terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Dos presentes e dos ausentes

Estamos naquele período infame em que muitos correm ao comércio para expressar por meio de presentes os sentimentos que não conseguem expressar por meio de palavras e gestos durante todos os outros meses do ano.


É como se um sapato novo fosse capaz de suprir os muitos passos que o pai deu até a sacada esperando a visitinha do filho muito ocupado, que sempre deixava para depois.


É como se um tablet fosse o simulacro do esconde-esconde que a mamãe deixou de brincar porque preferia estar no seu tablet, tomando banho de sol, enquanto o filho pulava nos braços da babá.


É como se o panetone cacau show fosse um agrado para aquela mãe cozinheira que faz bolos muito melhores, mas que filhos e netos não tinham tempo de degustar num sábado à tardinha.


Na intenção, talvez inconsciente, de se desincumbir das visitas prometidas e não realizadas, dos mates cevados, mas não compartilhados, muitos de nós invadem lojas de perfumaria, roupas e sapatos com a listinha de familiares.


Onde está o sentido da correria dessa época? Para que correr se no mais das vezes as famílias e amigos estão o ano inteiro disponíveis pra gente amar e se fazer presente, mas que o 'tempo corrido' não deixa?


Tudo bem, cada um expressa afeto como e quando puder. Mas me parece que o capitalismo suga a criatividade das pessoas, entregando embalagens prontas de 'sentimentos', numa tentativa de concretizá-los...
Fica a reflexão...


Esse ano não quero presentes, quero presenças.
Esse ano não vou presentear, serei mais presente.


Um beijo,
Camilla Brites Caetano.

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