domingo, 8 de maio de 2016

#lendoDomQuixote

Considerando que no dia 23 de abril de 2016 completam 400 anos da morte de Miguel de Cervantes Saavedra, escritor espanhol de quem vamos ficar íntimos nos próximos meses;

Considerando que muita gente vive repetindo simplificadas informações "que o fidalgo Dom Quixote era um cavaleiro, louco, cujo cavalo se chamava Rocinante, e seu fiel escudeiro se chamava Sancho Pança, e que lá pelas veredas lutou contra Moinhos de Vento porque pensava se tratar de gigantes", sem sequer ter lido uma resenha;

Considerando que relutamos em ler livros extensos, ainda mais os clássicos, que reúnem certos arcaísmos e uma linguagem mais "rebuscada";

Considerando que um dos posts maaaais visualizados do blog é o da resenha da primeira parte de Dom Quixote (que li em 2001), publicada em 2011 aqui nesse link;

VAMOS (re)LER "Dom Quixote" juntos??

BEM-VINDO a um projeto* de leitura coletiva muito simples que visa agregar mais cavaleiros andantes pra "se apoiar" enquanto lê um livro "de peso"! hehehe Brincadeirinha.. Na minha opinião, "Dom Quixote de La Mancha" é uma personagem tão incrível que merece nossa atenção! E meus considerandos acima explicam mais motivos.
 *Esse projeto é inspirado no "projeto lendo Proust", da querida Tati Feltrin que escreve/grava o Tiny Little Things.

VAMOS AO QUE INTERESSA:

O primeiro passoQue edição vamos ler?
Dom Quixote é um livro dividido em duas partes, uma publicada em 1605 e a outra em 1615. A ideia do projeto é ler a primeira parte E depois, quem sabe, seguimos juntos na outra parte, ok?
Como é um livro antigo e o original em espanhol do século 17, acho importante escolher uma tradução boa... e algumas palavras e expressões mal traduzidas interferem, sim, no sentido da coisa.
Vou indicar três editoras, ficando a seu critério a escolha, lembrando que como é de domínio público há inúmeros arquivos .pdf pela internet!)
Outra coisa: o cronograma será dividido por capítulos, portanto não importa a numeração das páginas em si.


EDIÇÃO BILÍNGUE DA EDITORA 34:
essa é a edição traduzida pelo Sérgio Molina, 
e recebeu Prêmio Jabuti de tradução!
Reputa-se a mais confiável. É a que vou ler!
EDIÇÃO POCKET DA EDITORA 34:
tradução do Sérgio Molina, mas na versão pocket. 



EDIÇÃO PENGUIN - Companhia das Letras:
é uma tradução mais moderna.
Digamos que eles ´´facilitaram`` o texto,
de certa forma subestimam o leitor de
Dom Quixote (segundo Tati Feltrin).
obs: em 2011 eu li a versão pocket LPM, não é ruim, mas não é boa (entenderam?)

O segundo passocriei um evento no Facebook  

Nesse espaço virtual a gente vai conversar sobre a leitura, os perrengues, as dificuldades, as dúvidas, mas também as maravilhas do livro, os personagens, fotos, vídeos, posts, gifs etc…
O terceiro passoter uma hashtag #lendoDomQuixote para usar nas redes sociais e agregar mais leitores.

O quarto passoestabelecer um Cronograma de leitura, não para seguir à risca (e se tornar um peso), mas para que todos consigam, mais ou menos, ficar na mesma sintonia.

INÍCIO DA LEITURA COLETIVA: 16 DE MAIO DE 2016

(Defini essa data para dar tempo de todos adquirirem seus exemplares, certo?)



PARA NÃO TER DESCULPA, O CRONOGRAMA SERÁ DE 10 SEMANAS, com a leitura de 5 capítulos por semana, evita atrapalhar outros livros em andamento, bem como é razoável e adaptável para qualquer rotina! 
Imprima o cronograma, recorte e cole e terá um marcador de páginas!

