terça-feira, 7 de março de 2017

Bode ao dia/semana/mês internacional da mulher

Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho,
que hoje eu passei batom vermelho...
(Malu Magalhães)



com ou sem batom vermelho, fato é que eu saio da ‘fortaleza confortável do silêncio’ para me expressar em rede social correndo risco de ser contrariada, mas ok eu aguento. (e já aviso que a música epígrafe deste texto é uma ironia ao padrão O Boticário de beleza, porque batom jamais será sinal de empoderamento).
na minha opinião, acho uma bobagem sem precedente esse negócio da mídia e do comércio em geral ´celebrar` nós, mulheres, no início do mês de março.

todo ano é a mesma balela que vai desde série de entrevistas e matérias jornalísticas sobre ´´o papel da mulher na sociedade/borracharia/economia/política/cozinha/segurança pública”; passando pela “tripla jornada”; “juventude e ditadura da beleza”,  e outras questões que, vamos combinar?, não são exclusivas do sexo feminino!
ninguém merece ganhar um bombom ou rosa ou brindes de empresas em reconhecimento por ter nascido mulher!
é lógico que eu não recusaria chocolate rs rs, mas veja só você o momento histórico em que estamos para se continuar premiando pessoas pelo seu gênero e sendo obrigados a ver campanhas publicitárias sexistas que vão desde desconto em Livraria (a Saraiva dará 50% para livrinhos de categorias ditas de mulherzinha!?) a cerveja ‘especial para mulheres’ (marca Proibida, com rótulo cor-de-rosa).
essa data historicamente é celebrada por conta do incidente na fábrica da Triangle Shirtwaist, em que 123 trabalhadoras e 23 homens morreram devido às más condições de trabalho. mas desde lá ganhou novos significados.
hoje, o sentido da ´´celebração” não pode nem deve se resumir a publicidade medíocre cujo resultado final subjuga a mulher e subtrai a duramente conquistada (será?) Isonomia.
ninguém quer florzinha do chefe, e discriminação no RH.
ninguém quer desconto pra comprar roupa e ali na rua olhares que despem.
todos só precisam de respeito e um copo d´água.
o dia internacional da mulher deveria servir apenas para, isso sim, mobilizar a sociedade para a conquista de IGUALDADE REAL DE DIREITOS (Equidade!), e abominar todo tipo de violência sofrida pelas mulheres, sob qualquer circunstância, condição social, profissional, roupa ou cor de batom. 

Camilla Caetano
“On ne naît pas femme, on le devient”, Simone de Beauvoir.
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