quarta-feira, 15 de abril de 2015

A CABEÇA DO SANTO, Socorro Acioli

No mês de março, escolhemos um livro da cearense Socorro Acioli para debater no clube de leitura companhia de papel!!

A premissa de A Cabeça do Santo é o fato real de que, numa cidade chamada Caridade, no Ceará, uma escultura ter ficado desfalcada: a cabeça do Santo Antônio fora montada em separado, mas por razões de engenharia (vento) ficou complicadinho encaixar no resto do corpo. 
Mais detalhes no G1! 

Socorro construiu uma ficção em torno disso e concebeu o protagonista Samuel, moço que chega no vilarejo de Candeia e faz "morada" na cabeça (oca) - que mais parecia uma caverna com tamanho de uma quitinete!!


Eis que em certos horários do dia, como se descobrisse um dom, ele começa a ouvir vozes vindas das paredes da cabeça... eram vozes de moças orando por Santo Antônio. 

Ele escuta a promessa de uma das moças, banca o cupido com a ajuda do amigo Francisco, e o casamento acaba sendo realizado "por obra do santo milagroso". O casório, amplamente divulgado nas rádios locais, dá causa a um intenso turismo religioso na região!

Muitos peregrinos passam a visitar o lugar em busca de um milagre do Santo!!

A partir disso, a história desenrola questões sobre coragem, perdão, amor, especialmente na família de Samuel. Incomodadas, autoridades locais intencionam destruir a cabeça do santo e expulsar Samuel da cidade... 
Vou parar por aqui... espero tê-los provocado pra saber o resto da história...
*
Socorro e Gabriel Garcia Marquez
P.S.: 

A escritora cearense Socorro Acioli  teve influência forte de um nobel, já que participou de uma oficina de escrita com Gabriel Garcia Márquez (!!!), realizada em Havana (Cuba) em dezembro de 2006. “Eu precisava mandar o resumo de uma página de uma história que eu quisesse desenvolver na oficina. Enviei por e-mail, ele gostou e me convidou“, disse numa entrevista.

Algumas pontuações que propus no encontro:

- Atualmente, são tempos difíceis para os românticos? (página 59)
- "(...) Riam das desgraças, suas e dos outros. Desgraça é tudo coisa de se rir" (página 51). Você acha que todo ser humano é um pouco sádico?
- Comente o trecho: "Rezar é falar o que sente" (página 141).
- As velas que Samuel tinha que acender significavam Coragem, Perdão e Amor. Durante a vida, que outras ´´velas`` temos que acender?
- "Nem a vela quer ficar acesa. Eu não tenho fé nenhuma, degolado. Nem a vela que eu acendo tem força pra ser fogo. Isso de ter fé é o que desgraça gente pobre como eu". (Pág. 146). Comente sobre uma eventual dicotomia entre capacidade financeira e prática de fé/religião.
- "Os tímidos, na hora em que atacam, são das feras piores, e Dr. Adriano beijo Madeinusa sem pedir licença" (pág. 57). Você concorda?
- "Acreditava que os santos eram todos uma mera invenção dos desesperados e nada do que Mariinha dissera a vida toda o convenceu do contrário. Santos são pedras e só pedras. Era a lei de Samuel". Você é devoto de algum santo? Qual?
- Tal como Candeia, muitas cidades brasileiras tem como seu único atrativo o turismo religioso. O que você acha de eventual uso de verba pública para fomento dos locais de peregrinação, sendo o Brasil um país laico?

Um beijo bom,
Camilla.

Um comentário:

  1. Provocou sim, Camilla! Haha vou colocar na lista das próximas leituras =) beijos!

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