terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Dos presentes e dos ausentes

Estamos naquele período infame em que muitos correm ao comércio para expressar por meio de presentes os sentimentos que não conseguem expressar por meio de palavras e gestos durante todos os outros meses do ano.


É como se um sapato novo fosse capaz de suprir os muitos passos que o pai deu até a sacada esperando a visitinha do filho muito ocupado, que sempre deixava para depois.


É como se um tablet fosse o simulacro do esconde-esconde que a mamãe deixou de brincar porque preferia estar no seu tablet, tomando banho de sol, enquanto o filho pulava nos braços da babá.


É como se o panetone cacau show fosse um agrado para aquela mãe cozinheira que faz bolos muito melhores, mas que filhos e netos não tinham tempo de degustar num sábado à tardinha.


Na intenção, talvez inconsciente, de se desincumbir das visitas prometidas e não realizadas, dos mates cevados, mas não compartilhados, muitos de nós invadem lojas de perfumaria, roupas e sapatos com a listinha de familiares.


Onde está o sentido da correria dessa época? Para que correr se no mais das vezes as famílias e amigos estão o ano inteiro disponíveis pra gente amar e se fazer presente, mas que o 'tempo corrido' não deixa?


Tudo bem, cada um expressa afeto como e quando puder. Mas me parece que o capitalismo suga a criatividade das pessoas, entregando embalagens prontas de 'sentimentos', numa tentativa de concretizá-los...
Fica a reflexão...


Esse ano não quero presentes, quero presenças.
Esse ano não vou presentear, serei mais presente.


Um beijo,
Camilla Brites Caetano.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

OUTRA VOLTA DO PARAFUSO, Henry James


Já tive uma experiência com Henry James quando li A Fera na Selva (tem resenha aqui) e recordo que tinha ficado ressabiada com sua linguagem TRUNCADA e complexa,.... mas cá estou novamente me desafiando. 

Em Outra volta do parafuso ou A outra volta do parafuso, publicado em 1898 por Henry James, somos apresentados a um grupo de amigos que, reunido numa véspera de Natal, conta histórias e contos de terror. Um deles diz ter a mais terrível história de fantasmas, e passa a contar propriamente a Outra volta do parafuso.

"Ninguém, além de mim, até agora, a ouviu. É, de fato, horrível demais". (...) "Em matéria de horror?", lembro-me de haver perguntado. (...) Ele parecia dizer que a coisa não era assim tão simples; que na verdade, lhe faltavam palavras para qualificá-la. Passou a mão pelos olhos, fez um pequeno esgar de repulsa. "De monstruosidade - monstruosidade!"


Uma jovem professora de 20 anos é contratada para ser governanta numa propriedade em Bly (na inglaterra) e cuidar de duas crianças órfãs, Flora e Miles. Supostamente a mansão é assombrada pelos fantasmas de Peter Quint e da senhorita Jessel (ex-preceptora). O enredo fantasmagórico conduz para essa percepção, já que a preceptora passa a ter visões dos fantasmas e acredita piamente que as crianças se comunicam com eles...


O livro tem uma boa construção de personagem e diálogos interessantes, e tudo gira nas atitudes e decisões tomadas pela preceptora para ´proteger` e ´salvar` as crianças dos fantasmas.
Na minha opinião, Outra volta do parafuso permite uma leitura ABERTA, em que situações misteriosas e ambíguas levam o leitor a questionar se realmente há fantasmas ou uma possível loucura dessa jovem professora.


Se você se interessou pela história, sugiro ler a edição da Penguin Companhia, com tradução de Paulo Henriques Britto.

Um beijo bom,
Camilla.
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