um entendimento de como a vida poderia ser fora das limitações do trabalho e da luta pela sobrevivência. Mas raramente se considera que as viagens apresentem problemas filosóficos - ou seja, questões convidando à reflexão além do nível prático. Somos inundados por recomendações sobre os lugares para onde viajar, mas pouco ouvimos sobre como e por que deveríamos ir (...)". página 17


Filósofo de alto calibre!
No livro A ARTE DE VIAJAR, o filósofo Alain de Botton, explora desde a expectativa e escolha dos destinos até o retorno pra casa, passando pelas motivações da viagem e impactos que a beleza das paisagens causa na gente.

"Há preocupações que parecem indecentes quando estamos na companhia de um penhasco; outras a que os penhascos naturalmente prestam assistência, estimulando com sua majestade o que é sólido e elevado em nós e nos ensinando com seu tamanho a respeitar, com boa vontade e assombrada humildade, tudo aquilo que nos transcende.(...)". pág. 148.
Conhecer novos lugares e culturas, respirar um ar diferente, fazer amizades, e tudo o mais que acontece inconscientemente é muito particular, mas o interessante pra mim é, estando longe, ter a consciência de ter para onde voltar.

Eu recomendo esse livro pelo simples fato de que De Botton coloca em palavras tudo aquilo que nós sabemos e sentimos quando estamos viajando.

É filosofia em dose sutil, mas certeira. ´Coisas que seriam óbvias, até pra uma criança`..
Às vezes é tão belo ouvir (ler) o óbvio, não acham?! :D
245 páginas que darão mais significado a sua próxima trip!!

E para você, o que significa A ARTE DE VIAJAR??
Um beijo bom,
Camilla.

obs: confira no link a resenha de outro livro de Alain de Botton: Como Proust pode mudar sua vida.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A VELOCIDADE DA LUZ, Javier Cercas

Se tem uma coisa que prezo muito é o fato de ser surpreendida com determinada leitura. Por isso, reluto em ler sinopses e orelhas – que, aliás, dizem mais do que uma boca!
{editores, manerem o spoiler!}
Com A Velocidade da luz a experiência foi muito legal devido ao total desconhecimento do autor e da temática do livro. Cheguei a ele por meio das abalizadas opiniões das vlogueiras TatiFeltrin e Isa Vichi, que enalteciam o premiado escritor catalão Javier Cercas.

Cercas é um dos escritores mais influentes da Europa, cujo estilo mistura história, ficção, memórias e toques de metaliteratura!

O enredo gira em torno de um professor de espanhol que queria ser escritor, e que após travar amizade com outro professor da Universidade (veterano da Guerra do Vietnã), acaba ´usando` as memórias desse amigo para escrever um romance.



A velocidade da luz enfrenta detalhes das trincheiras, de como soldados americanos foram e voltaram de batalhas horrendas, sem entender direito os motivos da guerra..
Fala na perturbação psicológica dos sobreviventes e o peso emocional que carregam pra vida toda por terem matado inocentes...

Considerando que o protagonista se apropria, bem dizer, de memórias do amigo Rodney Falk, o livro também aborda os limites morais e éticos da ficção, crítica literária e o conceito de sucesso.
É bom dizer que Javier Cercas escreve pra leitores que apreciam uma prosa fluida, ágil (veloz) e descritiva!
[Li num artigo na internet, que ´ele escreve para "leitores mais intelectualizados"...`, no entanto achei um pouco arrogante essa opinião].
Cadum, cadum! ;)

No mais, eu gostei muuuuito da prosa do Javier Cercas, que prende a gente a cada página! É ótimo mesmo!!
Vou procurar outras obras dele!!

Um beijo bom,
Camilla.
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