POR FIM, deixo registrado que se trata de um projeto aberto, cuja finalidade é fomentar a leitura da obra-prima de Cervantes, tida como um marco do romance moderno. Se quiser compartilhar o post, fique à vontade, mas cita o bloguinho nos créditos, e lembrem de usar a hashtag #lendoDomQuixote nas redes sociais, ok?!



Um beijo, Camilla Caetano.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O CONDE DE MONTE CRISTO, Alexandre Dumas


Dizer que uma leitura é ou não prazerosa é muito subjetivo, pois dependerá obviamente da nossa bagagem de leituras já realizadas, mas, sobretudo da nossa vida e visão de mundo.
Lemos tantos e bons livros que invariavelmente formamos um conceito ou um parâmetro, eu diria, do que qualifica uma obra e aquele que a escreveu.

O Conde de Monte Cristo, por exemplo, julgo ser um livro 100% ou, se preferirem, 5 estrelas, pelos motivos que seguem:

A julgar pelo volume de 1663 páginas (editora Zahar), um leitor desavisado questionaria se Alexandre Dumas consegue manter o interesse durante toda a história. E pra isso eu respondo: Sim, senhores.

A melhor referência que posso transmitir desta leitura é a manutenção do interesse. Tal como uma novela de televisão, a história possui núcleos de personagens e sub-histórias que se revelam por partes e sem pressa, numa cadência maravilhosamente orquestrada.

Os acontecimentos são contados a partir de uma narrativa impecável, fazendo avançarmos nos capítulos com muito interesse, e – notem o que vou dizer – não há sequer um parágrafo inútil no livro inteiro.

Cada frase está posta com uma razão de ser. Não sobram ´pontas soltas`, ou seja, tudo é costurado com coerência. E é por isso que fui arrebatada.

A construção de personagens e a contextualização histórico-cultural foram fundamentais para eu apreciar a história que, apesar do tema central ser reconhecidamente a “vingança”, muitas outras questões sobre amizade, traição, paixão, amor, poder político, poder financeiro, luta de classes, ética e fé são retratadas com muita sabedoria, não apenas para compreender a obra, senão para compreender a vida.

Tenho muito a falar desse livro, mas me limito às seguintes pontuações, que compartilho com vocês, com a ressalva de que possam conter spoilers..
  • Edmond Dantès era um cara tranquilinho de acordo com a moral e bons costumes da época, mas, a meu ver, quando ele sai do castelo de if transforma-se bruscamente numa figura cheia de si, conhecedora de tudo e todos, altiva e até com ares de arrogância, sobretudo depois de por a mão na riqueza contida na ilha de Monte Cristo. Pergunto-me se a real razão da transição de bom moço para calculista vingador foi o tempo de prisão, a sabedoria de Abade Faria, os bens materiais da ilha ou foi a própria vontade de vingança que o tornou tão duro? Não me convenceu muito a "transformação a jato", mas ok..
  • Será que a vingança foi na medida ou extrapolou um pouco? Na minha opinião a quantidade de pessoas inocentes afetadas com as ações de vingança me fizeram repensar a “justiça” que o conde queria empreender. Parece que o rancor do sofrimento enquanto presidiário super inflou seu coração. Ou foi a riqueza que lhe subiu à cabeça impedindo qualquer lampejo de perdão.

Dada a movimentação que teve no Instagram, por conta da hashtag #lendoOCondedeMonteCristo, acho que vamos tentar reunir num bate-papo virtual algumas pessoas que seguiram o projeto, que foi proposto pelo marcos amaro.
Por conta disso, talvez eu volte a atualizar este post com mais observações.

Um beijo, Camilla.

terça-feira, 12 de abril de 2016

#lendoDomQuixote

Considerando que no dia 23 de abril de 2016 completam 400 anos da morte de Miguel de Cervantes Saavedra, escritor espanhol de quem vamos ficar íntimos nos próximos meses;

Considerando que muita gente vive repetindo simplificadas informações "que o fidalgo Dom Quixote era um cavaleiro, louco, cujo cavalo se chamava Rocinante, e seu fiel escudeiro se chamava Sancho Pança, e que lá pelas veredas lutou contra Moinhos de Vento porque pensava se tratar de gigantes", sem sequer ter lido uma resenha;

Considerando que relutamos em ler livros extensos, ainda mais os clássicos, que reúnem certos arcaísmos e uma linguagem mais "rebuscada";

Considerando que um dos posts maaaais visualizados do blog é o da resenha da primeira parte de Dom Quixote (que li em 2001), publicada em 2011 aqui nesse link;

VAMOS (re)LER "Dom Quixote" juntos??

