quinta-feira, 3 de março de 2016

O GIGANTE ENTERRADO, Kazuo Ishiguro

Tudo azul.
Capa azul brilhante, fonte incrível e essa árvore linda: um verdadeiro capricho da editora Companhia das Letras. 

Comprei esse livro porque achei bonito, quem nunca?

Eis um livro misterioso, melancólico e repleto de entrelinhas. 
Escrito pelo japonês Kazuo Ishiguro, O gigante enterrado vai perturbar o inconsciente de qualquer leitor, porque, afinal, todos somos feitos de lembranças!

O GIGANTE ENTERRADO é um livro metafórico e profundo sobre memória e resgate daquilo que é essencial para um indivíduo, para um casal ou para uma comunidade inteira. 
É difícil definir um único tema abordado por Kazuo Ishiguro, podendo elencar o tempo, a honra, perdas, o valor da amizade, sentimentos de honra e glória, desejo de vingança, e amor.
É uma longa lista de emoções a serem "administradas", como na vida.
O que devemos carregar na bagagem após um período de guerra e sofrimento? Os sentimentos de vingança ou justiça ficam latentes por quanto tempo? Qual lembrança um casal reputa mais relevante desde quando se conheceram? O que fica registrado para uma pessoa também marcou o coração da outra?
Tais questionamentos me acompanharam durante a leitura da história de Axl e Beatrice, casal de idosos bretões que decide fazer uma jornada em busca do seu filho, em algum lugar que lembra a Grã-Bretanha, entre o final do século 5 e o início do século 6.

O caminho é percorrido nas companhias de dois saxões, o garoto Edwin e o guerreiro Wistan, e depois aparece o cavaleiro Gawain, parente do Rei Arthur.

Feridas de disputas entre bretões e saxões são expostas com ódio, honra e sentimento de redenção, num clima parecido com O Hobbit e o Senhor dos Anéis. 

Ressalto que durante a jornada as personagens sentem a falta de memória provocada pela ‘névoa do esquecimento’, uma espécie de feitiço causado pelo hálito de um dragão. E esses elementos fantásticos funcionam justamente para suavizar o tema da passagem do Tempo e suas consequências, nessa história tão bela quanto melancólica, cuja reflexão permanece incomodativa mesmo após fechar o livro. 

O esquecimento é o que nos salva, penso eu, já que não poderíamos carregar no consciente todas as memórias das experiências vividas, quiçá todas impressões registradas acerca de cada pessoa, objeto ou lugar que passamos ou passam por nós.

Um beijo,
Camilla.

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