sexta-feira, 6 de maio de 2016

O CONDE DE MONTE CRISTO, Alexandre Dumas


Dizer que uma leitura é ou não prazerosa é muito subjetivo, pois dependerá obviamente da nossa bagagem de leituras já realizadas, mas, sobretudo da nossa vida e visão de mundo.
Lemos tantos e bons livros que invariavelmente formamos um conceito ou um parâmetro, eu diria, do que qualifica uma obra e aquele que a escreveu.

O Conde de Monte Cristo, por exemplo, julgo ser um livro 100% ou, se preferirem, 5 estrelas, pelos motivos que seguem:

A julgar pelo volume de 1663 páginas (editora Zahar), um leitor desavisado questionaria se Alexandre Dumas consegue manter o interesse durante toda a história. E pra isso eu respondo: Sim, senhores.

A melhor referência que posso transmitir desta leitura é a manutenção do interesse. Tal como uma novela de televisão, a história possui núcleos de personagens e sub-histórias que se revelam por partes e sem pressa, numa cadência maravilhosamente orquestrada.

Os acontecimentos são contados a partir de uma narrativa impecável, fazendo avançarmos nos capítulos com muito interesse, e – notem o que vou dizer – não há sequer um parágrafo inútil no livro inteiro.

Cada frase está posta com uma razão de ser. Não sobram ´pontas soltas`, ou seja, tudo é costurado com coerência. E é por isso que fui arrebatada.

A construção de personagens e a contextualização histórico-cultural foram fundamentais para eu apreciar a história que, apesar do tema central ser reconhecidamente a “vingança”, muitas outras questões sobre amizade, traição, paixão, amor, poder político, poder financeiro, luta de classes, ética e fé são retratadas com muita sabedoria, não apenas para compreender a obra, senão para compreender a vida.

Tenho muito a falar desse livro, mas me limito às seguintes pontuações, que compartilho com vocês, com a ressalva de que possam conter spoilers..
  • Edmond Dantès era um cara tranquilinho de acordo com a moral e bons costumes da época, mas, a meu ver, quando ele sai do castelo de if transforma-se bruscamente numa figura cheia de si, conhecedora de tudo e todos, altiva e até com ares de arrogância, sobretudo depois de por a mão na riqueza contida na ilha de Monte Cristo. Pergunto-me se a real razão da transição de bom moço para calculista vingador foi o tempo de prisão, a sabedoria de Abade Faria, os bens materiais da ilha ou foi a própria vontade de vingança que o tornou tão duro? Não me convenceu muito a "transformação a jato", mas ok..
  • Será que a vingança foi na medida ou extrapolou um pouco? Na minha opinião a quantidade de pessoas inocentes afetadas com as ações de vingança me fizeram repensar a “justiça” que o conde queria empreender. Parece que o rancor do sofrimento enquanto presidiário super inflou seu coração. Ou foi a riqueza que lhe subiu à cabeça impedindo qualquer lampejo de perdão.

Dada a movimentação que teve no Instagram, por conta da hashtag #lendoOCondedeMonteCristo, acho que vamos tentar reunir num bate-papo virtual algumas pessoas que seguiram o projeto, que foi proposto pelo marcos amaro.
Por conta disso, talvez eu volte a atualizar este post com mais observações.

Um beijo, Camilla.

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