BEM-VINDO a um projeto* de leitura coletiva muito simples que visa agregar mais cavaleiros andantes pra "se apoiar" enquanto lê um livro "de peso"! hehehe Brincadeirinha.. Na minha opinião, "Dom Quixote de La Mancha" é uma personagem tão incrível que merece nossa atenção! E meus considerandos acima explicam mais motivos.
 *Esse projeto é inspirado no "projeto lendo Proust", da querida Tati Feltrin que escreve/grava o Tiny Little Things.

VAMOS AO QUE INTERESSA:

O primeiro passo: Que edição vamos ler?
Dom Quixote é um livro dividido em duas partes, uma publicada em 1605 e a outra em 1615. A ideia do projeto é ler a primeira parte E depois, quem sabe, seguimos juntos na outra parte, ok?
Como é um livro antigo e o original em espanhol do século 17, acho importante escolher uma tradução boa... e algumas palavras e expressões mal traduzidas interferem, sim, no sentido da coisa.
Vou indicar três editoras, ficando a seu critério a escolha, lembrando que como é de domínio público há inúmeros arquivos .pdf pela internet!)
Outra coisa: o cronograma será dividido por capítulos, portanto não importa a numeração das páginas em si.





EDIÇÃO BILÍNGUE DA EDITORA 34:
essa é a edição traduzida pelo Sérgio Molina, 
e recebeu Prêmio Jabuti de tradução!
Reputa-se a mais confiável. É a que vou ler!
EDIÇÃO POCKET DA EDITORA 34:
tradução do Sérgio Molina, mas na versão pocket. 



EDIÇÃO PENGUIN - Companhia das Letras:
é uma tradução mais moderna.
Digamos que eles ´´facilitaram`` o texto,
de certa forma subestimam o leitor de
Dom Quixote (segundo Tati Feltrin).
obs: em 2011 eu li a versão pocket LPM, não é ruim, mas não é boa (entenderam?)

O segundo passo: criei um evento no Facebook 

Nesse espaço virtual a gente vai conversar sobre a leitura, os perrengues, as dificuldades, as dúvidas, mas também as maravilhas do livro, os personagens, fotos, vídeos, posts, gifs etc…
O terceiro passo: ter uma hashtag #lendoDomQuixote para usar nas redes sociais e agregar mais leitores.

O quarto passo: estabelecer um Cronograma de leitura, não para seguir à risca (e se tornar um peso), mas para que todos consigam, mais ou menos, ficar na mesma sintonia.


INÍCIO DA LEITURA COLETIVA: 16 DE MAIO DE 2016

(Defini essa data para dar tempo de todos adquirirem seus exemplares, certo?)



PARA NÃO TER DESCULPA, O CRONOGRAMA SERÁ DE 10 SEMANAS, com a leitura de 5 capítulos por semana, evita atrapalhar outros livros em andamento, bem como é razoável e adaptável para qualquer rotina! 
Imprima o cronograma, recorte e cole e terá um marcador de páginas!

POR FIM, deixo registrado que se trata de um projeto aberto, cuja finalidade é fomentar a leitura da obra-prima de Cervantes, tida como um marco do romance moderno. Se quiser compartilhar o post, fique à vontade, mas cita o bloguinho nos créditos, e lembrem de usar a hashtag #lendoDomQuixote nas redes sociais, ok?!

Um beijo, Camilla Caetano.

terça-feira, 8 de março de 2016

Do café com aroma de afeto


DE TODOS OS PRAZERES DO SER HUMANO, VOCÊ ESTÁ DIANTE DO QUE TEM MAIS SABOR. ENTÃO, SE O PRAZER É UM BOM CAFÉ, FOI UM PRAZER TE CONHECER.
Uma das tantas alegrias da vida é lembrar-se de alguém por um motivo especial, seja ele um objeto ou lugar visitado. É como ver esculturas de gatinhos de madeira e automaticamente pensar naquela amiga defensora dos felinos; ou sentir o aroma de flor-de-laranjeira e recordar da pracinha onde brincava na infância...
Nossa mente é assim, faz links automáticos e por vezes inexprimíveis em palavras!
Mas melhor do que se lembrar é ser lembrada. E o que passo a descrever abaixo tem a ver com memórias afetivas, e aconteceu neste verão com meu pai.
Ele esteve numa cafeteria/confeitaria chamada Doce Art Café, no município de Torres/RS, e não sossegou até conseguir esta xícara de presente para mim.
Para isso, foi ter com o dono da cafeteria e contou da filha sonhadora, muito dada às leituras e escritas; contou do blog e dos clubes de leitura...   
Eis que, ao chegar do veraneio, me entregou este bonito regalo.
Lembrou-se da Camilla porque aquilo que nos é caro nos constitui e, portanto, torna-se parte da gente. Somos lembrados pelos afetos expressados e obras realizadas, tal como o amor paterno marca num filho sua incansável força cuidadora!
Meu pai fez questão de concretizar seu afeto assim, o que de certa forma também representa a sua simplicidade: o aroma das palavras servidas numa singela xícara de café.
Um beijo,
Camilla.

quinta-feira, 3 de março de 2016

O GIGANTE ENTERRADO, Kazuo Ishiguro

Tudo azul.
Capa azul brilhante, fonte incrível e essa árvore linda: um verdadeiro capricho da editora Companhia das Letras. 

Comprei esse livro porque achei bonito, quem nunca?

Eis um livro misterioso, melancólico e repleto de entrelinhas. 
Escrito pelo japonês Kazuo Ishiguro, O gigante enterrado vai perturbar o inconsciente de qualquer leitor, porque, afinal, todos somos feitos de lembranças!

O GIGANTE ENTERRADO é um livro metafórico e profundo sobre memória e resgate daquilo que é essencial para um indivíduo, para um casal ou para uma comunidade inteira. 
É difícil definir um único tema abordado por Kazuo Ishiguro, podendo elencar o tempo, a honra, perdas, o valor da amizade, sentimentos de honra e glória, desejo de vingança, e amor.
É uma longa lista de emoções a serem "administradas", como na vida.
O que devemos carregar na bagagem após um período de guerra e sofrimento? Os sentimentos de vingança ou justiça ficam latentes por quanto tempo? Qual lembrança um casal reputa mais relevante desde quando se conheceram? O que fica registrado para uma pessoa também marcou o coração da outra?
Tais questionamentos me acompanharam durante a leitura da história de Axl e Beatrice, casal de idosos bretões que decide fazer uma jornada em busca do seu filho, em algum lugar que lembra a Grã-Bretanha, entre o final do século 5 e o início do século 6.

O caminho é percorrido nas companhias de dois saxões, o garoto Edwin e o guerreiro Wistan, e depois aparece o cavaleiro Gawain, parente do Rei Arthur.

Feridas de disputas entre bretões e saxões são expostas com ódio, honra e sentimento de redenção, num clima parecido com O Hobbit e o Senhor dos Anéis. 

Ressalto que durante a jornada as personagens sentem a falta de memória provocada pela ‘névoa do esquecimento’, uma espécie de feitiço causado pelo hálito de um dragão. E esses elementos fantásticos funcionam justamente para suavizar o tema da passagem do Tempo e suas consequências, nessa história tão bela quanto melancólica, cuja reflexão permanece incomodativa mesmo após fechar o livro. 

O esquecimento é o que nos salva, penso eu, já que não poderíamos carregar no consciente todas as memórias das experiências vividas, quiçá todas impressões registradas acerca de cada pessoa, objeto ou lugar que passamos ou passam por nós.

Um beijo,
Camilla.
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